ESCRITORES

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Essa Terra - Narrativa visceral sobre a condição humana nas colagens autobiográficas de Antônio Torres

Antônio Torres, jornalista e escritor brasileiro, eleito em setembro de 2013 para ocupar a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, teve seu primeiro romance editado em 1972, intitulado "Um Cão Uivando para a Lua"; em 2007 venceu o Prêmio Jabuti por "Pelo Fundo da Agulha"; seus livros mais conhecidos são "Essa Terra" e "O Cachorro e o Lobo".
Aos 32 anos, Antônio Torres lançou seu primeiro romance, Um cão uivando para a Lua, que causou grande impacto, sendo considerado pela crítica “a revelação do ano”. O segundo “Os Homens dos Pés Redondos”, confirmou as qualidades do primeiro livro. O grande sucesso, porém, veio em 1976, quando publicou Essa terra, narrativa de fortes pinceladas autobiográficas que aborda a questão do êxodo rural de nordestinos em busca de uma vida melhor nas grandes metrópoles.
Hoje considerada uma obra-prima, Essa terra ganhou uma edição francesa em 1984, abrindo o caminho para a carreira internacional do escritor baiano, que hoje tem seus livros publicados em Cuba, na Argentina, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, Holanda, Espanha e Portugal. Em 2001 a Editora Record lançou uma reedição comemorativa [25 anos] de Essa Terra.

Para saber mais sobre a vida e obra do escritor Antônio Torres, acesse:


Para assistir a segunda parte da entrevista, acesse:
[https://www.youtube.com/watch?v=5HXBUwgWb8U]

As narrativas labirínticas de Bernardo Carvalho

Integrante da coleção Amores Expressos, que reúne histórias de amor de escritores que viajaram para diferentes partes do mundo, a obra retrata os dilemas de uma Rússia contemporânea.
Escrito pelo carioca Bernardo Carvalho e lançado pela Companhia das Letras, a trama do livro se passa em São Petersburgo, na Rússia. A obra traz a história de três mães narrada em primeira pessoa. Uma tenta afastar o filho homossexual do Exército. A segunda abandona o filho cujo pai é checheno. A última sofre por ter perdido um filho que se suicidou e tenta tirar outros da guerra.
Carvalho foi editor e correspondente estrangeiro do jornal Folha de São Paulo. Escreveu Mongólia, O Sol se Põe em São Paulo, Nove Noites, Medo de Sade, As Iniciais, Onze, entre outros.
Em O filho da mãe, Bernardo Carvalho orquestra uma multiplicidade de vozes e pontos de vista, sem nunca perder de foco o motivo recorrente da maternidade, imbricado com o seu avesso: o sentimento de orfandade, de desamparo e desajuste, cuja representação mais crua é a guerra. “As mães têm mais a ver com a guerra do que imaginam”, diz a certa altura uma personagem. O livro, de certo modo, é a demonstração poética disso.
Embora o pano de fundo da história seja a segunda guerra da Tchetchênia, em 2003, Carvalho volta-se neste romance à figura da mãe, ao tema da maternidade. Serão as mães, moduladas e refratadas nas diversas histórias que aqui se entrelaçam, o fio condutor de uma trama singular, cujo resultado vem confirmar a posição do autor entre um dos mais originais e inovadores da literatura brasileira contemporânea.
São Petersburgo, cidade literária por excelência, é o epicentro da tragédia. Mas, como costuma acontecer nos livros de Bernardo Carvalho, a ação se expande vertiginosamente no tempo e no espaço. Do Oiapoque ao Nieva, de Grozni ao mar do Japão, chegam os estilhaços desses dramas nucleares de mães culpadas, filhos extraviados e pais tirânicos ou ausentes. Todas as personagens parecem, em alguma medida, estar fora do lugar, em famílias e países alheios — daí a força que adquire, no contexto, a figura monstruosa da quimera, aberração rejeitada pela natureza e pelo homem.
Romance de alta voltagem emocional, sem prejuízo do viés crítico e da complexidade da construção narrativa, O filho da mãe é um passo à frente na literatura sempre inquieta e surpreendente de Bernardo Carvalho.




Para saber mais sobre a obra de Bernardo Carvalho, acesse:

A Era dos Grandes Equívocos - Elomar Figueira Mello


Ao longo das suas 320 páginas, Elomar fala sobre assuntos polêmicos do século 20, como a falta de exatidão da matemática, a não lógica Aristotélica, a razão para estudar e a ideia de que caminhamos rumo às trevas - em processo de involução. Para isso, o escritor criou um gênero literário, o mão-de-prosa.
É como um ensaio, porém ambientado numa ficção, refletindo através do olhar de quatro personagens: um antropólogo, um poeta, um intelectual engajado e um andarilho. Em síntese, são questões do próprio Elomar. "Um livro para quem quer conhecer e entender o pensamento elomariano", definiu a produtora do compositor e coordenadora editorial da obra, Rossane Nascimento. "Elomar quer dividir com os seus admiradores aquilo que ele acredita", completa.
A obra começou a ser pensada após a reunião de velhos rascunhos de Elomar a escritos mais recentes. Passou a tomar corpo a partir de 2004, concluída cerca de oito anos depois. De lá até o lançamento, vinha sendo revisada e novos trechos inseridos. "A produção foi um trabalho muito árduo. Nós imaginávamos que seria rápido, houve conversas com grandes editores, mas sempre tinha uma coisa que segurava o livro na gaveta", declara Rossane Nascimento.
Ao mesmo tempo em que é polêmica, a trama também é "cercada por uma aura poética no uso de metáforas que tecem belas imagens", diz o texto da contracapa. "Elomar usa muito o dialeto, o vernáculo e o hipérbato e ainda é um neologista, cria muitas palavras", acrescenta a revisora. "Se trata de uma obra muito densa, que contraria toda uma série de conceitos e conhecimentos", resume.
Para ler o texto integralmente, acesse:

“A Era dos Grandes Equívocos” de Elomar F. Mello cria um ambiente ficcional para tratar de assuntos polêmicos que envolveram decididamente os rumos que tomou o Séc. XX. Um livro que marca a produção literária desse escritor, uma obra que inaugura uma nova fase no gênero “mão-de-prosa”, não apenas no campo da estilística, como também no campo das ideias.
Para adquirir o livro e outras obras de Elomar, acesse:
[www.rossanecomunicacao.com.br/locanda/loja.html]

Para saber mais sobre a obra de Elomar, acesse:
[www.elomar.com.br]

Vídeos sobre a vida e obra de Elomar Figueira Mello:
A linguagem e o sertão permeiam todo o universo de Elomar – de suas composições à literatura. Amigo de Elomar e pesquisador da Fundação Casa dos Carneiros, Gilson Bonfim apresenta os sertões e comenta como o músico incorpora na sua obra tanto a linguagem normativa quanto a coloquial. João Omar, maestro, músico e filho de Elomar, conta o que é o sertão para seu pai e a importância de sua obra como um tesouro que guarda o dileto catingueiro – fala dos sertanejos reproduzida e batizada de “sertanezo” por Elomar.



O amor é sexualmente transmissível - Marçal Aquino

Marçal Aquino, um dos grandes nomes da nova literatura brasileira, tem produzido ao longo dos últimos 25 anos algumas das obras mais significativas tanto da literatura quanto da chamada retomada do cinema nacional. Publicou, entre outros livros, os volumes de contos, O amor e outros objetos pontiagudos [1999], Faroestes [2001] e Famílias terrivelmente felizes [2003], além das novelas O invasor [2002] e Cabeça a prêmio [2003]. Atuou como roteirista dos filmes Os matadores, Ação entre amigos, O invasor, Nina, Crime delicado e O Cheiro do Ralo.
Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios é uma vertiginosa e acidentada história de amor, ainda mais espantosa porque nascida num ambiente hostil a qualquer manifestação de delicadeza. Mesmo cercada por episódios de loucura e brutalidade, a sedução emerge como o mais arriscado dos jogos. Entregar-se a seus caprichos e normas, tão rígidos quanto os que regem a vida do submundo, pode ser a prova mais difícil da vida de um homem. Aquela que, nas palavras do próprio Cauby, acaba definindo a sua sorte: "Quero saber quantos tiveram a coragem de ir até lá. De encontro ao fim. Eu tive".


Antonio Candido - A crítica que revolucionou o ensino e o estudo da Literatura Brasileira

Um dos maiores intelectuais do país, o crítico Antonio Candido revolucionou o ensino e o estudo da literatura brasileira com uma obra atualíssima que acaba de ser relançada. O conjunto de sua produção acadêmica fez dele um destacado intelectual da cultura brasileira.


Fim dos anos 1930, Antonio Candido acabara de ingressar na faculdade de filosofia. Certa vez, de férias em Poços de Caldas-MG, onde fora criado, encantou-se tanto por Pauliceia Desvairada, de Mário de Andrade, que copiou o livro todo à mão.
Vinte anos depois, já dava aulas de sociologia na USP quando "passou as armas e as bagagens" para os estudos literários. Foi com o olho científico do método e o outro olho sensível do crítico que ergueria uma obra pedra angular para a compreensão de nossa literatura. João Cabral, Guimarães Rosa e Clarice Lispector tiveram suas primeiras obras reveladas por quem? Quem veio a público defender Drummond quando o acusaram de ser mero burocrata de GetúlioVargas?
Apesar da justa etiqueta de "crítico sociológico" Candido sempre valorizou a autonomia estética e a multiplicidade integrativa das abordagens como forma de nunca reduzir as obras a meros documentos bibliográficos. Sua atuação como pensador tornou-se referencial importante para o pensamento democrático de esquerda, mas sua obra maior está nas gerações de críticos que funda a partir de seus livros e aulas, considerados clássicos balizadores de nossa formação.
Por Marcílio Godoi, Revista Língua Portuguesa, Edição-69.

Saiba mais sobre a obra de Antonio Candido, acessando:
[homoliteratus.com/antonio-candido-apontamentos-da-formacao-e-da-tradicao-literaria-brasileira]

A Ficção Poética de Micheliny Verunschk

"A poesia para mim é a forma mais eficaz de alcançar algo inatingível, a essência do real ou, antes, o real em essência. É também o único modo pelo qual posso enxergar o mundo. Ela está um degrau acima da filosofia e um degrau abaixo do amor." - Micheliny Verunschk, entrevista blog: [Sambaquis].
[Landy Editora], Coleção Alguidar, o livro de Micheliny Verunschk é obra inovadora e contundente. Bem entende Mário Hélio esta poesia quando diz: “a dor e o prazer estão enredados no mesmo labirinto, se aninham e se fincam na carne ... É emoção concentrada, decantada. Mas com sutis crueldades e poucas concessões ... A música deste livro só se ouve bem se se deixa fluir por todo o corpo”, é o que em poucas palavras essa poesia resume tal o poder de sua linguagem poderosamente expressiva e que, por isso, é capaz de congregar simultaneamente o encantamento, a alegria e o prazer próprios de uma poesia verdadeira. É assim que essa pernambucana, de Arcoverde, vai compondo essa bela Geografia Íntima do Deserto.

Este livro foi finalista ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, tendo ficado entre os 10 primeiros títulos indicados.
Leia entrevista de Micheliny Verunschk ao [Portal Cronópios] e poesias da autora no Portal [Jornal de Poesia]

Veja entrevistas da escritora e poeta ao programa [Encontros de Interrogação] promovido pelo Instituto Itaú Cultural em 2004, e no programa [Entrelinhas da TV Cultura], em 2009.


A Cartografia da Noite, pela Lumme Editor, faz parte de um projeto inicial que previa uma trilogia (da qual o Geografia íntima do deserto seria a primeira ponta). Não sei se desisti da trilogia, mas por enquanto ficamos com esse dueto, visto que o próximo livro de poemas (no qual trabalho agora) chama-se Outra arte e se afasta bastante desse projeto que engloba o Geografia e A cartografia. De resto, esses dois dialogam (desde o título, como se pode perceber) até um certo jogo de claro-escuro, de linguagem e de temática, afinal a noite e o deserto, em alguns momentos, podem ser compreendidos um como metáfora do outro. Alguns poemas que não couberam em Geografia acabaram por aparecer em A cartografia, enfim...
Saiba mais sobre a poética de Micheliny Verunschk em:
Blog da autora: [Ovelha Pop]




Entre a Filosofia e o Amor: A Poesia de Micheliny Verunschk


"A poesia para mim é a forma mais eficaz de alcançar algo inatingível, a essência do real ou, antes, o real em essência. É também o único modo pelo qual posso enxergar o mundo. Ela está um degrau acima da filosofia e um degrau abaixo do amor." - Micheliny Verunschk, entrevista no blog: Sambaquis.

Landy Editora, Coleção Alguidar, o livro de Micheliny Verunschk é obra inovadora e contundente. Bem entende Mário Hélio esta poesia quando diz: “a dor e o prazer estão enredados no mesmo labirinto, se aninham e se fincam na carne ... É emoção concentrada, decantada. Mas com sutis crueldades e poucas concessões ... A música deste livro só se ouve bem se se deixa fluir por todo o corpo”, é o que em poucas palavras essa poesia resume tal o poder de sua linguagem poderosamente expressiva e que, por isso, é capaz de congregar simultaneamente o encantamento, a alegria e o prazer próprios de uma poesia verdadeira. É assim que essa pernambucana, de Arcoverde, vai compondo essa bela Geografia Íntima do Deserto.
Este livro foi finalista ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, tendo ficado entre os 10 primeiros títulos indicados.

Leia entrevista de Micheliny ao [Portal Cronópios] e poesias da autora no [Jornal de Poesia]
Veja entrevistas da escritora e poeta ao programa [Encontros de Interrogação] promovido pelo Instituto Itaú Cultural em 2004, e no programa [Entrelinhas da TV Cultura], em 2009.

A Cartografia da Noite, pela Lumme Editor, faz parte de um projeto inicial que previa uma trilogia (da qual o Geografia íntima do deserto seria a primeira ponta). Não sei se desisti da trilogia, mas por enquanto ficamos com esse dueto, visto que o próximo livro de poemas (no qual trabalho agora) chama-se Outra arte e se afasta bastante desse projeto que engloba o Geografia e A cartografia. De resto, esses dois dialogam (desde o título, como se pode perceber) até um certo jogo de claro-escuro, de linguagem e de temática, afinal a noite e o deserto, em alguns momentos, podem ser compreendidos um como metáfora do outro. Alguns poemas que não couberam em Geografia acabaram por aparecer em A cartografia, enfim...

Saiba mais sobre a poética de Micheliny Verunschk em:
[Revista Cult » Notícias de outras ilhas - Micheliny Verunschk]


Blog da autora: [Ovelha Pop]




"Como se o mundo fosse um bom lugar"


"Uma história passada em São Paulo. O livro tem o olhar para essa degradação pela qual a cidade passa, seja humana, seja da paisagem. Ando pelo centro da cidade e só consigo pensar que até a decadência entra em decadência." - Marçal Aquino em [Colherada Cultural]

"Uma história de amor que causa uma derrocada familiar" - Marçal Aquino em [Itaú Cultural]

“Minha literatura é a rua; não sou escritor de gabinete. Morar em uma metrópole como esta ajuda: existem muitas fagulhas para a ficção” - Marçal Aquino em [Revista Época-SP]

"Uma das vozes mais contundentes de sua geração, Marçal Aquino revela a contemporaneidade em tudo o que ela traz de violência, amor e perturbação da ordem estabelecida. A literatura é o caminho que baliza as trilhas que segue, numa vida que bem daria um livro ou um filme. Tradutor, revisor, ex-repórter policial, jornalista freelancer, é também roteirista de cinema e televisão, tendo no currículo os bem-sucedidos Os Matadores [1997], Ação entre Amigos [1998], O Invasor [2001], Nina [2004], Crime Delicado [2005], Cão sem Dono [2007] e o premiado Cheiro do Ralo [2007]. Autor, entre outros, do romance Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios [Cia. das Letras - 2005], nesta entrevista ele fala de seus processos de criação, do trabalho em cinema e da literatura brasileira hoje."
Por Micheliny Verunschk em [Marçal Plural] - Itaú Cultural.



[Sargento Getúlio] - João Ubaldo Ribeiro

[Sargento Getúlio] e a critica à época da primeira edição:
["... na minha opinião, vai ficar como um marco na nossa literatura." "... Sargento Getúlio, foi dos melhores livros brasileiros que tenho lido nos últimos anos. É algo de novo. Não tem nada a ver com nenhum outro livro". Érico Veríssimo]
["Trata-se realmente de um romance excepcional. E  João Ubaldo Ribeiro será sem dúvida, se já não é, um dos melhores de nossa literatura." Fernando Sabino]
["... um dos aspectos que mais ressaltam no romance de João Ubaldo Ribeiro: ele consegue concentrar no seu protagonista o processo cultural de toda uma vasta região e suas consequências. O romance deixa de ser apenas uma história encantada para espelhar as significações mais profundas do depoimento e da pesquisa." Hélio Pólvora]
Com Sargento Getúlio, do baiano João Ubaldo Ribeiro, publicado em 1971 pela Nova Fronteira, e já traduzido para várias línguas, a ficção brasileira conquistou um novo sentido épico, em que o heroico e o picaresco se conciliam, e em que João Ubaldo vai às nossas origens mais legítimas, manipulando uma linguagem e uma técnica onde a característica maior é a transparência, a ironia fina, a espontaneidade.
Sargento Getúlio, é hoje um romance consagrado. Jorge Amado escreveu: "Agora temos em nossa frente um romance que exige os grandes adjetivos: um senhor romance. Um romance duro, dilacerante, por vezes terrível, de extrema humanidade. A figura do Sargento Getúlio se levanta com uma força de criação raras vezes alcançada no romance brasileiro." E na França, onde foi publicado pela Editora Gallimard, o mínimo que se escreveu foi: "Obra Espantosa, violenta, exacerbada, terra-a-terra, dolorosa, fantástica. Revelação, em suma, de um grande escritor."
Em Sargento Getúlio predominam a oralidade, as estruturas de linguagem arcaica encontráveis no Nordeste, barroca e lírica ao mesmo tempo, muito de memorialismo, um acurado senso de pesquisa, um diálogo constante com a tradição, que é a forma mais correta de encarnar o espírito da modernidade e revolucionar os modos de criação artística.

Saiba mais em:
- pt.wikipedia.org/wiki/Sargento_Get%C3%BAlio
- biblioteca.folha.com.br/1/29/trechos.html


Transposição da obra para o cinema:
Baseado no livro de João Ubaldo Ribeiro, em 1983, recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Ator [Lima Duarte] e Melhor Ator Coadjuvante [Orlando Vieira] no Festival de Gramado. Melhor Ator [Lima Duarte] no Festival de Cinema de Havana.

Assista ao filme:



À beira do corpo - Walmir Ayala


Walmir Ayala
"Walmir Ayala, um dos maiores poetas de sua geração, também se dedicou à ficção, ao teatro, ao diário, à crítica de arte e à literatura para crianças. Tendo se destacado em todos esses gêneros, foi dos mais premiados autores da literatura nacional e dos intelectuais mais atuantes da segunda metade do século XX. Seu romance À beira do corpo, publicado inicialmente em 1964, teve cerca de oito edições sucessivas até 1990. Depois disso, só é encontrado em sebos, embora nunca tenha deixado de atrair admiradores.
Para o crítico literário Fausto Cunha, Walmir Ayala é "criador poderoso" que conduz o romance como uma iluminação. Na opinião do escritor Lêdo Ivo, trata-se de "uma das histórias mais lancinantes da literatura brasileira". E, sob o impacto da primeira leitura, em 1964, o crítico Assis Brasil não hesitou em considerá-lo "um livro terrivelmente bem escrito que põe, de imediato, Walmir Ayala ao lado de nossos melhores romancistas"." [Coluna - Vale Reeditar - Revista EntreLivros, Edição 24]

O romance, À beira do corpo, desenvolve-se sobre as consequências subjetivas de um crime passional. Quem nos narra a história é uma figura insólita, o narrador onisciente e solitário, que nos conta a história de um corpo desejado e desejante. Uma história que envolve um bom toque de sensualidade e erotismo, sedução, adultério, ira, amor e desilusão.

Para saber mais sobre a vida e obra do autor, acesse:
[enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa66/walmir-ayala]


Documentário sobre a vida e obra de Walmir Ayala (Porto Alegre-RS, 4 /1/1933 - Rio de Janeiro-RJ, 28/8/1991), poeta, romancista, memorialista, teatrólogo, autor de literatura infantojuvenil e crítico de arte. Direção e produção: Luiz Carlos Lacerda "Bigode" e Alunos de Escola de Produção Cultural da Fundição Progresso.



Os Malaquias - A belíssima montanha de metáforas de Andréa del Fuego



Um passado de cujo presente eu faço parte

Os Malaquias é meu primeiro romance. Ele não surgiu de uma passagem natural do conto ao romance ou de um compromisso literário, um desafio de linguagem como me propus com os livros anteriores. O livro surgiu no seio familiar, uma cobrança interna de outra comarca, a da herança. Comecei a escrever Os Malaquias logo depois que minha avó morreu, no inverno de 2003. Meses depois, fui a Minas Gerais, onde ela vivia, enfrentar a ausência da grande mãe. Numa tarde, percorri com minhas tias a região de Serra Morena, um vale deslumbrante que fica atrás do bairro Buracão, onde minha avó criou os filhos. Voltei certa de que escreveria um romance chamado Serra Morena. O nome ficou na cabeça por bom tempo até que eu tomasse fôlego. A história se iniciaria no acidente natural que vitimou meus bisavós, deixando orfãos os filhos, entre eles, meu avô. Ninguém da família comentava o caso e, numa tentativa de saber mais, meu avô ficou fragilizado e desisti de especulá-lo, era uma memória a que eu não teria acesso. Cada vez que escrevia uma página era tomada por uma eletricidade, inventar um passado de cujo presente faço parte. Da cena real, a tempestade, eu inventaria o segredo dos sobreviventes. Um estado de ficção, onde se suspende a lógica da morte, por exemplo. Passaria uma mão de tinta em fatos, escreveria uma teoria provisória. A pretensão poética e o realismo fantástico, presentes no texto, foram amortecedores emocionais, já que eu estava me olhando no espelho, ocasião em que damos o melhor ângulo. Aos poucos, fui percebendo o que valia a pena e o que servia apenas como andaime para a construção do edifício. A questão, claro, era diferenciar o andaime da parede. Assim que terminei o primeiro tratamento, enlouqueci de emoção, realizada por ter escrito tantas páginas, por chamar aquelas folhas de romance. Não durou muito, fiquei insegura, qualquer peteleco me abalaria. Era um erro achar que a primeira versão seria a definitiva. Abandonei o Serra Morena e fui escrever alguns livros de contos e juvenis. Todos encontraram um caminho, o que me deu uma certeza: cada livro tem seu limite, seus problemas e sua estrada, feito uma pessoa que acaba de chegar ao mundo. Abri a gaveta num verão de 2007 para reler o Serra Morena, já distante emocionalmente da realidade familiar e mais próxima de um compromisso literário. Armada com facão, cortei o matagal, tudo o que camuflava a força da trama. Com a distância, pude perceber que havia sim um romance debaixo daquela montanha de metáforas. Aliás, não consigo me livrar delas nem nesse texto objetivo. Mas para cortar sem dó, negociei, já que a ficção fantástica inundaria de vez o livro, eu manteria os nomes reais. Nico, Júlia e Antônio são os nomes do meu avô e tios-avós. Assim que fiz uma boa reforma no texto, meu tio-avô Antônio faleceu, justamente a presença mais delicada no livro. Toda aquela distância diminuiu em segundos, fiquei novamente diante de um texto tão próximo que meu julgamento ficou abalado e acrítico. Não era só isso, Nico e Júlia são vivos. Júlia, como no livro, teve que voltar à Serra Morena e morar com o irmão. Soube que minha tia caçula leu trechos para o meu avô, ele ouviu em silêncio. Outra tia leu o original em algumas horas, foi seu primeiro livro aos 40 anos, talvez o último, ela não tem o hábito da leitura. O livro deixou-me em dia com a cobrança de fertilidade, de uma pegada no mundo que ligasse meu passo ao deles. Essa sanfona emocional, claro, não me parece o melhor estado na produção de um romance, produto digno de uma disciplina racional, de um cálculo estético, ou seja, de controle. Tive outra experiência similar, escrevi um infantil baseado numa vivência em um sítio, em Ilhabela, e igualmente mantive os nomes reais dos personagens, mas essa é outra história, o sangue não está envolvido, ainda que o real traga algo palpável como a gratidão e a amizade. Daqui por diante, pretendo sair cada vez mais do real, sem que eu me perca e o leitor perceba. Quando Os Malaquias chegou na editora Língua Geral, ainda não estava em seu ponto maduro, o editor, na época o Eduardo Coelho, disse que o Serra Morena tinha qualidades, mas podia melhorar. Eduardo sugeriu cortes precisos, a cada corte, mais evidente ficava a forma. Primeira mudança foi no título, depois ele enviou para alguns leitores e fizemos inúmeras revisões e versões. Em agosto de 2010, Os Malaquias foi lançado. Com muita alegria, venho recebendo resenhas positivas sobre um trabalho que, no meu universo portátil, é um inventário privado.
Excelente resenha sobre a obra em:[florestadelivros.blogspot.com.br/os-malaquias.html]


Pornopopeia - Reinaldo Moraes


[...] Portanto, a pergunta fundamental que temos de responder, com relação a 'Pornopopeia', é a seguinte: o protagonista é um herói de epopeia, ou um indivíduo de romance? Devemos dar mais valor ao título do livro, ou à sua caracterização de romance? Ou seja: essa pessoa extremamente individualista e imoral que nos narra sua história deve ser interpretada como alguém diferente de nós, simples indivíduo de romance com o qual podemos aprender algo; ou deve ser visto como uma imagem simbólica do que somos como povo e sociedade? Esta é talvez a pergunta fundamental do livro. Uma reflexão, no mínimo, inquietante, e que o situa dentre a melhor produção literária contemporânea, ou seja: aquela que consegue propor não só temas interessantes, mas formas literárias novas para abordar estes temas. Há elementos na obra que apontam para ambos os lados, e a resposta à pergunta não está dentro da narrativa, mas sim em nossa atitude frente à vida depois de termos lido algo que promove tanta reflexão.
Para qualquer pessoa que se interessa pelo fenômeno da contemporaneidade, e/ou sente-se desconfortável com a realidade que observa no dia a dia, querendo buscar novos pontos de vista para olhar estes problemas, Pornopopeia será uma leitura inesquecível. Sem contar que renderá boas gargalhadas. Mas fica o alerta: não é um livro para quem tem estômago fraco.
Por Flavio Lima, no [BLOG GV CULT]

"O que me impressiona no 'Pornopopéia' é a combinação de registro chulo com escrita elaborada e inventiva, resultando uma peça inteiramente nova na literatura brasileira", relata o crítico Roberto Schwarz.
Para ler o primeiro capítulo, acesse:

Beije-me onde o sol não alcança - Mary del Priore


Um conde russo, a herdeira de um barão do café do Vale do Paraíba e uma ex-escrava. Unindo as pontas do triângulo, paixões, tragédias, a moral hipócrita de uma época, grandes fortunas, falências, derrocadas... Neste romance que parte de fatos e personagens verídicos, Mary del Priore cria uma narrativa que prende o leitor desde a primeira página. 
O olhar da historiadora faz um retrato vivo do tempo e dos acontecimentos que o marcaram, mas é a história de amor de Maurice Haritoff, Nicota Breves e Regina Angelorum (nomes reais que parecem inventados) que nos arrebata. Com descrições de uma riqueza impressionante, Mary del Priore nos faz mergulhar na narrativa, nos carrega para dentro da história. 
Sentimos os cheiros, ouvimos os sons, vemos pelas frestas dos casarões um mundo onde convivem dramas, angústias, ambição, sensualidade, opressão feminina e religiosidade. Somos levados, ou nos deixamos levar. Difícil é voltar da viagem quando o livro acaba.

Saiba mais sobre a autora e sua obra, acessando: [marydelpriore.com.br]

O Sempre Um Papo​ e a Gerdau​ receberam em Setembro, a escritora e historiadora, Mary del Priore​, para o debate e lançamento de seu primeiro romance: “Beije-me Onde o Sol Não Alcança” (Editora Planeta). Baseada em fatos reais, a obra aborda a condição da mulher no século 19, a mobilidade social dos escravos e descreve também o cotidiano de grandes cidades, tais como o Rio de Janeiro, Paris e São Petersburgo.


O ativismo da cultura nordestina nos versos de Bráulio Bessa

Vendo os “versos se bulir” desde muito cedo, aos 14 anos o menino de Alto Santo, interior do Ceará, rabiscava nos cadernos da escola seus primeiros versos. Tendo como principal fonte de inspiração a poesia de Patativa do Assaré, Bráulio Bessa também versava à sua maneira dos afetos e da vida no sertão.
Em 2012 com a criação de uma página na internet, sua poesia alçou voos distantes e tal como a ave canora patativa, seu cantar encantou todo o Brasil.
Ultrapassando a marca de 100 milhões de visualizações em seus vídeos, o poeta também é recepcionado semanalmente pelas famílias brasileiras no programa de TV Encontro com Fátima Bernardes, do qual é Consultor de Cultura Nordestina e apresenta sob um olhar poético temas diversos.
Disseminando sua poesia aos quatro cantos, Bráulio é considerado um dos maiores ativistas da cultura nordestina no mundo.

Saiba mais sobre a vida e obra do poeta Bráulio Bessa, acessando:

Vida & Obra - Machado de Assis, por Luís Augusto Fischer

Machado de Assis, Por Luís Augusto Fischer


A vida do maior escritor brasileiro de todos os tempos ainda é bastante desconhecida, e talvez assim permaneça para sempre. Machado de Assis pouco escreveu diretamente sobre sua infância e juventude, e muitas vezes parece ter mesmo decidido silenciar sobre vários aspectos de sua vida pessoal. Para dar um exemplo: depois da morte da esposa, ele mandou destruir a correspondência que havia mantido com ela. Perdeu-se um material que certamente poderia ter contribuído para nós, seus pósteros, sabermos mais a respeito de sua intimidade. Mesmo na maturidade, quando se havia convertido em uma figura de prestígio público, há aspectos bastante obscuros de sua experiência. Quando começou seu problema de saúde? Por que ele não manteve laços claros com parentes seus e de seus pais? É verdade que ele renegava sua condição de descendente de escravos?
Essas perguntas e várias outras permanecem lamentavelmente sem resposta clara. Mas isso não desautoriza as perguntas: por mais que saibamos que a obra de arte nunca responde diretamente aos aspectos da vida real do autor, a vida de um grande artista sempre interessa, em alguma medida, para a compreensão de sua obra. Nem que seja para a gente admirar como é que o sujeito pôde, em meio a seus tormentos pessoais, inventar os mundos que inventou, flagrar as tantas coisas que flagrou.
SAIBA MAIS EM:

A Estranha Realidade de José J. Veiga

José J. Veiga - Realismo Mágico, Surrealismo
Há pouco mais de meio século, estreava um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos: o ficcionista goiano José J. Veiga (1915-1999), nosso primeiro escritor do gênero "realismo fantástico" com a publicação do livro "Os Cavalinhos de Platiplanto" (parece título de livro infantil, mas não é).
Pouco conhecido pelos jovens, J. J. Veiga é considerado um dos responsáveis pela introdução, no Brasil, do chamado "conto fantástico" ou "realismo mágico", de inspiração kafkiana, espécie de subgênero literário que infuenciou uma geração de escritores latino-americanos, dentre os quais se destacaram o colombiano Gabriel Garcia Márquez (1928-2014) e o argentino Julio Cortázar (1914-1984).
A característica principal de seu estilo é a linguagem despojada, sem artificialismos, aproximando-se da linguagem falada. Suas narrativas em geral têm como cenário o meio rural ou pequenas cidades, em que algo incomum, por vezes absurdo, vai acontecer para quebrar a monotonia do cotidiano.
Nos doze contos de seu livro de estreia pode ser percebida a adesão do autor a um projeto literário caracterizado pelo contraponto entre o dia a dia mais corriqueiro e a estranheza, entre o trivial e o esotérico, o real e o surrealismo.
"Os Cavalinhos de Platiplanto", obra aparecida em 1959, conquistava no ano seguinte o Prêmio Fábio Prado, então um dos mais disputados e prestigiados lauréis literários do país, destacando na ficção brasileira de contos, um significativo valor novo, um indiscutível talento de narrador.
Wilson Martins escreveu: José J. Veiga, "liberto das escolas e das modas... deu à literatura brasileira um daqueles livros pessoais e verdadeiramente novos que assinalam a história dos gêneros: ele trouxe a contribuição qualitativa do conto, a do conto mergulhado num mundo próprio, preso a contingências específicas e criando, pela magia do estilo, novos planos da sensibilidade literária".
O romancista Adonias Filho, saudou-o "como um escritor a quem nada falta para a conformação da estória em todos os seus elementos de vivência. É um escritor nato que, possuindo instintivamente a dimensão da cena, nela introduz o acontecimento, as figuras que molda com sangue".
O livro apresenta contos de excelência absoluta (como, por exemplo, A Usina Atrás do Morro e Professor Pulquério) que fazem de "Os Cavalinhos de Platiplanto" uma obra memorável, na qual estão reunidos alguns contos que mergulham o leitor num mundo mágico, fantástico e de rara beleza poética.
Continue a leitura em: [J.J e a Estranha Realidade], Reportagem da [Revista CP-Literatura]

José J. Veiga possui uma qualidade que inúmeros autores gostariam de ter, pois é capaz de agradar tipos muito diferentes de leitores, de jovens estudantes a leitores maduros, de admiradores da prosa fantástica aos fãs da narrativa realista. 
Em 2015, a Companhia das Letras inicia o projeto de reedição da obra completa de José J. Veiga, e convida grandes autores para comentar as obras do escritor e sua importância na literatura brasileira. 
Silviano Santiago faz sua leitura sobre os contos de "Os cavalinhos de Platiplanto", primeiro livro de José J. Veiga publicado originalmente em 1959. Com prefácio de Santiago, "Os cavalinhos de Platiplanto" traz reminiscências da infância em doze contos que apresentam ao leitor um universo que mescla o embate entre os sonhos de seus personagens e a realidade do cotidiano.




Olga Savary - O Erotismo como expressão poética

Olga Savary - Poesia Erótica
Primeira mulher do país a publicar um livro de poesias eróticas, Olga Savary, 77 anos, pensa muito em sexo. Musa do poeta Drummond e de artistas como Siron Franco, ela é uma espécie de Mona Lisa de Copacabana. Atrás do sorriso enigmático, guarda retratos e poemas de admiradores famosos e histórias picantes, profundas e divertidas.
Olga Savary é o retrato de um Brasil que pouco valoriza sua cultura. Primeira mulher do país a publicar um livro de poesias eróticas e a se dedicar à escrita de haicais (a sintética poesia japonesa), a escritora paraense tem em seu currículo 20 livros, mais de 40 prêmios de literatura — entre eles, dois Jabutis — e traduções de Pablo Neruda, Julio Cortazar e Mário Vargas Llosa.
Para falar desta e de outras paixões, Olga recebeu Marie Claire em seu apartamento, no Rio de Janeiro. E, antes disso, por telefone, questionou a competência desta jornalista. “Tem certeza de que quer me entrevistar?”, perguntou. “Não suporto jornalista que escreve ‘pra’ em vez de ‘para’.” Dois encontros depois, bem mais à vontade, Olga falou sobre a amizade amorosa construída com Drummond, a dor de ter perdido um filho para as drogas e a descoberta tardia de sua sexualidade. Para Ferreira Gullar, fã e amigo de Olga, é justamente o fato de “viver às voltas com as contradições mais profundas da existência” que faz dela uma grande poeta, capaz de falar do sexo com uma “cautela de veludo”.

Leia a entrevista completa, por: Marina Caruso na Revista [Marie Claire]



Flores Artificiais - Luiz Ruffato

Luiz Ruffato - Flores Artificiais
O “buquê de flores artificiais” que Luiz Ruffato nos oferece em seu romance é um presente que, pelo próprio fato de não ser natural, causa desassossego e perturbação no leitor que recebe a surpresa diante da porta de seus olhos. Essas flores artificiais foram colhidas, segundo o autor, no campo dos relatos que um seu conterrâneo – Dório Finetto, lhe envia sob forma de cartas, talvez sem muito acreditar que, algum dia, suas “Viagens à terra alheia” pudessem vir a ser realmente publicadas em livro. “Dou inteira liberdade para o que decidir” – diz Finetto, na carta de abertura – “Até mesmo para simplesmente jogar tudo no lixo” (p. 14). Ao que Ruffato esclarece: “Talvez por sermos conterrâneos, e contraparentes, acabei aceitando o inusitado encargo.” p. 10).[...] 
Em Flores Artificiais são oito relatos, reunidos cada qual sob um título particular, sendo justamente “Uma história inverossímil” o primeiro deles. Trata-se da biografia de Bobby, um matador de ratos – quase indigente – que Finetto, quando ainda estudante, encontra nas ruas de Juiz de Fora durante um inverno e com quem acaba mantendo conversas com certa frequência. [...]
Cada personagem dos relatos tem uma história trágica a contar. Isolados em território estrangeiro ou eternos viajantes (é o caso do próprio Finetto), as lembranças de suas dores são o próprio caminho que repisam com insistência. Pela leitura das histórias, diríamos que a dor, e nenhuma outra, é a pátria universal da humanidade: guerras, ambições, calúnias, miséria, traições e mesmo a própria beleza são o solo agreste em que caminham os protagonistas. Sempre deslocadas no mundo, sempre apartadas de sua terra natal, ou em busca de algum lugar para finalmente marcarem o fim de sua amarga existência, cada voz ressoa como lamento e incompreensão da vida. Mesmo a história de Finetto parece um eterno suplício: ele sente o tempo que passa e a incompletude de sua vida sem família, sem filhos, sem esposa ou, como ele mesmo registra diversas vezes, sem pessoa alguma que lamente sua morte. É interessante notar, entretanto, o lado cômico de algumas passagens, apesar do tom trágico. Muitas vezes, o riso surpreende através de um chiste linguístico, quando uma personagem confunde palavras e quer pegar uma cerveja no frigorífico – em vez de frigobar, ou quando, em francês (idioma que aparece seguidas vezes ao longo do livro), há algum trocadilho envolvendo palavras muito semelhantes, mas que, em sua diferença, acabam modificando toda uma frase. Mas a comicidade surpreende mais naquilo que é próprio das piadas e do riso: o lado sádico de quem ri e o humor negro das anedotas. Um excelente exemplo é a segunda história do livro, “Uma tarde em Havana”, em que Finetto inicia conversa com Nadia, uma moça que lhe revela ser prostituta, ainda que esteja bastante inquieta com o fato de poder ser descoberta. Suas atitudes são imaturas e denunciam a constante necessidade de valorização da beleza física. Nadia fala muito em casamento e critica os espanhóis e italianos, que “só querem jarana” (farra, bagunça). Ela e Finetto apreciam as ruas da cidade em um passeio que dura até o anoitecer e, a um dado momento, Nadia o convida para entrar em uma casa no subúrbio, onde se encontram o homem que explora seu trabalho e a dona do local. Surpreso e deprimido pela condição e o estado físico da moça – “Ela jogou-se no colchão, pretensamente lasciva, a pele magoada, marcas vermelhas e roxas de outros encontros” (p. 99) –, Finetto lhe dá todo o dinheiro de que dispunha e retorna ao hotel de onde haviam partido aquela tarde. O relato acaba com uma reflexão do narrador sobre sua própria vida: “Quando, sem fôlego, voltei à tona, era apenas destroços, um homem que avançava célere para os sessenta anos e sabia que não ocupava o pensamento de nenhuma pessoa em lugar algum do mundo” (p. 100). Esse desfecho, embora doloroso, faz-nos refletir sobre quem, afinal, é mais infeliz e está mais entregue ao acaso. A moça é jovem (tem 24 anos), é prostituta, mas procura casamento com um homem que a ame, Finetto é velho e tem a certeza de que morrerá sem ninguém para lamentar sua perda. Situação quase anedótica acontece também em “A perna”, em que Anka, a proprietária de um hotel da cidade de Nordersted (Alemanha), conta como ficara manca de uma perna e como fora obrigada pela mãe a abandonar a muleta e disfarçar o defeito: por volta dos sete ou oito anos, brincava sozinha à beira de um riacho quando a muleta, por descuido, cai na água e é levada pela correnteza. Anka caminha trôpega em direção a casa, enquanto inventa uma história para convencer a mãe de que não fora culpada do incidente: “Ao chegar, contei, toda séria, que Jesus havia aparecido para mim perto do bosque, mandando que jogasse fora a muleta, porque se tivesse fé ficaria sarada” (p. 107). A mãe lhe dá um violento tapa no rosto e a espanca com uma tala de couro, exigindo que, dali para a frente, Anka ande direito, pois a considerava curada. Esses pequenos ou médios relatos, ambientados onde quer que seja, tratando de não importa qual personagem, encerram docemente a lição do sofrimento humano, em histórias que se repetirão ininterruptamente, a perder de vista no horizonte do tempo. A epopeia simplória das vidas de personagens expatriadas, ou eternos viajantes que não têm para onde regressar, é transplantada das palavras que saem de suas bocas, integram as cartas de Finetto e, finalmente, transmutam-se nas flores artificiais de Luiz Ruffato.
[...] 
Flores artificiais, de Luiz Ruffato por Gabriel Villamil Martins - Mestrando do Curso de Pós-Graduação em Letras - UFRGS, em:

Luiz Ruffato fala com Rodrigo Simon sobre seu livro, Flores artificiais (Companhia das Letras, 2014). Em seu nono romance, o premiado autor volta a tratar da questão do desenraizamento, tema que percorre sua produção, de maneira mais ou menos evidente, desde a estreia com Eles Eram Muito Cavalos (Boitempo, 2001), que está em sua 11ª edição e venceu os prêmios APCA e Machado de Assis. Ruffato é também autor de Estive em Lisboa e lembrei de você (Companhia das Letras, 2009) e De mim já nem se lembra (Moderna, 2007), além da pentalogia Inferno Provisório (Record): Mamma, son tanto Felice (2005), O mundo inimigo (2005), Vista parcial da noite (2006), O livro das impossibilidades (2008) e Domingos sem Deus (2011). Além dos nove romances, Ruffato também publicou dois livros de contos, dois de poesia e um ensaio.

Grande Sertão: Veredas - Antonio Candido discorre sobre a obra de Guimarães Rosa

Entrevista dada por Antonio Candido sobre a obra de Guimarães Rosa. Antonio Candido de Mello e Souza é um sociólogo, literato, ensaísta e professor universitário brasileiro. Estudioso da literatura brasileira e estrangeira, possui uma obra crítica extensa, respeitada nas principais universidades do Brasil. À atividade de crítico literário soma-se a atividade acadêmica, como professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É professor-emérito da USP e da UNESP, e doutor honoris causa da Unicamp.

"A entrevista se reveste de peculiaridade digna de nota. Primeiro, quem fala e de quem se fala. Quem fala é - sem favor - o maior dos críticos contemporâneos. Segundo, fala-se do mais genial escritor do século XX e um dos mais geniais da literatura universal. Interessou-me sobremaneira o depoimento de A. Candido, notadamente quanto aos detalhes sobre a pessoa de Guimarães Rosa, ou seja, o homem convencional, o abismo entre o homem e a obra e o homem encantador. Mais ainda: o resgate da conversa entre eles havida, na qual se resgata uma fala de Guimarães Rosa, para quem o único problema de monta, no universo da condição humana, é o de saber se Deus existe ou não existe. Em síntese, é de arrepiar ouvir de Antonio Candido, com ênfase, que o nosso Guimarães Rosa é universal. Muito obrigado pela postagem. Ficará ad perpetuam rei memoriam!"
[Comentário de Ione Barbosa no YouTube]




OUTROS VÍDEOS DA SÉRIE:

Haroldo de Campos:
[www.youtube.com/watch?v=tVTSZbWiyZA]
Décio Pignatari:
[www.youtube.com/watch?v=ODQPGaSWdkg]
Antônio Callado:
[www.youtube.com/watch?v=73Y9obqe9vA]
Paulo Mendes da Rocha:
[www.youtube.com/watch?v=aznbGxUMU78]
Eduardo Coutinho:
[www.youtube.com/watch?v=BSOQ7wAdSF8]


Vídeos de Grande Sertão: Veredas - Minissérie da Rede Globo:





Hilda Hilst - Lírica, Erótica, Densa e Obscena


Hilda Hilst - Lírica, Erótica, Densa e Obscena

[...] A obra de Hilda Hilst é, de fato, parte viva do seu próprio tempo. Em um de seus livros mais essenciais, A obscena senhora D, por exemplo, observa-se a intensidade com que, sem excessos verborrágicos, Hilda conseguia escrever. Muito além de se fixar no adjetivo “obsceno” que pode ser redutor se entendido apenas no que o dicionário denota numa primeira leitura, a sugestão é que o leitor avance até o “D”, de desamparo, e descubra aí uma desconcertante reflexão sobre o tempo, a morte e a velhice. Escreve Hilda Hilst a respeito da viúva que, aos 60 anos, decidira morar num vão da escada. Revisitar Hilda Hilst é tirá-la do confinamento ao qual voluntariamente ela mesma se condenou, ainda que com o nobre objetivo de se dedicar com devoção à sua arte. Toda obra de um grande autor tem algumas portas facilitadoras para se entrar numa primeira viagem. Não se aconselha ninguém a conhecer Guimarães Rosa por Grande sertão: veredas, por exemplo. Se num primeiro contato o estranhamento da linguagem de Hilda Hilst pode assustar, vale a pena prosseguir: a viagem que a autora propõe em livros tão diversos é um mergulho profundo nas inquietações da alma humana. E por isso mesmo indispensável.
Leia o texto completo na Revista EntreLivros:
[Em casa com a indomesticável Hilda] - Edição 28 - 2007.




Para saber mais sobre a autora, acesse [www.hildahilst.com.br]
                                                         [www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html]
                                                         [youfacebookclip.com/search.php?q=hilda+hilst]