ESCRITORES

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Não existe amor em SP - Criolo

Criolo, músico-revelação que, embora associado ao Rap, deve seu sucesso ao inegável talento com que dialoga com estilos como jazz, afrobeat e a MPB.




Não existe amor em SP
Um labirinto místico
Onde os grafites gritam
Não dá pra descrever
Numa linda frase
De um postal tão doce
Cuidado com doce
São Paulo é um buquê
Buquês são flores mortas
Num lindo arranjo
Arranjo lindo feito pra você

Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganância vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra
Afogada em seu próprio mar de fel
Aqui ninguém vai pro céu

Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens
Em cada escombro, em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus

Para saber mais sobre a canção e obra de Criolo, acesse:
[lounge.obviousmag.org/criolo-e-a-inexistencia-de-amor-em-sp.html]
[revistacult.uol.com.br/home/o-pensar-musicado-de-criolo]

Admirável gado novo - Zé Ramalho

"Admirável Gado Novo", canção do compositor, cantor e violonista brasileiro Zé Ramalho, parte de seu segundo álbum solo Zé Ramalho 2. A canção cita algumas ideias contidas nos livros Admirável Mundo Novo, a obra mais famosa do escritor britânico Aldous Huxley, e 1984, de George Orwell.

Ôôô, boi

Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais do que receber

E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer

Ê, ô, ô, vida de gado
Povo marcado, ê!
Povo feliz!
Ê, ô, ô, vida de gado
Povo marcado, ê!
Povo feliz!

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal

E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou!

Ê, ô, ô, vida de gado
Povo marcado, ê!
Povo feliz!
Ê, ô, ô, vida de gado
Povo marcado, ê!
Povo feliz!

Ôôô, boi

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela

Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar

Não voam, nem se pode flutuar
Não voam, nem se pode flutuar

Ê, ô, ô, vida de gado
Povo marcado, ê!
Povo feliz!
Ê, ô, ô, vida de gado
Povo marcado, ê!
Povo feliz!

Ôôô, boi



Saiba mais, em [Uma análise contemporânea de "Admiável Gado Novo"]

Sebastião Biano - O grandioso Mestre do Pífano

Sebastião Biano - Pífano

Aos 93 anos, Sebastião Biano lembra de histórias da infância e revê momentos importantes de sua trajetória musical. O músico fala do sucesso Pipoca Moderna, que ganhou letra de Caetano Veloso, e explica como é feito o pífano, instrumento que produz até hoje. Relembra os tempos de miséria com a família e da trajetória de Alagoas até Pernambuco. A gravação de seu primeiro CD em 1972 e a Banda de Pífanos de Caruaru são outros assuntos.

Vídeo publicado em 31/10/2012 pela TV Cultura - Programa Ensaio.

"O selo SESC lançou em 2015 o primeiro disco solo de Sebastião Biano, legítimo representante da cultura brasileira. Mestre Biano, como é conhecido, é o único remanescente da formação original da clássica Banda de Pífanos de Caruaru, formada no agreste pernambucano. Ele já ultrapassou a casa dos 90 anos e toca o pífano desde menino na bandinha que reunia o pai, tios e irmãos.
Sebastião Biano e seu terno esquenta muié reúne 18 temas de autoria do alagoano de nascimento, como os famosos “A briga do cachorro com a onça” e “Pipoca Moderna”, que ganhou letra de Caetano Veloso. Junto com Biano estão Filpo Ribeiro (viola e rabeca), Eder “O” Rocha (zabumbateria), Renata Amaral (baixo) e Júnior Caboclo (pífano), subvertendo a formação original de banda de pífanos e emprestando contemporaneidade aos deliciosos temas. Participação ainda de Naná Vasconcellos.
Os temas são entremeados pela fala do músico que tem muitas histórias pra contar, como a do dia em que tocou, apavorado, para o rei do cangaço Lampião, ou de como a pipoca “que saiu muito grande e bonita”, inspirou a sua composição mais famosa."
Para ler o texto completo, acesse:


A revolução socioestética promovida pelo Tropicalismo

"Um dos maiores movimentos artísticos do Brasil ganha vida nesse documentário. Numa época em que a liberdade de expressão perdia força, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto, Gal Costa, Arnaldo Baptista, Rita Lee, Tom Zé, entre outros, misturaram desde velhas tradições populares a muitas das novidades artísticas ocorridas pelo mundo e criaram o Tropicalismo, abalando as estruturas da sociedade brasileira e influenciando a várias gerações. Com depoimentos reveladores, raras imagens de arquivo e embalado pelas mais belas canções do período, "Tropicália" nos dá um panorama definitivo de um dos mais fascinantes movimentos culturais do Brasil."


Assista ao documentário completo, acessando: [www.youtube.com/watch?v=ZVyo5i7yqU8]
"A Tropicália mudou definitivamente nossa sensibilidade e mentalidade estética, política e comportamental, derrubando “as prateleiras, as estantes, as vidraças” entre o urbano e o rural, o interior e o litoral, o bom e o mau gosto, o popular e a vanguarda, o chiclete e a banana, o chique e o kitsch, o berimbau e a guitarra, o bangue-bangue e o tamborim, as raízes e as antenas, o luxo e o lixo (como no emblemático poema de Augusto de Campos, com todas as variantes positivas e negativas que podem sugerir as duas palavras, e os atritos entre elas).
Com uma lúcida compreensão da múltipla realidade brasileira, deu expressão às diversas vozes que a compõem, sem descaracterizá-las ou satirizá-las, sem esconder seus contrastes ou hierarquizá-las, mas criando condições para que elas aflorassem numa linguagem vigorosa, através de procedimentos (a colagem, a mistura, as fusões rítmicas e vocabulares, o construtivismo formal e a surpreendente espontaneidade) que as punham em situações inéditas de conexão ou confronto.
Batman e macumba, iê-iê e obá, viraram um amálgama sonoro-semântico (ou verbivocovisual, na expressão dos concretos), que rompia as fronteiras de preconceitos muito arraigados, inaugurando a possibilidade da convivência, sem traumas, de valores até então inconciliáveis.
A partir desse limite (ápice) não havia mais volta. A cultura plural, cosmopolita e libertária se instituiu como uma realidade palpável, abrindo caminho para novas experiências poético-musicais, que se desdobraram em várias outras linguagens." Arnaldo Antunes
[...] 
Continue a leitura, em: [tropicalia.com.br/livro/#close]