ESCRITORES

ESCRITORES

Estado de Poesia - Chico César

Para viver em estado de poesia
Me entranharia nestes sertões de você
Para deixar a vida que eu vivia
De cigania antes de te conhecer

De enganos livres que eu tinha porque queria
Por não saber que mais dia menos dia
Eu todo me encantaria pelo todo do teu ser

Pra misturar meia noite meio dia
E enfim saber que cantaria a cantoria
Que há tanto tempo queria a canção do bem querer

É belo vês o amor sem anestesia

Dói de bom, arde de doce, queima, acalma
Mata, cria
Chega tem vez que a pessoa que enamora
Se pega e chora do que ontem mesmo ria
Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica nem vai embora é o estado de poesia

Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica nem vai embora é o estado de poesia


A Estranha Realidade de José J. Veiga

José J. Veiga - Realismo Mágico, Surrealismo
Há pouco mais de meio século, estreava um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos: o ficcionista goiano José J. Veiga (1915-1999), nosso primeiro escritor do gênero "realismo fantástico" com a publicação do livro "Os Cavalinhos de Platiplanto" (parece título de livro infantil, mas não é).
Pouco conhecido pelos jovens, J. J. Veiga é considerado um dos responsáveis pela introdução, no Brasil, do chamado "conto fantástico" ou "realismo mágico", de inspiração kafkiana, espécie de subgênero literário que infuenciou uma geração de escritores latino-americanos, dentre os quais se destacaram o colombiano Gabriel Garcia Márquez (1928-2014) e o argentino Julio Cortázar (1914-1984).
A característica principal de seu estilo é a linguagem despojada, sem artificialismos, aproximando-se da linguagem falada. Suas narrativas em geral têm como cenário o meio rural ou pequenas cidades, em que algo incomum, por vezes absurdo, vai acontecer para quebrar a monotonia do cotidiano.
Nos doze contos de seu livro de estreia pode ser percebida a adesão do autor a um projeto literário caracterizado pelo contraponto entre o dia a dia mais corriqueiro e a estranheza, entre o trivial e o esotérico, o real e o surrealismo.
"Os Cavalinhos de Platiplanto", obra aparecida em 1959, conquistava no ano seguinte o Prêmio Fábio Prado, então um dos mais disputados e prestigiados lauréis literários do país, destacando na ficção brasileira de contos, um significativo valor novo, um indiscutível talento de narrador.
Wilson Martins escreveu: José J. Veiga, "liberto das escolas e das modas... deu à literatura brasileira um daqueles livros pessoais e verdadeiramente novos que assinalam a história dos gêneros: ele trouxe a contribuição qualitativa do conto, a do conto mergulhado num mundo próprio, preso a contingências específicas e criando, pela magia do estilo, novos planos da sensibilidade literária".
O romancista Adonias Filho, saudou-o "como um escritor a quem nada falta para a conformação da estória em todos os seus elementos de vivência. É um escritor nato que, possuindo instintivamente a dimensão da cena, nela introduz o acontecimento, as figuras que molda com sangue".
O livro apresenta contos de excelência absoluta (como, por exemplo, A Usina Atrás do Morro e Professor Pulquério) que fazem de "Os Cavalinhos de Platiplanto" uma obra memorável, na qual estão reunidos alguns contos que mergulham o leitor num mundo mágico, fantástico e de rara beleza poética.
Continue a leitura em: [J.J e a Estranha Realidade], Reportagem da [Revista CP-Literatura]

José J. Veiga possui uma qualidade que inúmeros autores gostariam de ter, pois é capaz de agradar tipos muito diferentes de leitores, de jovens estudantes a leitores maduros, de admiradores da prosa fantástica aos fãs da narrativa realista. 
Em 2015, a Companhia das Letras inicia o projeto de reedição da obra completa de José J. Veiga, e convida grandes autores para comentar as obras do escritor e sua importância na literatura brasileira. 
Silviano Santiago faz sua leitura sobre os contos de "Os cavalinhos de Platiplanto", primeiro livro de José J. Veiga publicado originalmente em 1959. Com prefácio de Santiago, "Os cavalinhos de Platiplanto" traz reminiscências da infância em doze contos que apresentam ao leitor um universo que mescla o embate entre os sonhos de seus personagens e a realidade do cotidiano.




Só as mães são felizes - Cazuza

Você sabia que “Só as mães são felizes” é uma frase de Jack Kerouac?
“Essa música foi feita a partir de um verso de Jack Kerouac [retirado do livro Scattered Poems], uma frase de um poema dele que me deixou muito intrigado.”
A declaração é de Cazuza e a frase em questão, “só as mães são felizes”. Na letra do saudoso poeta compositor, há ainda Ginsberg e Rimbaud: Nunca viu Allen Ginsberg / Pagando michê na Alaska / Nem Rimbaud pelas tantas / Negociando escravas brancas (…). Fã confesso dos beats, Cazuza era um leitor voraz e, provavelmente por isso, um letrista como poucos. Para relembrar a letra inteira – que chegou a ser censurada – colocamos aqui um vídeo de Cazuza cantando… Só as mães são felizes.
Para saber mais, acesse: [www.lpm-blog.com.br/?p=2654]

Leia também, análise de Sandra Conrado da Escola Brasileira de Psicanálise sobre o significado da canção:
[ebp.org.br/Sandra_Conrado_So_as_maes_sao_felizes1.pdf]





Você nunca varou a Duvivier às cinco 
Nem levou um susto saindo do Val Improviso 
Era quase meio dia, do lado escuro da vida 
Nunca viu Lou Reed "Walking on the wild side" 
Nem Melodia transvirado rezando pelo Estácio 
Nunca viu Allen Ginsberg pagando um michê na Alasca 
Nem Rimbaud pelas tantas negociando escravas brancas 
Você nunca ouviu falar em maldição, nunca viu um milagre 
Nunca chorou sozinha num banheiro sujo, nem nunca quis ver a face de Deus... 
Já frequentei grandes festas, nos endereços mais quentes 
Tomei champagne e cicuta com comentários inteligentes 
Mais tristes que os de uma puta no Barbarella às sete 
Reparou como os velhos vão perdendo a esperança
Com seus bichinhos de estimação e plantas 
Já viveram tudo e sabem que a vida é bela 
Reparou na inocência cruel das criancinhas 
Com seus comentários desconcertantes 
Adivinham tudo e sabem que a vida é bela, a vida é bela... 
Você nunca sonhou ser currada por animais 
Nem transou com cadáveres 
Nunca traiu o teu melhor amigo 
Nem quis comer a tua mãe, ah! mamãe, oh! my mother
Só as mães são felizes
Não podem mudar a vida
Não podem mudar a vida, não, não... 
Você nunca ouviu falar em maldição 
Não..., Nunca viu um milagre 
Não, não, não..., Nunca chorou sozinha num banheiro sujo 
Nem nunca baby quis ver a face de Deus. 

Gonzaguinha - "É" - A música como forma de expressão política

É!
A gente quer valer o nosso amor
A gente quer valer nosso suor
A gente quer valer o nosso humor
A gente quer do bom e do melhor...
A gente quer carinho e atenção
A gente quer calor no coração
A gente quer suar, mas de prazer
A gente quer é ter muita saúde
A gente quer viver a liberdade
A gente quer viver felicidade...
É!
A gente não tem cara de panaca
A gente não tem jeito de babaca
A gente não está
Com a bunda exposta na janela
Prá passar a mão nela...
É!
A gente quer viver pleno direito
A gente quer viver todo respeito
A gente quer viver uma nação
A gente quer é ser um cidadão
A gente quer viver uma nação...
É! É! É! É! É! É! É!...