ESCRITORES

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Densa melancolia, drama e poesia na prosa de Marcelino Freire

"Nossos ossos", primeiro romance do escritor, atualiza em chave moderna e melancólica o rito clássico do funeral. Diferentemente de seus trabalhos anteriores, em "Nossos ossos" Marcelino Freire deixa de lado as tiradas de humor e aposta na melancolia.
Com pouco mais de cem páginas, o escritor Marcelino Freire construiu um enredo de extrema singeleza e melancolia em sua primeira “prosa longa”, como ele a classificou. Em linhas gerais, trata-se da história narrada por Heleno, um dramaturgo que, vindo do Recife atrás do seu amor perdido, acaba ficando em São Paulo e obtendo algum sucesso na vida teatral, mas não suficiente para sarar, ou sanar, as dores do corpo, que são muitas. Essa é a história que vamos descobrindo por meio de sua narrativa, no entanto, a ação é centrada, de fato, no translado do corpo do seu “boy”, um jovem garoto de programa, no qual ele de alguma maneira se espelha e se encontra, e que morreu brutalmente assassinado numa dessas ruas escuras da cidade onde a prostituição se oferta. O êmbolo moral do personagem Heleno é restituir o corpo desse garoto, que seria lançado numa vala comum, aos pais, numa cidadezinha perdida do sertão pernambucano.
A beleza da narrativa de Freire parece residir justamente nesse translado: desde os preparativos do narrador, tirando toda a sua economia do banco, chamando seu taxista de afeição, seu Lourenço, para, com ele, fazer a longa viagem de carro de São Paulo a Pernambuco, até a entrega final e ritual do corpo.
[...]
Guardadas as devidas diferenças em relação ao mundo helênico, a morte do boy (cujo destino trágico, de coisa entre coisas descartáveis, já é anunciado na epígrafe do livro, retirada do domínio público: “O meu boi morreu,/ o que será de mim?/ Manda buscar outro,/ ó maninha, lá no Piauí”, cuja graça se torna desgraça, na releitura feita pelo escritor entre “boi” e “boy”) e a entrega de seu corpo ao velho pai carcomido pela pobreza, em Poço do Boi, recuperam a simbologia dos funerais.
Por Heitor Ferraz Mello, Revista Cult, em [O boy helênico de Marcelino Freire]

Na prosa poética de Marcelino Freire, uma fábula macabra sobre a proximidade entre amor e morte.
Marcelino Freire fala com Rodrigo Simon sobre seu primeiro romance, Nossos Ossos. Pernambucano de Sertânia, Marcelino vive em São Paulo desde 1991 e é autor de cinco livros de contos, entre eles Contos Negreiros, vencedor do Prêmio Jabuti 2006, e Angu de Sangue. Em 2004, idealizou e organizou a antologia de microcontos "Os cem menores contos brasileiros do século". É criador da Balada Literária, evento que, desde 2006, reúne escritores pelo bairro paulistano da Vila Madalena.






Saiba mais sobre a obra de Marcelino Freire, acessando: 
[www.youtube.com/Marcelino+Freire]

Poesia, Drama e Ensaio na Literatura de Carlos Barbosa


Buscando o resgate das tradições [as orais, pela poesia; as históricas e sociológicas, pela prosa], Carlos Barbosa constrói o mosaico de uma região em que estão presentes as relações familiares, com sua inegável carga de misticismo.
A dama do Velho Chico traça um panorama peculiar da região baiana atravessada pelo rio São Francisco, em cujas águas ancestrais circularam os antológicos vapores [gaiolas], transportando gente, mercadorias, sonhos, esperanças e descrenças, pontificando histórias inusitadas. Durante a viagem de uma romaria entre Bom Jardim e Bom Jesus da Lapa desenrola-se parte desta instigante trama, com suas projeções psicológicas e metafísicas, onde é tênue a fronteira entre a vida e a morte.
Daura, adolescente de quinze anos, desperta paixões no vaqueiro Agenor, no tio Vilino e em Missinho - que se transtorna com os pensamentos acerca da irmã, depois de perceber a mulher em que ela se transformou. Nessa atmosfera, pululam casos, intimidades, fantasias e conflitos, delineando relações turbulentas e situações misteriosas.
Com uma dicção particular e um desfecho surprendente, A dama do Velho Chico revela um autor que tem pleno domínio da arte ficcional e um aguçado olhar sobre a profundidade dos sentimentos humanos, firmando um estilo vigoroso, que destoa do pastiche, do falso experimentalismo e das inócuas vanguardices que contagiam a literatura contemporânea. [Ronaldo Cagiano, Escritor]

DENSA CORRENTEZA DE POESIA E DRAMA

Em 2009 pela editora [Bom Texto], Carlos Barbosa nos leva de volta às margens do rio São Francisco, onde se passa a história, repleta de histórias, de Beira de rio, correnteza – ventura e danação de um salta-muros no tempo da ditadura. E se já no livro anterior se mostrava romancista capaz de uma narrativa segura, intensa, nesta nova obra revela-se ainda mais senhor de sua arte, com a qual nos conta a ventura e a danação de Gero, um garoto de 14 anos de idade, que se firma como um dos personagens jovens mais dramaticamente importantes da literatura brasileira.
Não há, neste juízo, nenhum exagero. Gero é mais do que convincente: é vivo. Inicialmente adolescente comum, com idéias, sonhos, interrogações e medos comuns, de todos os adolescentes – mas não dos mais destacados, tido até como um molenga –, aos poucos se vai envolvendo, um tanto por acaso e muito devido ao seu caráter inquieto e corajoso, em situações venturosas e danadas, principalmente com a descoberta do amor, da felicidade e, logo, da traição, do ciúme, de impulsos ainda em si insuspeitados. E tudo numa pequena cidade em que transitam ocultamente guerrilheiros fugitivos, perseguidos por soldados da ditadura militar, estes aterrorizando a comunidade, invadindo casas, suspeitando de todos, prendendo, interrogando, espancando, torturando – como no caso do inocente Zé de Gino, que depois das torturas não teve mais forças para a vida. O que aconteceu, de fato, com muitos inocentes, em várias regiões do país.
Lá está a presença sinistra da ditadura. Lá estão as sombras de dois guerrilheiros: Carlos Lamarca e Zequinha Barreto, cujos nomes jamais são pronunciados. Lá, além de um muro que Gero precisa saltar para não morrer, está, inesperadamente, o amor. E, em meio a tudo, o Velho Chico, com as águas mansas, ou irritadas, ou líricas, ou traiçoeiras, passando, passando...
O rio. Pelo menos desde Heráclito de Efeso, a mais perfeita metáfora da vida. Aliás, Carlos Barbosa nos diz: “Observar o fluir do rio é conceber o próprio tempo, frio, enrugado, inexorável, massa bruta e implacável em busca de foz, fim dos pequenos fios. E, também, o desdobrar das existências humanas e animais que seu fluir criou e depois carregou em sua história de rio e corredor.”
Lemos a história de Gero, mas também visitamos a história de um tempo e de um lugar, desde eras remotas. Trata-se, pois, de um romance bem mais vasto do que sugerem suas 208 páginas. Viajamos pela alma de Gero, pelos acontecimentos que o envolvem e em que se envolve voluntariamente, mas também estamos em contato com a alma da terra, de uma secular aventura humana à beira de um rio. O mistério do desaparecimento de Toninho, irmão mais velho de Gero, craque de futebol; o espetáculo da morte de Zé Dugogue; a doçura – e também o mistério – de Liana; a metralha dos soldados... Estes e outros momentos fortes, como tantos mais, são narrados em estilo enxuto, preciso, mas nunca áspero, pedregoso. Na verdade, o leitor logo percebe que Beira de rio, correnteza é tão perpassado pelo rio quanto pela poesia.
Com esta sua nova publicação, Carlos Barbosa vem enriquecer, e muito, a literatura brasileira, especialmente a ficção baiana, adentrando a atmosfera dramática e telúrica de um [Herberto Sales], por exemplo. Um livro denso e maduro. Um belo romance.

[Texto de Ruy Espinheira Filho, poeta e ficcionista, em Resenha publicada na edição de 12.06.2010, no Caderno 2+ do jornal A Tarde, Salvador/BA]

Ler Hilda Hilst - Uma aventura obscena de tão lúcida

O contato com quaisquer títulos de Hilda Hilst poderá tornar clara a especial combinação entre uma estrutura sempre fiel a si mesma e uma expressão disposta a superar-se. Por essa razão, a entrada no universo hilstiano pode se dar por qualquer porta (poesia ou prosa) - desde que o leitor não tema enfrentar uma obra empenhada em provocá-lo e, muitas vezes, agredi-lo. 
[...]
Ler Hilda Hilst é sempre um exercício crítico: sobretudo em relação aos próprios livros, pois é de se supor, pelos seus esforços, que a autora jamais concordaria com Karl, um dos narradores de Cartas de um sedutor. "Teve gente pensante no planeta, mas tudo continua igual".
Por Luisa Destri, Revista Metáfora - Edição 6

Saiba mais sobre a obra de Hilda Hilst, acessando:
[revistacult.uol.com.br/home/hilda-hilst-as-faces-espelhadas-de-eros]

Amplie, folheie a revista Metáfora até as páginas 33, 34 e 35, e leia o texto completo.


A prosa poética de Inês Pedrosa

Inês Pedrosa
[Gosto do arrepio da tua língua na minha nuca, gosto que me digas quero mais quando creio já te ter dado tudo. Gosto das palavras obscenas que inventamos juntos, feitas de restos de barcos e impérios.]

A eternidade e o desejo, livro de grande força poética e sensualidade, em que a escritora portuguesa Inês Pedrosa tece uma história comovente sobre a busca do verdadeiro amor. Inês Pedrosa teve a ideia do romance durante uma viagem que fez ao Brasil em 2005. Nele, os personagens percorrem os mesmos lugares visitados no século XVII pelo jesuíta Padre Antônio Vieira.
Inês Pedrosa nasceu em Coimbra, é colunista do semanário Expresso, escritora de contos (Fica comigo esta noite), crônicas, ensaios biográficos e antologias, e publicou os romances A instrução dos amantes (1992), Nas tuas mãos (1997) e Fazes-me falta (2002).
A eternidade e o desejo (2008), seu primeiro livro ambientado no Brasil (Salvador), é o romance que confirma Inês Pedrosa como uma das autoras mais talentosas de sua geração, e chegou ao país justamente no ano em que se comemorou 400 anos do nascimento do padre Antônio Vieira.
Com uma narrativa suave, inteligente e simultaneamente profunda, que no desenrolar do enredo, capta a intemporalidade dos sentimentos humanos, Inês Pedrosa consegue fazer deste romance algo que é ao mesmo tempo história, lirismo, sensualidade e poesia.

Inês Pedrosa
[A tua cabeça rodou na direção do meu rosto, os teus olhos fecharam-se e a tua boca avançou para a minha, através de uma lenta rota de luz, risos e lágrimas. Quando os teus dentes morderam os meus lábios alguém gritou "Bravo!" como na ópera e eu soube que nunca uma rapariga havia sido assim amada.]

Nas tuas mãos, romance sobre as idades do amor eterno, vencedor do Prêmio Máxima de Literatura em Portugal, três mulheres - Jenny, a avó; Camila, a mãe; Natália, a filha - falam-nos dessa prodigiosa invenção do século XX: a intimidade.
Entre o diário da primeira, o álbum de fotografias da segunda, e as cartas da terceira, revelam-se sucessivos rostos da paixão numa sociedade em mudança.
A autora, com uma ficção cuidadosamente elaborada, uma escrita eficiente capaz de comover o leitor, convida-nos a imaginar o Portugal das últimas décadas medido e analisado pelas variáveis emoções de suas três protagonistas.

A eternidade e o desejo-[EDITORA OBJETIVA/ALFAGUARA], Nas tuas mãos-[EDITORA PLANETA]




SAIBA MAIS SOBRE A ESCRITORA, EM: [VÍDEO-1], [VÍDEO-2], [VÍDEO-3]

Emoções e sentimentos íntimos na prosa poética de Valter Hugo Mãe



É com lirismo, sensibilidade e coragem imensas que Valter Hugo Mãe compõe um retrato poético, embora nada ingênuo, do mundo moderno. Em O filho de mil homens, cada personagem carrega uma dolorosa e significativa trajetória ─ uma história ao mesmo tempo pessoal e coletiva; uma história composta de escolhas e passos aparentemente individuais, e na qual convencionalismos e preconceitos de uma comunidade interferem ora com crueldade, ora com compaixão.
O seguinte trecho captura de forma exata a essência de O filho de mil homens: “O Crisóstomo disse ao Camilo: todos nascemos filhos de mil pais e de mais de mil mães, e a solidão é sobretudo a incapacidade de ver qualquer pessoa como nos pertencendo, para que nos pertença de verdade e se gere um cuidado mútuo. Como se nossos mil pais e nossas mil mães coincidissem em parte, como se fôssemos por aí irmãos, irmãos uns dos outros. Somos o resultado de tanta gente, de tanta história, tão grandes sonhos que vão passando de pessoa a pessoa, que nunca estaremos sós.”
Conclua a leitura na ótima resenha do Blog : [LIVROS ABERTOS]


Saiba mais sobre a obra em entrevista de Valter Hugo Mãe no Blog da [Cosac Naify]

Prosa poética, lirismo e humor na literatura de Gonçalo M. Tavares


Este livro traz cinquenta micro-histórias em que o narrador aponta pecados da carne, ansiedades, deleites e outras sutilezas da relação homem e mulher, amor e sexo.

"Mesclando poesia e prosa poética, lirismo e humor, o autor angolano-português Gonçalo M. Tavares escreve uma obra originalíssima e deliciosa. Inaugura pontos de vista inusitados de tal modo que, ao cabo da leitura, se tem a impressão de haver conhecido uma entidade de vida própria e discurso delirante. Sua premiada obra já foi traduzida e circula em vários países, como Itália, Hungria, Suíça, Holanda e Bélgica". [Revista Discutindo Literatura]

Gonçalo M. Tavares é um abalo sísmico no panorama da literatura portuguesa atual. Após estrear em 2001 com Livro da dança, publicaria no ano seguinte nada menos do que outros quatro títulos de poesia, teatro e ficção. Na época, foi recebido pelo decano ensaísta Eduardo Prado Coelho como já “um dos maiores poetas para o século XXI”. O escritor português nascido em Angola tem cumprido a sina: em tão pouco tempo, lançou 21 livros em 12 países e é bem recebido pela crítica.
No Brasil sua fulminante trajetória não é diferente: saíram Um homem: Klaus Klump (Companhia das Letras), seu primeiro romance, além de O senhor Juarroz, O senhor Kraus e O senhor Calvino, habitantes da série O Bairro (Casa da Palavra) que vieram se juntar a O senhor Brecht, publicado em 2005. Tamanha proficiência foi coroada com a premiação deste último e do romance Jerusalém aos prêmios Portugal Telecom e José Saramago, aos quais ambos concorreram como finalistas.
Autor de obra caracterizada não somente pela exuberância criativa, mas também por rigorosos jogos de lógica que misturam poesia e filosofia sem nunca deixar de divertir o leitor, Gonçalo M.Tavares revela a EntreLivros alguns de seus enigmas. Livros, para ele, têm principalmente a missão de aumentar a lucidez.
Leia entrevista completa: [Gonçalo M. Tavares “Ler para ter lucidez”] , por Joca Terron, Revista EntreLivros, edição-29

Leia no Google Books: [O Homem ou É Tonto ou É Mulher]

Os Íntimos - Inês Pedrosa




"As flores respondem à carícia do sol. Algumas delas florindo escandalosamente. Porque será que as pessoas, que aparentemente sabem muito mais do que as plantas, temem a floração do toque?" 
Inês Pedrosa, "Os Íntimos"

Leia ótima resenha sobre a obra de Inês Pedrosa em:
[www.livrosabertos.com.br/2012/03/26/os-intimos]

A escritora e jornalista portuguesa, diretora da Casa Fernando Pessoa em Lisboa, fala sobre seu livro, "Os íntimos", e revela sua paixão pelo Brasil, em especial pela música e pela literatura.
Saiba mais em: [www.saraivaconteudo.com.br/Art...]

Viagens de Walter - A Prosa Poética de Katherine Funke


Nunca li tanta poesia – e sei a causa. É porque estou escrevendo um romance. Queria fazer um romance tão conciso, perfeito e belo quanto uma poesia. Ou uma canção; pois também nunca ouvi música com tanta atenção às letras.
Para compor Viagens de Walter tenho buscado inspiração lírica, muitas vezes dolorosa. Outras tantas, de um êxtase estético que me deixa por dias ainda chegando no ou voltando do outro plano para o qual as palavras me levaram.
Tenho cá comigo que preciso parar com esse vício. Talvez tomar um banho no mar gelado aqui do Sul da Ilha de Florianópolis e depois deixar o vento secar as gotas até que, descansada, possa inaugurar uma sensação só minha novamente.
Sei disso, mas cada dia desço pra dentro mais e mais poesia (ao menos não pego um resfriado!). Frito meus miolos, fervo minha alma, faço outro café ou bebo outra taça de vinho e abro as páginas já escritas por outros como se elas pudessem me oferecer um certo alento.
A verdade é que fujo verdade, que é esta e apenas esta: apenas as palavras cometidas por mim mesma, neste momento, são capazes de me acalmar a ponto de ficar satisfeita com a arte da literatura. As outras me instigam, me desafiam, mas as minhas são a prova concreta das minhas vertigens. Das minhas viagens… (ou de Walter, meu personagem…)
Texto da autora em seu blog [historiasdakatherine.wordpress.com]

O homem ou é tonto ou é mulher - Gonçalo M. Tavares

VISUALIZAÇÃO PARCIAL DO LIVRO [EXTRAÍDO DO GOOGLE BOOKS]


Este livro traz 50 micro-histórias em que o narrador aponta pecados da carne, ansiedades, deleites e outras sutilezas da relação homem e mulher, amor e sexo.
"Mesclando poesia e prosa poética, lirismo e humor, o autor angolano-português Gonçalo M. Tavares escreve uma obra originalíssima e deliciosa. Inaugura pontos de vista inusitados de tal modo que, ao cabo da leitura, se tem a impressão de haver conhecido uma entidade de vida própria e discurso delirante. Sua premiada obra já foi traduzida e circula em vários países, como Itália, Hungria, Suíça, Holanda e Bélgica". [Revista Discutindo Literatura]

Gonçalo M. Tavares - O Homem ou é tonto ou é Mulher

Este livro traz 50 micro-histórias em que o narrador aponta pecados da carne, ansiedades, deleites e outras sutilezas da relação homem e mulher, amor e sexo.
"Mesclando poesia e prosa poética, lirismo e humor, o autor angolano-português Gonçalo M. Tavares escreve uma obra originalíssima e deliciosa. Inaugura pontos de vista inusitados de tal modo que, ao cabo da leitura, se tem a impressão de haver conhecido uma entidade de vida própria e discurso delirante. Sua premiada obra já foi traduzida e circula em vários países, como Itália, Hungria, Suíça, Holanda e Bélgica". [Revista Discutindo Literatura]
Gonçalo M. Tavares é um abalo sísmico no panorama da literatura portuguesa atual. Após estrear em 2001 com Livro da dança, publicaria no ano seguinte nada menos do que outros quatro títulos de poesia, teatro e ficção. Na época, foi recebido pelo decano ensaísta Eduardo Prado Coelho como já “um dos maiores poetas para o século XXI”. O escritor português nascido em Angola tem cumprido a sina: em tão pouco tempo, lançou 21 livros em 12 países e é bem recebido pela crítica.
No Brasil sua fulminante trajetória não é diferente: saíram Um homem: Klaus Klump (Companhia das Letras), seu primeiro romance, além de O senhor Juarroz, O senhor Kraus e O senhor Calvino, habitantes da série O Bairro (Casa da Palavra) que vieram se juntar a O senhor Brecht, publicado em 2005. Tamanha proficiência foi coroada com a premiação deste último e do romance Jerusalém aos prêmios Portugal Telecom e José Saramago, aos quais ambos concorreram como finalistas.
Autor de obra caracterizada não somente pela exuberância criativa, mas também por rigorosos jogos de lógica que misturam poesia e filosofia sem nunca deixar de divertir o leitor, Gonçalo M.Tavares revela a EntreLivros alguns de seus enigmas. Livros, para ele, têm principalmente a missão de aumentar a lucidez.
Leia entrevista completa: [Gonçalo M. Tavares “Ler para ter lucidez”], por Joca Terron, Revista EntreLivros, edição-29

Leia partes do livro no Google Books: [O HOMEM OU É TONTO OU É MULHER]

O escritor português, considerado um dos mais importantes de sua geração, fala sobre seu projeto literário seu método de escrita e a produção literária contemporânea em língua portuguesa. Saiba mais http://www.saraivaconteudo.com.br/Art...



Abismo Poente - A Prosa Poética de Whisner Fraga

"Li há pouco tempo o Abismo Poente e me impressionei com o vigor da linguagem. Ou melhor, com o efeito da linguagem, que me pareceu uma prosa muito poética, dilacerante e, ao mesmo tempo, com um grande poder de convencimento. Influências não são maléficas, e sim necessárias, sobretudo quando um autor encontra uma voz própria, como é o seu caso. No conto que me enviou, bem como nesse relato, percebi algo da prosa de Raduan, mas num tom que é seu, como deve ser o estilo de cada narrador de ficção" [Milton Hatoum, Escritor]

"A prosa de Whisner Fraga me prende pelo ritmo a ela inserido e pela capacidade do escritor de dizer a realidade crua, e muitas vezes dolente, sem comprometer a vontade do leitor em continuar a jornada que está sendo contada. A destreza com que ele aborda a realidade com metáforas ora cândidas e ora pungentes, é o que o torna um contador de histórias que não teme o desconhecido, nem da trama, tampouco da linguagem que lhe serve de ferramenta. Abismo Poente é um livro de belezas intrínsecas, pois é preciso se permitir embrenhar pela poesia constante nessa prosa que tem como cenário a imigração libanesa a uma cidade do interior mineiro, e um apanhado de preconceitos, de desejos, de faltas e de solidão. Dizer a realidade não é algo fácil de ser feito. E ao artista foi concedido o amparo da imaginação para fazê-lo sem se render aos infortúnios ou se encantar falsamente pelos deslumbres. Viajar pela realidade na prosa com tanta profundidade requer um quê de poesia que Whisner Fraga cultiva a cada página dessa obra, colocando em palavras do desespero ao esvaziamento, sem esmaecer o texto. Abismo Poente, da forma como chegou a mim, durante a leitura, retrata a miséria mais difícil de ser contornada: a que aflige a alma. A impressão que tive é que poderia colocar os personagens em uma mesma sala e, ainda assim, eles não alcançariam um ao outro, não perceberiam outra presença que não a de suas auguras. Se há um autor capaz de falar sobre essa miséria de forma tão clara e bela, é Whisner Fraga" [Carla Dias, Escritora]

LEIA O PRIMEIRO CAPÍTULO: [NO - READOZ], [EM - PDF]