ESCRITORES

ESCRITORES

Cidade de Deus - Uma das maiores obras da Literatura Brasileira contemporânea

O romancista, roteirista e poeta Paulo Lins fala de seu livro Cidade de Deus e do sucesso da obra, que completou 20 anos em 2017. O autor explica a intenção prévia de escrever pensando, principalmente, em estudantes como público-alvo e buscando revelar e diminuir a violência nas favelas do Rio de Janeiro. Fala do susto ao perceber que o livro se tornava um “best-seller”, vendido em vários países, de quanto a obra mudou sua vida e de suas influências literárias no momento em que o publicou. Comenta também sobre o filme de Fernando Meirelles baseado em sua obra e o que mais o marcou nessa trajetória. Depoimento gravado durante o 10º Encontro Internacional Conexões Itaú Cultural, em novembro de 2017, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo/SP.

"Eu acreditava que conhecia o apartheid social que existe no Brasil até ler o livro. Percebi que nós, da classe média, não somos capazes de enxergar o que está na nossa cara. Estado, leis, cidadania, polícia, educação, perspectiva e futuro são temáticas abstratas, mera fumaça quando vistos do outro lado do abismo. Cidade de Deus não fala apenas de uma questão brasileira e sim de uma questão global. De sociedades que se desenvolvem na periferia do mundo civilizado. Da riqueza opulenta do primeiro mundo, que não consegue mais enxergar o terceiro ou quarto mundo, do outro lado ou no fundo do abismo".

Leia mais sobre o autor na Enciclopédia Itaú Cultural: http://enciclopedia.itaucultural.org..... 
Outros vídeos com Paulo Lins: http://bit.ly/2iiA6uB



O escritor Paulo Lins cresceu na Cidade de Deus. A visão interna lhe permitiu escrever o livro sobre o local, que deu origem a um dos filmes brasileiros mais aclamados de todos os tempos.
Assista também ao vídeo no qual o ator Lázaro Ramos entrevista Paulo Lins no programa Espelho do Canal Brasil:
[canalbrasil.globo.com/programas/espelho/videos.html]

Análise da obra "Cidade de Deus", comentada pelo professor Leonardo Cassanho Forster, a partir de slides da professora de Literatura Eliana Werner:
[www.youtube.com/watch?v=ptOpnEq_CMM]

Na canção Triste Bahia, Caetano Veloso relembra-nos um belíssimo poema de Gregório de Matos

Caetano Veloso é daqueles artistas que envelhecem da melhor maneira: aprimorando a sua arte. Suas interpretações recentes de antigas gravações mostram que ele não parou no tempo, se reinventando e, ao mesmo tempo, mantendo-se instigante, perturbador, provocador com arte. De quebra relembra-nos um belíssimo poema de Gregório de Matos mesclado a versos doces e nostálgicos. [Alexandre de Omena no YouTube]


Compositores: Caetano Veloso / Gregório de Mattos
Triste Bahia! Oh quão dessemelhante
Estás, e estou do nosso antigo estado!
Pobre te vejo a ti, tu a mi empenhado,
Rica te vi eu já, tu a mi abundante.

Triste Bahia! Oh quão dessemelhante

A ti trocou-te a máquina mercante,
Que em tua larga barra tem entrado,
A mim vem me trocando, e tem trocado
Tanto negócio, e tanto negociante.
Triste, oh, quão dessemelhante, triste
Pastinha já foi à África
Pastinha já foi à África
Pra mostrar capoeira do Brasil
Eu já vivo tão cansado
De viver aqui na Terra
Minha mãe, eu vou pra lua
Eu mais a minha mulher
Vamos fazer um ranchinho
Tudo feito de sapê, minha mãe eu vou pra lua
E seja o que Deus quiser
Triste, oh, quão dessemelhante
Ê, ô, galo canta
O galo cantou, camará
Ê, cocorocô, ê cocorocô, camará
Ê, vamo-nos embora, ê vamo-nos embora camará
Ê, pelo mundo afora, ê pelo mundo afora camará
Ê, triste Bahia, ê, triste Bahia, camará
Bandeira branca enfiada em pau forte
Afoxé leî, leî, leô
Bandeira branca, bandeira branca enfiada em pau forte
O vapor da cachoeira não navega mais no mar
Triste Recôncavo, oh, quão dessemelhante
Maria pé no mato é hora
Arriba a saia e vamo-nos embora
Pé dentro, pé fora, quem tiver pé pequeno vai embora
Oh, virgem mãe puríssima
Bandeira branca enfiada em pau forte
Trago no peito a estrela do norte
Bandeira branca enfiada em pau forte
Bandeira...

Vai Passar - Chico Buarque de Hollanda narra em samba um período da história brasileira

Escrita em meados da década de 1980, a letra da música "Vai Passar" do cantor e compositor Chico Buarque faz uma crítica veemente ao Estado e ao período colonial brasileiro.num enredo sobre a história do Brasil desde o período do “descobrimento” até a ditadura militar em 1984.


Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar

Veja análise letra da música, em:
[letrasehumanidades.blogspot.com.br/analise-da-cancao-de-chico-buarque-vai.html]

Mais do que um samba: Um grito de alerta aos ouvidos surdos ansiando encontrar um ouvido não trabalhado;
Mais do que um poeta: Um visionário à frente da sua geração;
Mais do que um cantor: Um homem usando sua voz para explodir o seu desejo interior por mudanças;
Mais do que uma música antiga: Uma mensagem moderna.
[MsTodoTema]

Auto da Romaria - O talento, a coragem e a transcendência do mundo na obra do poeta João Filho

Auto da Romaria - Poesia - Imaginação Mítica
João Filho: o talento, a coragem e a transcendência do mundo
Por Adalberto de Queiroz - 10/01/2018 - Edição 2216
O que dizer do poeta João (Fernandez) Filho e deste seu “Auto da romaria”? Bem, tenhamos como pressuposto: João Filho é poeta que deve marcar seu nome na história da poesia brasileira do século XXI. Seu lugar não está reservado apenas entre os poetas católicos, mas, com certeza entre os grandes da poesia de nossa época. E o que me leva a fazer tal aposta?
A este “Auto da romaria” poderíamos sem dificuldade aplicar aquela reflexão de Vicente Ferreira da Silva que, citando o pensamento hegeliano, para quem “tudo quanto o homem pensou de si mesmo e do mundo, a sua auto representação dependeriam de sua representação de Deus”. E mais: o passo seguinte à esta afirmação de Hegel, a de Schelling e de Bachofen “de que o mito conforma e possibilita a História”; ou seja: estou apto a pensar que João Filho, ao criar a sua visão de sua aldeia e de nos apresentar os passos do Nosso Senhor dos Passos – de sua cidadezinha do interior do Nordeste; e de toda a mitologia que envolve a pequena Bom Jesus da Lapa, na Bahia, está ele no fundo nos colocando no centro da História do personagem mais histórico, elevando sua aldeia ao patamar de centro do mundo.
Afinal, “a imaginação mítica, poética, artística e religiosa assume um papel cada vez mais saliente na condução da História, na determinação do pensamento” – recorda-nos Ferreira da Silva.
[...]
De um livro assim, que levou dezessete anos para ser concluído, podemos inferir que há algo maior, fruto que deve ser colhido como fruto raro – afinal, “viver sempre foi esse exercício – do último, do último minuto”. O livro do João se inscreve como marco do “fazer no absoluto”, não como um livro a mais, senão que o mais importante na vida do leitor de poesia brasileira, seja este católico ou infiel, pois dele exala a mais fina tradição da poesia católica brasileira, mesclada à vida do século. Terá o leitor facilidade em ver que há neste “Auto da romaria” um poeta consciente de seu ofício, mesmo que aqui e ali salte a presença forte da tradição regionalista nordestina; entretanto, ele poderá ir mais além se pensar que em João nada é inconsciente.
Leia o texto completo sobre esta obra do poeta João Filho, acessando:

O poeta João Filho fala sobre sua infância em Bom Jesus da Lapa, sobre os temas com que trabalha e sobre sua relação com a internet, com a poesia e com a leitura. Ao término, lê trechos do conto "Encarniçado ou Anotações de um comedor de cânhamo", do livro "Encarniçado", do conto "O que se desloca", do livro "Ao longo da linha amarela", e do livro inédito de poesias "Voo sem pouso".



Xico Sá - Aventuras e desventuras dos machos perdidos e das fêmeas que se acham


Chabadabadá
"Xico Sá é um sábio escriba do Crato que ganhou o mundo e se tornou cidadão de tantas paragens quantas já tiveram a honra de sua presença. Neste livro de agudas crônicas nos propõe discutir o papel do homem e da mulher numa nova configuração social que já está dando demais na vista. Os medos, as inseguranças, a coragem delas (e a incapacidade deles) de chorar em público, de dizer “eu te amo”, de comprometer-se. Em suas inúmeras elucubrações, devaneios mil, Xico tenta realizar feitos de Hércules, impossíveis, como o de tentar decifrar os enigmas da mulher. Não chega a muitas conclusões, além do confessado fascínio e reiterada paixão, mas solta uma pérola dos gêneros: “homem é vírgula, mas mulher é ponto final.” O livro é composto de dezenas de pílulas de sapiência ofertadas por este sertanejo cosmopolita, filósofo cearense, oráculo de edificantes e alcoólicas noites, lembrando-nos que “se a vida dói, uísque caubói.”
Continue a leitura em excelente resenha sobre a obra de Xico Sá, acessando:

[...] Em CHABADABADÁ, com o sugestivo subtítulo Aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha, Xico analisa relacionamentos amorosos, o papel do macho moderno, as queixas femininas. Mas vai logo avisando: “Sim, a perdição do macho é real, mas não sou eu que vou procurá-lo, como digo no relato de abertura do livro”. Último dos boêmios, é justamente da boêmia, fonte onde bebe sem temer ressaca, que tira todas as narrativas, chistes, trocadilhos, máximas e frases de efeito.[...]

O homem de agora não é igual ao homem de antes. Depois que as mulheres saíram de casa, tomaram as rédeas e exigiram seus direitos, o macho jurubeba — patriarcal, provedor, senhor do lar — entrou em extinção. Mas o que tomou o seu lugar? O homem sensível? O homem metrossexual? O homem fofo? Neste Café Filosófico, o cronista Xico Sá discute os novos homens e as novas mulheres, e debate como o macho contemporâneo pode lidar com essa realidade tão nova e diferente.