ESCRITORES

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Mulher Perdigueira - Fabrício Carpinejar




Mulher Perdigueira - Fabrício Carpinejar
Intitulando seu livro com uma referência aos cães perdigueiros, aqueles que farejam e perseguem a presa, o poeta Carpinejar faz nessa obra uma homenagem à mulher que age da mesma forma, caçando seu homem, enredando-o e mantendo-o preso. As crônicas desse livro procuram desvendar aquilo que não pode ser visto, mais ainda assim é sentido de maneira pungente. Mais uma vez, o escritor usa aquilo que faz melhor, a investigação da alma feminina, para dar corpo a uma obra que é a um só tempo delicada, irônica, moderna, e, acima de tudo, etérea.
[Revista Conhecimento Prático - Literatura]

"A mulher perdigueira sofre um terrível preconceito no amor.
Como se fosse um crime desejar alguém com toda intensidade. Ela não deveria confessar o que pensa ou exigir mais romance. Tem que se controlar, fingir que não está incomodada, mentir que não ficou machucada por alguma grosseria, omitir que não viu a cantada do seu parceiro para outra.
Ela é vista como uma figura perigosa. Não pode criar saudade das banalidades, extrapolar a cota de telefonemas e perguntas. É condenada a se desculpar pelo excesso de cuidado. Pedir perdão pelo ciúme, pelo descontrole, pela insistência de sua boca.
Exige-se que seja educada. Ora, só o morto é educado.
O homem inventou de discriminá-la. Em nome do futebol. Para honrar a saída com os amigos. Para proteger suas manias. Diz que não quer uma mulher o perseguindo. Que procura uma figura submissa e controlada que não pegue no seu pé.
Eu quero. Quero uma mulher segurando meus dois pés. Segurar os dois pés é carregar no colo.
Porque amar não é um vexame. Escândalo mesmo é a indiferença."
(Fabrício Carpinejar)

Mulher Perdigueira, Fabrício Carpinejar, [Editora Bertrand Brasil]

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