ESCRITORES

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Redes Sociais como laboratórios do Pensamento Contemporâneo - Marcia Tiburi

Redes Sociais são laboratórios de pensamento: A internet é espaço onde se cria uma textualidade que, por sua vez, produz subjetivações. Toda subjetivação é um processo e uma invenção. Ela implica uma ética e uma política quando nos perguntamos o que estamos fazendo uns com os outros e mudamos a direção de nossas ações, melhorando-as. A antipolítica e a antiética que vemos na internet e nas redes sociais refletem interrupções e quebras nos processos de subjetivação que, inviabilizados, dão espaço à processos de dessubjetivação. Podemos analisar as redes sociais como redes de interação para entender a lógica interna do pensamento enquanto senso comum e como ele pode se tornar reflexivo.




Marcia Tiburi:é graduada em Filosofia e Artes e Mestre e Doutora em Filosofia pela UFRGS. Publicou diversos livros de Filosofia, entre eles "As Mulheres e a Filosofia" (Ed. Unisinos, 2002), "O Corpo Torturado" (Escritos, 2004), "Diálogo sobre o Corpo" (Escritos, 2004), "Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero" (EDUNISC, 2008), "Filosofia em Comum" (Ed. Record, 2008), "Filosofia Brincante" (Record, 2010, indicado ao Jabuti em 2011), "Olho de Vidro" (Record 2011) e "Filosofia Pop" (Ed. Bregantini, 2011). Publicou os romances "Magnólia" (2005, indicado ao Jabuti em 2006), "A Mulher de Costas" (2006) e "O Manto" (2009) da chamada "Trilogia Íntima". Em 2012 lançou seu quarto romance "Era meu esse Rosto" (Record). É professora do Programa de Pós-Graduação em Educação, Arte e História da Cultura da Universidade Mackenzie e colunista da revista Cult. Já deu aula em muitos lugares, já fez televisão, e adora andar por aí fazendo Filosofia com as pessoas. (www.marciatiburi.com.br)

BaianaSystem - A explosão de uma estrela supernova no universo da música moderna brasileira

BaianaSystem: Música em Movimento
"De dentro das frestas da selva de concreto e aço, brotam novas raízes, de uma espécie soteropolitana ainda não estudada.
Duas cidades (em uma).
Quatro cabeças pensantes a serviço da arte dançante.
Arte sonora, visual e reflexiva.
Arte mutante, com disposição de arriscar, pra ver aonde vai dar.
O peso da bass culture com a mandinga e o tempero baiano;
Imagens enigmáticas e instigantes;
A palavra das ruas para as ruas;
A guitarra baiana recolocada na linha de frente, de uma forma completamente diferente.
Bem... você pode gostar ou não, mas uma coisa é certa:
não existe nada parecido com o BaianaSystem.
E essa certeza fica muito mais latente a partir da audição do segundo disco desses sujeitos, Duas Cidades:
Da música jamaicana vem a sabedoria das divisões e dos graves de SekoBass (também responsável pela maioria das programações das batidas originais, ou seja: o “homem-cozinha” do grupo);
Das antigas festas de largo, da tradição fotográfica e da arquitetura moderna, vêm os frames, máscaras e traços de Filipe Cartaxo;
Da mistura sem precedentes entre o toaster jamaicano e o samba do recôncavo baiano, vem o estilo inovador de Russo Passapusso;
Das tradições da guitarra baiana (inventada pelos mestres Dodô & Osmar) em conjunto com uma forte influência africana, vem Roberto Barreto (o idealizador do BS), com suas linhas e riffs que dão a identidade final e definitiva ao Baiana.
Quatro cabeças pensantes a serviço da arte dançante.
Do alto do seu Navio Pirata, estes destemidos tripulantes, ao mesmo tempo em que traduzem os sons das ruas e vielas em seu próprio estilo, propõem uma nova ordem: libertária, capaz de provocar uma catarse coletiva por onde quer que passem.
Ijexá, Afoxé, Dancehall, Pagodão, Sambareggae, Cumbia, Chula, Dub, Cabula, Kuduro, Samba Duro, Cantiga de Roda, Eletrônica...
[...]
Mas, e você?
Depois de todo esse texto, acredito que uma pergunta deve estar rondando a sua mente:
O que seria o BaianaSystem?
Um grupo? Uma banda? Um soundsystem?
Um coletivo? Tudo ao mesmo tempo agora?
Bem...mais do que a certeza dessa definição, uma coisa eu posso afirmar:
O BS é um autêntico fenômeno cultural que se expande a cada apresentação, a cada carnaval, do zero aos 20 mil, em crescimento (e movimento) exponencial.
Salvador, Nova York, São Paulo, Tokyo, Rio de Janeiro, Xangai...
Aonde isso vai parar? Aonde tudo isso vai dar? Isso, só o tempo dirá.
Esperemos as cenas dos próximos capítulos desta saga extremamente singular, dentro da música moderna (baiana, brasileira e mundial)."
"BNegron"

Para leitura do texto completo, acesse [baianasystem.com]


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Olga Savary - O Erotismo como expressão poética

Olga Savary - Poesia Erótica
Primeira mulher do país a publicar um livro de poesias eróticas, Olga Savary, 77 anos, pensa muito em sexo. Musa do poeta Drummond e de artistas como Siron Franco, ela é uma espécie de Mona Lisa de Copacabana. Atrás do sorriso enigmático, guarda retratos e poemas de admiradores famosos e histórias picantes, profundas e divertidas.
Olga Savary é o retrato de um Brasil que pouco valoriza sua cultura. Primeira mulher do país a publicar um livro de poesias eróticas e a se dedicar à escrita de haicais (a sintética poesia japonesa), a escritora paraense tem em seu currículo 20 livros, mais de 40 prêmios de literatura — entre eles, dois Jabutis — e traduções de Pablo Neruda, Julio Cortazar e Mário Vargas Llosa.
Para falar desta e de outras paixões, Olga recebeu Marie Claire em seu apartamento, no Rio de Janeiro. E, antes disso, por telefone, questionou a competência desta jornalista. “Tem certeza de que quer me entrevistar?”, perguntou. “Não suporto jornalista que escreve ‘pra’ em vez de ‘para’.” Dois encontros depois, bem mais à vontade, Olga falou sobre a amizade amorosa construída com Drummond, a dor de ter perdido um filho para as drogas e a descoberta tardia de sua sexualidade. Para Ferreira Gullar, fã e amigo de Olga, é justamente o fato de “viver às voltas com as contradições mais profundas da existência” que faz dela uma grande poeta, capaz de falar do sexo com uma “cautela de veludo”.

Leia a entrevista completa, por: Marina Caruso na Revista [Marie Claire]



O sobrinho de Rameau - A filosofia anarquista de Denis Diderot

[Uma das obras mais caras a Diderot, que a reescreveu, revisou e fez adendos ao longo de quase duas décadas, O sobrinho de Rameau é um diálogo entre Eu, um filósofo (que não deve ser identificado inteiramente com Diderot) e Ele, um parasita da alta roda, boêmio excêntrico e contraditório, que “combinava altivez e vileza, bom senso e desvario”.]
[A produção literária de Diderot se desdobra em vários gêneros. Escreveu dramas, ensaios, crítica de pintura e romances. Seu "Ensaio sobre a pintura", obra póstuma, é um trabalho de sensibilidade e de finura crítica, que mereceu o elogio de Goethe.
No terreno literário, Diderot produziu três romances ou novelas: "Jacques, o fatalista" - o mais pessoal dos seus escritos de ficção, com suas licenciosidades, sua incoerência narrativa, suas digressões à maneira de Laurence Sterne; "A religiosa" - obra licenciosa e anticlerical, denunciando a vida hipócrita dos conventos; e "O sobrinho de Rameau" - sua obra-prima, onde encontramos o melhor do talento de Diderot, um diálogo vivo e espirituoso, uma convincente estruturação de caracteres.
A maior parte da obra de Diderot só foi publicada depois de sua morte, inclusive a correspondência com Sophie Volland (1759-1774), sua última amante, publicada em 1830, um dos melhores epistolários da literatura francesa.] Enciclopédia Mirador Internacional

[O livro que quero formalmente sugerir é um clássico: “O Sobrinho de Rameau”, de Diderot. Publicado em tradução de Bruno Costa, pela ótima editora Hedra em 2007, primeiramente apareceu no século XVIII como uma crítica bem humorada de certas crenças e costumes da época. O livro é um diálogo entre Eu (um filósofo) e Ele (um vagabundo fanfarrão) que discutem a miséria da pretensiosa sociedade da época personificada em cada um deles. Cada um, aliás, sábio a seu modo. Por acaso, a tal ‘sociedade’ é por demais igual a nossa. Mudam os tempos, os lugares, os regimes políticos, mas o humano parece sempre o mesmo. Pelo menos por isso, para reafirmar que o diagnóstico não muda, vale a pena a leitura d’O sobrinho de Rameau. 
Mas muito mais pelas pérolas que remetem à nossa condição atual fazendo rir e chorar sobre nós mesmos em tempos em que há “eu” demais por todos os lados e cada um maior que o outro. Rameau dá a dimensão do ridículo do narcisismo com uma prosa jocosa capaz de aniquilar – para quem ainda tiver um resto de inteligência em si – qualquer auto-afetação. Se não vale mais a pena ser sábio, pelo menos que se aprenda a rir de si mesmo.]

Para ler "O sobrinho de Rameau" e saber mais sobre a vida e obra de Diderot, acesse:
[www.ess.inpe.br/colecao-os-pensadores-diderot.pdf]

Roberto Romano, professor de Ética e Filosofia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), elogia a obra "O Sobrinho de Rameau", do polímata iluminista francês Denis Diderot. Para ele, uma ópera trágica e política, uma obra de arte total. Conferencista do Fronteiras do Pensamento.