ESCRITORES

ESCRITORES

Um dia toparei comigo - Paula Fábrio


[...] Paula Fábrio nos leva junto em sua aventura, meio sonho, meio fuga, meio busca, meio festa. Outros lugares, outros livros e seguimos, seguros. Confiando na narradora, vemos por meio de seu olhar irônico, hiper-atento. Bem guiados que estamos por uma prosa encantadora, de mestre, como dizem, podemos ter certeza de que chegaremos em algum lugar. Um lugar incomum. Um lugar no campo do comum, um lugar da diferença.
[...]
Seguimos, leitores, na direção da narradora, seus tormentos, tantas vezes nossos – tão parecidos com nossos afetos – e somos contemplados com uma espécie outra de esperança. Àquela que algo como a literatura no permite ter. Um dia Toparei Comigo nos coloca bem próximos do impossível: a realidade.
[...]

Por Marcia Tiburi na Revista Cult. Para ler o texto completo, acesse:
[revistacult.uol.com.br/home/viajar-e-ler]


A São Paulo Review traz vídeos em que autores finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2016, leem trechos e discorrem sobre seus livros. Neste, Paula Fábrio fala de "Um dia toparei comigo".

No intenso agora - João Moreira Salles

Documentário político que justapõe, através de imagens de arquivo, uma série de acontecimentos diferentes da década de 1960, como: a revolta estudantil em Paris, a Primavera de Praga em meio a dominação da União Soviética e a China de 1966 sob o regime de Mao, experienciado pela mãe do diretor na época, pois, o documentário surgiu a partir de registros de uma viagem que a mãe do cineasta fez a China.
Feito a partir da descoberta de filmes caseiros rodados na China em 1966, durante a fase inicial da Revolução Cultural, No intenso agora investiga a natureza de registros audiovisuais gravados em momentos de grande intensidade. Às cenas da China somam-se imagens dos eventos de 1968 na França, na Tchecoslováquia e, em menor quantidade, no Brasil. As imagens, todas elas de arquivo, revelam o estado de espírito das pessoas filmadas e também a relação entre registro e circunstância política.
Para saber mais sobre o filme (sinopse, entrevistas, etc.), acesse:
[https://ims.com.br/filme/no-intenso-agora]

Que você é esse? - Antonio Risério

Um romance que se configura, ao mesmo tempo, como ficção política e livro erótico. Espécie de biografia de um tempo, Que você é esse? retrata a geração que viveu o desbunde, lutou contra a ditadura e pela redemocratização, chegando hoje à dura realidade do que afinal conquistaram. Neste romance de ideias e texto prospectivo, Antonio Risério vai do quilombo ao marketing, do candomblé à comunidade judaica, das lutas de 1822 às manipulações publicitárias, passando por vertigens amazônicas e contraculturais, para chegar ao colapso do PT e, então, se espraiar em sonhos de uma nova sociedade.
Saiba mais sobre a obra, acessando:
[www.blogdaeditorarecord.com.br/que-voce-e-esse-de-antonio-riserio]

Folheie até a página 12 para visualizar e ler um trecho da obra:


O escritor e colunista Marcos Linhares bate um papo com o poeta, antropólogo e historiador Antonio Risério, que esteve na Feira do Livro autografando "Que você é esse?", uma ficção política que projeta a biografia de uma geração que lutou contra a ditadura chegando à dura realidade do que conquistou.


Uma Canção à Língua Portuguesa - Caetano Veloso




Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Se você tem uma ideia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
[– Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô
– Você e tu
– Lhe amo
– Qué queu te faço, nega?
– Bote ligeiro!
– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!]
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem




Muito Prazer! Meu nome é Salvador!

E se Salvador fosse uma música, como ela seria? Que instrumentos teria? Como seriam a letra, o ritmo e melodia? De acordo com a prefeitura, a partir dessas perguntas e de dezenas de respostas coletadas nas ruas da cidade, o cantor e compositor Luiz Caldas fez a música "Muito prazer! Meu nome é Salvador”, uma homenagem a capital. A ação, que faz parte de uma campanha divulgada hoje nas redes sociais da prefeitura de Salvador, foi feita com o objetivo de envolver a população na criação de um hino que personificasse a capital baiana.
Para Luiz Caldas, transformar o sentimento das pessoas em música foi a melhor forma de presentear a cidade.
— Traduzir isso foi muito prazeroso, porque as pessoas falam com muito carinho desse lugar. Essa terra é maravilhosa, tem identidade própria e emprestou essa identidade para o restante do país.
Para ler o texto completo, acesse:


Salvador é mistério
É paixão imediata
É o simples e o complexo
Faz poesia com seu verso
É o meu bem-querer
Salvador é Bahia
E Brasil no seu começo
Sua praia, seu jardim
Com seu povo sempre a fim
De viver, de amar, de curtir
Tá no som do berimbau ioiô
Atabaques no quintal iaiá
As ladeiras do Pelô
Sua comida, seu sabor e seus cantos
A igreja do Bonfim iaiá
O farol de Itapuã ioiô
Sua mistura de cor
Faz da nossa Salvador
Um encanto
Tem capoeira pra jogar
Samba de roda pra sambar
No Rio Vermelho, Amaralina
E na Ribeira
Tem a cultura popular
Do engraxate ao doutor
Muito prazer!
Meu nome é Salvador!