ESCRITORES

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Tropicália ou Panis et Circencis - Ana de Oliveira

Tropicália, Tropicalismo - Panis et Circences
Tropicália, Tropicalismo - Panis et Circences











[Tropicália ou Panis et Circencis, o disco-manifesto, é o mais emblemático trabalho coletivo da música popular brasileira - marco do experimentalismo musical no Brasil da época e, até hoje, no mundo todo!
O disco tornou-se símbolo não só do movimento tropicalista como também da vertiginosa movimentação cultural que tomou conta do Brasil no final dos anos 1960.
[...]
Tropicália ou Panis et Circencis, o livro-objeto, idealizado e organizado pela pesquisadora Ana de Oliveira, é composto por doze ensaios inéditos, de autores diferentes, um ensaio para cada uma das doze canções que compõem o LP. Textos que misturam memória, análise, encantamento, documentação, teoria, prática, filosofia, poesia, pão e circo, formando um livro único no Brasil, dedicado especialmente a um único disco.
"A infinidade de imagens poéticas das letras desse disco nos inspirou a convidar designers e artistas visuais de variadas tendências e disciplinas a apresentarem interpretações visuais de cada faixa. Assim, as obras musicais foram traduzidas para linguagens próprias das artes visuais, os capítulos ganharam ilustrações personalíssimas e cada canção foi contemplada com um pôster".]
Livro-objeto único, imperdível, tropicalista.

[Este livro é uma reflexão sobre o disco-manifesto Tropicália, mas também um reflexo do que ele semeou. As diferentes abordagens, estilos, pontos de vista e criações gráficas a partir de suas doze canções, ilustram, em seu mosaico diversificado, o quanto aquelas conquistas encarnaram em nossa realidade cultural o espírito de invenção, de mistura, de afirmação vital das nossas potencialidades.
O Panis et circencis era só o começo". - Arnaldo Antunes]
Excertos, transcritos de: [tropicalia.com.br/livro/#close]

Gilberto Gil fala sobre o Tropicalismo, o livro "Tropicália ou Panis et Circencis" e Ana de Oliveira.

- Acesse o hotsite: [tropicalia.com.br/livro] e conheça detalhes do Livro, Autores, Capítulos (wallpaper, textos, letras e ouvir músicas), Vídeos, Divulgação, Onde Comprar e Saiu na Imprensa.
- Site oficial da autora: [www.tropicalia.com.br]

Lançado em 1968, "Tropicália ou Panis Et Circencis" foi liderado por Gil e Caetano. O disco é considerado o marco inicial do movimento na música. O álbum conta com faixas como "Coração Materno", "Bat Macumba" e "Baby".

Afinal, é possível discernir a diferença entre pornografia e erotismo?


O Entrelinhas discute um tema sedutor, mas cercado de tabus: a literatura erótica. O programa foi conferir o Encontro de Literatura e Erotismo promovido pelo Sesc Pinheiros, em São Paulo, e conversou com os escritores Marcia Tiburi e Evandro Affonso Ferreira. A reportagem inclui ainda uma entrevista com Eliane Robert Moraes, especialista na obra do Marquês de Sade, que falou sobre a diferença entre erotismo e pornografia e sobre os autores que fazem da sexualidade uma forma de transgressão literária.




Pornografia, erotismo, sexualidade e amor. Dá pra conceituar e distinguir cada um deles?

[...] "Esta não é uma questão fácil de responder. Esses conceitos são complexos e de sentidos e significados múltiplos. Demarcar o território do erotismo e da pornografia é uma tarefa arriscada. Vou tentar mirar apenas nos fenômenos do erotismo e pornografia, já que incluir o amor e a sexualidade demandaria muito espaço. Podemos dizer, em linhas gerais, que há alguns traços singulares entre o erotismo e a pornografia que nos possibilitam estabelecer uma diferenciação razoavelmente aceitável. Uma das diferenças mais comuns diz respeito ao "teor" mais nobre do erotismo, em contraposição com o caráter "vulgar" da pornografia. O que confere esse grau de nobreza ao erotismo é o fato dele não se vincular diretamente ao sexo, enquanto que a pornografia encontra no sexo e na sexualidade seu espaço privilegiado. Dessa forma, o erotismo estaria mais próximo do sexo implícito [portanto aceitável] e a pornografia do sexo obsceno, direto, explícito e comercializável. Porém, distinções desta natureza podem nos conduzir a práticas preconceituosas! Afinal de contas, erótico ou pornográfico, depende dos contextos histórico, cultural ou moral onde esses fenômenos estão inseridos." [...]
Por Sebastião Costa Andrade, professor, mestre em Ciências Sociais e doutor em Sociologia [Universidade Federal da Paraíba]. Faz pesquisa sobre sexualidade, idoso e novas tecnologias. 

Para ler o texto completo [entrevista do professor Sebastião  no site Antropologia.com], acesse:
[www.antropologia.com.br/entr/entr50.htm]

Eliane R. Moraes fala sobre a representação erótica no âmbito da literatura e do ponto de vista histórico, abordando a distinção feita pelo senso comum entre erotismo e pornografia. A ideia de que o erotismo seria aquilo que é velado em contraposição à pornografia, está na base de um apelo moral que também varia a cada época. A difusão da pornografia no último século ocorre com a consolidação, de um lado, de um comércio de repertório considerado obsceno e, de outro, de novas representações do sexo como arte erótica. Para ela, a pornografia revela uma forma de conhecimento que supõe um aprendizado e uma possibilidade transformadora.
Eliane Robert Moraes: doutora em filosofia pela USP, professora de Estética e Literatura na Faculdade de Comunicação e Filosofia PUC-SP, crítica literária e autora de obras como Marquês de Sade - Um libertino no salão dos filósofos.
Para assistir ao vídeo e saber mais sobre o tema, acesse:

Bovarismo Brasileiro - Maria Rita Kehl

A psicanalista Maria Rita Kehl, vencedora do Prêmio Jabuti de 2010, retorna às livrarias com a coletânea de textos Bovarismo brasileiro. Abarcando desde a literatura de Machado de Assis até um estudo de caso – o atendimento de um militante do MST –, a ensaísta passa ainda por reflexões acerca das origens do samba, do manguebeat, do período de expansão da rede Globo e da primeira campanha de Lula.

Maria Rita busca recompor uma parte do que chama de “quebra-cabeça inacabado chamado Brasil” ao analisar os sintomas sociais brasileiros a partir do século XIX, explicitando aspectos fundamentais para a formação cultural do país. Os ensaios trazem reflexões sobre o que hoje já se naturalizou entre nós, como o poder unificador da televisão, percebido com espanto na década de 1970, em plena ditadura militar, e a questão dos restos mal elaborados da escravidão na sociedade brasileira. 

Para dar liga às suas análises, a autora vale-se do conceito de bovarismo, cunhado pelo filósofo e psicólogo Jules de Gaultier com base na personagem Emma Bovary, de Gustave Flaubert, uma ambiciosa e sonhadora pequeno-burguesa de província que, à força de ter alimentado sua imaginação adolescente com literatura romanesca, ambicionou “tornar-se outra” em relação ao destino que lhe era predestinado. Maria Rita Kehl provoca: seria o bovarismo um sintoma da sociedade brasileira?

No processo conturbado e por vezes enganador da democracia brasileira dos últimos trinta anos, Maria Rita se destaca como uma precursora e fundadora da novidade crítica que se tornou a presença do psicanalista como intelectual público de seu tempo. Ao lembrar o início desse movimento, que coincide com o período de elaboração dos ensaios reunidos nesta coletânea, Tales Ab’Saber pontua a participação ativa da psicanalista na hermenêutica social e humana de nosso mal geral, tentando conceber o sentido dos impasses regressivos e da permanência da violência como cultura no país. “Em Bovarismo brasileiro, podemos acompanhar o amor de Maria Rita Kehl ao universo histórico da subjetivação no Brasil e sua ampla tentativa de localização nesse universo, o efeito da outra modernidade brasileira sobre a nossa produção cultural e simbólica tão particular e sobre uma psicanalista de forte engajamento democrático e social que, desde a década de 1980, se apresentou ao mundo com lucidez.”

Em entrevista ao ‘Nexo’, a psicanalista e escritora, que lança livro de ensaios pela Boitempo, discorre sobre o papel da psicanálise para entender o mundo, as patologias brasileiras e a radicalização da política.



Saiba mais sobre a autora, acessando: [https://web.facebook.com/mariaritakehloficial]

Canto para minha morte - Raul Seixas


Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...
Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida