ESCRITORES

ESCRITORES

Caetano Veloso - Livros são objetos transcendentes que podem lançar mundos no mundo





(Caetano Veloso)
Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas

(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou – o que é muito pior – por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:
Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras

Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas

Contos da Meia-noite III - Teledramaturgia de textos de autores consagrados da Literatura Brasileira

Em cena, grandes atores interpretaram os contos dos maiores autores da literatura brasileira, destacando algum personagem central do texto. Foram utilizados os recursos de projeção de imagens sobre os atores e aplicação de texturas e sombras, criando uma interpretação para o texto.

O bebê de tarlatana rosa - Conto de João do Rio interpretado pelo ator e apresentador Antônio Abujamra.



Natal da Barca Beatriz Segall narra conto de Lygia Fagundes Telles. Véspera de Natal. Num barco dentro de um rio, quatro passageiros fazem a travessia: um velho bêbado, a narradora e a moça das redondezas que traz o filhinho de colo.



De cima para baixo - Conto de Arthur Azevedo e interpretado por Matheus Nachtergaele.



As diversas faces do último herói Português

"Grandioso escritor lusitano que nos deixou em junho de 2010, mas não sem antes ter presenteado as letras de língua portuguesa com um Nobel de Literatura e várias obras-primas, considerado por Gabriel García Márquez um escritor tardio e por Harold Bloom um dos maiores novelistas em todo o mundo, José Saramago subverteu a gramática, criando um estilo próprio e autêntico, anticonvencional, demonstrando em cada obra um mundo particular. Sua escrita é irrepetida, por vezes, de difícil leitura, de rebuscamento, de longos parágrafos, sem travessões e pontos finais,  a exemplo de Levantado do Chão (1980) e História do Cerco de Lisboa (1989).
No entanto, instiga o leitor a percorrer caminhos de uma reflexão madura e consciente do papel humano, de sua experiência existencial, sua trajetória e de seu fim, demonstrando uma dialética com o ser e o estar no mundo..."

Leia matéria completa, por Rodrigo Cali e Rosângela Divina, Revista da Escala Educacional: Conhecimento Prático - Literatura, Edição 31- AGOSTO/2010.

Acesse o link abaixo e assista à seis vídeos essenciais para conhecer José Saramago:
[notaterapia.com.br-videos-essenciais-para-conhecer-jose-saramago]

Saramago - A caverna de Platão e as imagens:



O bar, o bordel e oito mulheres hedonistas



Um fascinante mergulho na vida hedonista, muitas vezes espantosa e instigante de um narrador-personagem que se mantém incógnito até quase o final da narrativa. Sem apelações pornográficas, este conto surpreende pelo erotismo apresentado em suas inumeráveis formas: do romântico ao dark, passando pelo surreal, louco e obsceno. Mais do que um conto erótico, "O bar, o bordel e oito mulheres hedonistas" oferece ao leitor oito micro-histórias de mulheres que se envolvem (mesmo involuntariamente) ao culto e hedonismo do sexo com beleza, lascívia e delicadeza de estilo....


Leia um trecho: "Maria Lolita – ninfeta à Nabokov; a mais desejada; irradia sensualidade e desejos arrebatados; fogosa, irresistível, indomável. Desde sua noite de primícias que seu acentuado apetite sexual só é saciado em ménage à trois por mim e Jesus Jatobá, afamado frequentador, que às vezes se faz meu parceiro de cama, de copo e de cruz; únicos que a deixam levitando após os ritos eróticos de uma grande noitada. Quando Maria Lolita dança rebolando sensualmente, Jesus Jatobá costuma dizer: “Essa pequena cortesã é uma tentação obscena, incita-nos a luxúria e a sodomia”; e no meio da noite, quando abatida pelo cansaço, ela se deixa dominar, dorme; sua alma dorme profundamente, mas seu corpo, ao contrário, se mantém vivo e pleno de feminilidade; e eu descanso sentindo a fragrância que deixa cada palmo do quarto saturado de sua intimidade; e quando desperta, ao se afastar do recinto, ela deixa sempre um rastro abstrato de pura fascinação; e depois..."

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A Hora da Estrela - Filosofia poética de Clarice Lispector

"A hora da estrela é um dos grandes livros do mundo e tudo aquilo que Clarice faz é filosofia poética ou poesia filosófica." [Hélène Cixous, escritora e crítica francesa]
Obra de despedida de Clarice Lispector, A hora da estrela foi lançada pouco antes da morte da escritora, em 1977, e logo se firmou como o seu romance mais popular, posto no qual permanece até hoje. Ao completar 30 anos, o livro ganhou uma edição especial pela Editora Rocco, com direito a novo projeto gráfico e dois CDs contendo o texto integral do romance na voz do ator Pedro Paulo Rangel e participação especial da cantora Maria Bethânia.
A hora da estrela tem uma trama dupla. É, por um lado, o relato da vida triste e sem perspectiva da alagoana Macabéa, que pontua sua vida de solitário e silencioso desespero com as informações do Você sabia? da rádio Relógio, sinistro metrônomo a comandar o ritmo inútil de seus últimos dias de vida. Para a cartomante Carlota, a quem Macabéa procura em busca de um sopro de esperança, esses dias derradeiros deveriam ser coroados com o casamento com um estrangeiro rico. Mas, em sinistra ironia, Macabéa termina sob as rodas de um automóvel de luxo Mercedes-Benz.
Por outro lado, A hora da estrela estabelece uma reflexão sobre a escrita e sobre a morte da própria escritora, por intermédio do alter-ego de Clarice, o escritor Rodrigo, que se sabia condenado por uma doença terminal. Desta forma, dois níveis de existência se fundem e dialogam entre si: a vida estéril da personagem incapacitada pela pobreza e as condições sociais, e a vida fértil do escritor, mestre do destino de seus personagens, mas tão vítima quanto eles diante do Destino maior e inexorável.

As desventuras cariocas da nordestina Macabéa foram transpostas para o cinema pela diretora Suzana Amaral em 1985, num filme hoje considerado clássico e que foi consagrado com o recordista de premiações no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro ao arrebatar 12 troféus. Além disso, revelou a atriz Marcélia Cartaxo, consagrada como o Urso de Prata do Festival de Berlim de 1986, e foi um dos filmes nacionais mais vistos no exterior, por ter sido vendido para mais de 20 países.
Para a versão em áudio dessa que é a obra máxima de Clarice Lispector, foi escolhido o ator Pedro Paulo Rangel, consagrado como o maior especialista brasileiro deste tipo de transposição do texto literário para o teatro com a peça Soppa de Letra, idealizada e interpretada por ele, com a qual conquistou o Prêmio Shell de Melhor Ator de 2004. Seu magistral trabalho de leitura é complementado pela participação especial da cantora Maria Bethânia, que narra a dedicatória do autor. Fã incondicional de Clarice, a cantora, desde o começo de sua carreira, sempre intercalou a leitura de trechos de livros da escritora às canções que interpretava em seus shows.

Fragmentos do filme: Fragmento-1, Fragmento-2,
Adaptação da obra p/ TV: Fragmento-1, Fragmento-2 

Marília Librandi fala sobre A hora da estrela, de Clarice Lispector. Professora do Departamento de Culturas Latino Americanas e Ibéricas da Stanford University, nos EUA, Librandi vai dedicar seu próximo livro, Writing by Ear and The Acoustic Novel, à escritora brasileira nascida na Ucrânia.