ESCRITORES

ESCRITORES

Poema Sujo - Ferreira Gullar


turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo azul
teu cu
tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como uma boca
do corpo (não como a tua boca de palavras) como uma entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti
[...]
Para ler o poema completo, acesse:

Primeiros minutos de vídeo do Instituto Moreira Salles com o poeta maranhense Ferreira Gullar declamando o "Poema Sujo". 

Ferreira Gullar: Traduzir-se - Por Adriana Calcanhoto




Uma parte de mim é todo mundo
Outra parte é ninguém
Fundo sem fundo
Uma parte de mim é multidão
Outra parte estranheza e solidão
Uma parte de mim pesa e pondera
Outra parte, delira
Uma parte de mim almoça e janta
Outra parte se espanta
Uma parte de mim é permanente
Outra parte se sabe de repente
Uma parte de mim é só vertigem
Outra parte, linguagem
Traduzir uma parte na outra parte
Que é uma questão de vida ou morte
Será arte?
Será arte?
Será arte?

Para saber mais sobre a vida e obra do poeta Ferreira Gullar, acesse:
[www.elfikurten.com.br/ferreira-gullar-entre-o-lirico-e-o.html]

Ler Hilda Hilst - Uma aventura obscena de tão lúcida

O contato com quaisquer títulos de Hilda Hilst poderá tornar clara a especial combinação entre uma estrutura sempre fiel a si mesma e uma expressão disposta a superar-se. Por essa razão, a entrada no universo hilstiano pode se dar por qualquer porta (poesia ou prosa) - desde que o leitor não tema enfrentar uma obra empenhada em provocá-lo e, muitas vezes, agredi-lo. 
[...]
Ler Hilda Hilst é sempre um exercício crítico: sobretudo em relação aos próprios livros, pois é de se supor, pelos seus esforços, que a autora jamais concordaria com Karl, um dos narradores de Cartas de um sedutor. "Teve gente pensante no planeta, mas tudo continua igual".
Por Luisa Destri, Revista Metáfora - Edição 6

Amplie, folheie a revista Metáfora até as páginas 33, 34 e 35, e leia o texto completo.

Seios - Infinitude Sensual do Corpo Feminino



" Teus Seios "
Teus seios... quando os sinto, quando os beijo
na ânsia febril de amante incontestado,
- são pólos recebendo o meu desejo,
nos momentos sublimes de pecado...

E às manhãs... quando acaso, entre lençóis
das roupagens do leito, saltam nus,
- lembram, não sei, dois lindos girassóis
fugindo à sombra e procurando a luz!...

 Florações róseas de uma carne em flor
que se ostenta a tremer em dois botões
- na primavera ardente de um amor
que vive para as nossas sensações...

Túmidos... cheios... palpitantes, como
dois bagos do teu corpo de sereia,
- tem um rubro botão em cada pomo
como duas cerejas sobre a areia...

Quando os tenho nas mãos... Quantas delícias!...
Arrepiam-se, trêmulos , sensuais,
e ao contato nervoso das carícias
tocam-me o peito como dois punhais!...
...........................................................................
Meu lúbrico prazer sempre consolo
na carne destas ondas revoltadas,
- que são como taças emborcadas
no moreno inebriante do teu colo...
............................................................................
Teus seios... são as fontes onde os loucos,
saciar a sede, tentam, da paixão,
- sede que mata e que sufoca aos poucos...

Teus seios!... Nada existe que os encarne!...
- São divinos pecados da Criação,
são dois poemas de amor feitos de carne!...

[Poema de J.G. de Araujo Jorge] extraído do livro
"Os Mais Belos Poemas Que O Amor Inspirou"


A mais bela forma

"Eguchi sentia uma ternura quase triste na sua alma serena. Contentou-se em tocar com delicadeza os seios da garota para certificar-se de que não estavam molhados; nem lhe passou pela cabeça o desejo descontrolado de assustar a menina, que despertaria muito depois dele, ao fazê-la notar no bico de um deles uma mancha de sangue. Entretanto, o velho divagava, refletindo sobre como era possível que, dentre todos os animais, somente a forma dos seios da mulher tenha adquirido, após longa evolução, um formato tão belo. O esplendor alcançado por eles não seria a própria glória resplandecente da história do ser humano?"

Trecho de A Casa das Belas Adormecidas de Yasunari Kawabata