ESCRITORES

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Vida & Obra - Machado de Assis, por Luís Augusto Fischer

Machado de Assis, Por Luís Augusto Fischer


A vida do maior escritor brasileiro de todos os tempos ainda é bastante desconhecida, e talvez assim permaneça para sempre. Machado de Assis pouco escreveu diretamente sobre sua infância e juventude, e muitas vezes parece ter mesmo decidido silenciar sobre vários aspectos de sua vida pessoal. Para dar um exemplo: depois da morte da esposa, ele mandou destruir a correspondência que havia mantido com ela. Perdeu-se um material que certamente poderia ter contribuído para nós, seus pósteros, sabermos mais a respeito de sua intimidade. Mesmo na maturidade, quando se havia convertido em uma figura de prestígio público, há aspectos bastante obscuros de sua experiência. Quando começou seu problema de saúde? Por que ele não manteve laços claros com parentes seus e de seus pais? É verdade que ele renegava sua condição de descendente de escravos?
Essas perguntas e várias outras permanecem lamentavelmente sem resposta clara. Mas isso não desautoriza as perguntas: por mais que saibamos que a obra de arte nunca responde diretamente aos aspectos da vida real do autor, a vida de um grande artista sempre interessa, em alguma medida, para a compreensão de sua obra. Nem que seja para a gente admirar como é que o sujeito pôde, em meio a seus tormentos pessoais, inventar os mundos que inventou, flagrar as tantas coisas que flagrou.
SAIBA MAIS EM:

Crônica de um amor louco - Charles Bukowski


Crônica de um amor louco é o primeiro dos dois volumes da obra Ereções, Ejaculações e Exibicionismos, do genial escritor Charles Bukowski. Uma jornada pelo universo infernal e onírico do velho e safado Buk – seus personagens desvalidos, seus quartos imundos em hotéis baratos, seus bares enfumaçados na longa louca noite de neon: o sonho americano reduzido a trapos nas ruas desertas da madrugada voraz de Los Angeles, a cidade que Bukowski amava acima de todas as coisas.
Este primeiro volume leva o título do filme que o italiano Marco Ferreri realizou baseado nos textos de Bukowski e cuja linha mestra é extamente o primeiro conto do livro, A mulher mais linda da cidade. Ao narrar a história de Cass, uma bela mestiça que passara a adolescência em um convento, Bukowski mergulha na excitação frenética, na insanidade corrosiva das noites mormacentas e manhãs de névoa poluída da sua amada Los Angeles. Os contos parecem brotar do seu estômago ulcerado, são jogados ao papel entre espasmos de delirium tremens e fantasias alcoólicas disformes. Perto dessas histórias rudes e ríspidas, os contos de outros autores parecem narrativas de colegiais, que nada têm a ver com o mundo da maquinaria, com esse gigantesco cemitério de automóveis que nos envolve e sufoca. Mas ao mesmo tempo Bukowski é lírico. Seus contos terminam bruscamente, mas deixam suspensa no ar uma sensação de dignidade e esperança na raça humana.
SAIBA MAIS EM: [CRÔNICA DE UM AMOR LOUCO - L&PM POCKET]
                     [www.lpm-blog.com.br/?tag=cronica-de-um-amor-louco]

LEIA UM TRECHO:
[www.lpm.com.br/livros/Imagens/cronica_amor_louco.pdf]

Balada do louco - Rita Lee e Arnaldo Baptista



Dizem que sou louca
Por pensar assim
Se eu sou muito louca
Por eu ser feliz
Mas louco é quem me diz!
E não é feliz!
Não é feliz...

Se eles são bonitos
Eu sou Sharon Stone
Se eles são famosos
I'm Rolling Stone
Mas louco é quem me diz!
E não é feliz!
Não é feliz...

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus, sou eu..

Se eles têm três carros
Eu posso voar
Se eles rezam muito
Eu sou santa!
Eu já estou no céu
Mas louco é quem me diz!
E não é feliz!
Não é feliz...

Eu juro que é melhor
Não ser um normal
Se eu posso pensar
Que Deus, sou eu...

Sim! Sou muito louca
Não vou me curar
Já não sou a única
Que encontrou a paz
Mas louco é quem me diz!
E não é feliz!
Eu sou feliz!...


Beije-me onde o sol não alcança - Mary del Priore


Um conde russo, a herdeira de um barão do café do Vale do Paraíba e uma ex-escrava. Unindo as pontas do triângulo, paixões, tragédias, a moral hipócrita de uma época, grandes fortunas, falências, derrocadas... Neste romance que parte de fatos e personagens verídicos, Mary del Priore cria uma narrativa que prende o leitor desde a primeira página. 
O olhar da historiadora faz um retrato vivo do tempo e dos acontecimentos que o marcaram, mas é a história de amor de Maurice Haritoff, Nicota Breves e Regina Angelorum (nomes reais que parecem inventados) que nos arrebata. Com descrições de uma riqueza impressionante, Mary del Priore nos faz mergulhar na narrativa, nos carrega para dentro da história. 
Sentimos os cheiros, ouvimos os sons, vemos pelas frestas dos casarões um mundo onde convivem dramas, angústias, ambição, sensualidade, opressão feminina e religiosidade. Somos levados, ou nos deixamos levar. Difícil é voltar da viagem quando o livro acaba.

Saiba mais sobre a autora e sua obra, acessando: [marydelpriore.com.br]

O Sempre Um Papo​ e a Gerdau​ receberam em Setembro, a escritora e historiadora, Mary del Priore​, para o debate e lançamento de seu primeiro romance: “Beije-me Onde o Sol Não Alcança” (Editora Planeta). Baseada em fatos reais, a obra aborda a condição da mulher no século 19, a mobilidade social dos escravos e descreve também o cotidiano de grandes cidades, tais como o Rio de Janeiro, Paris e São Petersburgo.