ESCRITORES

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Vai Passar - Chico Buarque de Hollanda narra em samba um período da história brasileira

Escrita em meados da década de 1980, a letra da música "Vai Passar" do cantor e compositor Chico Buarque faz uma crítica veemente ao Estado e ao período colonial brasileiro.num enredo sobre a história do Brasil desde o período do “descobrimento” até a ditadura militar em 1984.


Vai passar nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo da velha cidade essa noite vai se arrepiar
Ao lembrar que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais
Num tempo página infeliz da nossa história,
passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos erravam cegos pelo continente,
levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal, tinham o direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia que se chamava carnaval,
o carnaval, o carnaval
Vai passar, palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
e os pigmeus do boulevard
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai que vida boa, ô lerê,
ai que vida boa, ô lará
O estandarte do sanatório geral... vai passar

Veja análise letra da música, em:
[letrasehumanidades.blogspot.com.br/analise-da-cancao-de-chico-buarque-vai.html]

Mais do que um samba: Um grito de alerta aos ouvidos surdos ansiando encontrar um ouvido não trabalhado;
Mais do que um poeta: Um visionário à frente da sua geração;
Mais do que um cantor: Um homem usando sua voz para explodir o seu desejo interior por mudanças;
Mais do que uma música antiga: Uma mensagem moderna.
[MsTodoTema]

Samba Riachão - Expressão da Bahia na Cor, na Alegria e no Canto

[...]
Cronista de sua cidade e do seu tempo, a cada fato marcante que acontecia, Riachão nos dava a notícia em forma de um novo samba. Assim foi com “O umbigão da Baleia”, “A morte do Alfaiate” “Pitada de Tabaco”e tantos mais.
Foi também o seu talento poético que pintou com tintas musicais e precisão o cenário mítico desta cidade: “Quem chega na Praça Cairu/Olha pra cima o que é que vê?/O Elevador Lacerda sempre a subir e a descer…/ É o retrato fiel da Bahia/baiana vendendo com alegria/coisinhas gostosas de dendê – acarajé!”
Quando Caetano e Gil voltaram do exílio imposto pela ditadura militar e decidiram fazer o primeiro show para um público brasileiro cheio de saudade, decidiram lançar um manifesto daquela nova fase de suas carreiras e vidas. Foram buscar em Riachão as palavras precisas para expressar o que eles queriam comunicar em alto e bom som: “Cada macaco no seu galho/xô, xuá/eu não me canso de falar, xô, xuá/meu galho é na Bahia, xô, xuá/ o seu é em outro lugar…”
Até o pop contemporâneo veio beber nas águas desse Riachão. O último grande sucesso de Cássia Eller é crônica de um Riachão em estado puro:” Ai, meu Deus/ai meu Deus o que é que há?/A nega lá em casa não quer trabalhar…/ Ela quer me ver bem mal/ vá morar com o diabo que é imortal…”
Imortal é você, Clementino. Malandro dos bons, capoeirista dos sons e das letras, expressão da Bahia na cor, na alegria e no canto.Valente, que atravessou todos aqueles que queriam atravessar o seu caminho, e chega aos 90 anos de absoluto sucesso, sem nunca ter deixado de ser o menino Clementino.
Hoje, 2 de Dezembro, dia do Samba, mais do que nunca e mais do que todos, parabéns, Malandro!
Por Jorge Portugal em belíssimo artigo sobre esse genial sambista:


O ritmo das palavras na música de Jackson do Pandeiro

Xote, Ritmo, Baião, Coco, Samba


Jackson do Pandeiro, nome artístico de José Gomes Filho (Alagoa Grande-PB, 31 de agosto de 1919 – Brasília, 10 de julho de 1982), foi um cantor e compositor de forró e samba, assim como de seus diversos subgêneros, a citar: baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, quadrilha, marcha, frevo, dentre outros. Dono de um padrão rítmico invulgar, o maior ritmista brasileiro ficou conhecido como: O Rei do Ritmo, Rei da Embolada, Rei do Coco, enfim: artista brasileiro único no gênero, superior e incomparável, um músico que explorava o ritmo das palavras...

Saiba mais sobre o artista (biografia, músicas, fotos, discografia) em:
- [pt.wikipedia.org/wiki/Jackson_do_Pandeiro]
- [http://www.jacksondopandeiro.digi.com.br/]

MOSAICOS - A ARTE DE JACKSON DO PANDEIRO:
[Vídeo-1], [Vídeo-2], [Vídeo-3], [Vídeo-4], [Vídeo-5]

Para saber mais sobre a vida e obra de Jackson do Pandeiro, acesse:

Com você... Meu mundo ficaria completo - Cássia Eller

Cásia Eller: "Música tem sentimento - Música é uma coisa bela que me toca lá, bem lá dentro, por isso tenho de ouvi-la, não existe mais nada para mim além disso (que é mais que isso). Tenho medo de ficar alienada, um dia, por eu pensar assim. A música me comanda. Eu mudo o meu estado de espírito de acordo com a música que estou ouvindo. Estou ouvindo Ravel agora... ainda há pouco estava agressiva por causa de um trecho de “La Valse”, agora me sinto tão serena, voando sem corpo, só com o meu pensamento, sem sentir nada, assim... sem o sentido do tato, só visão. E a audição... só música... só. O único cheiro que sinto é inodoro, O2 puro. Não tenho paladar porque não preciso agora. Só preciso dos ouvidos e da visão (não os olhos, vê-se com o espírito). 
Eu acho que os cantores quando cantam querem que o povo goste. E eu só quero cantar, porque é a única maneira que eu tenho de me extravasar. Tenho coisas aqui precisando ser postas pra fora, e que maneira mais bonita que eu fui arrumar pra expulsá-las... é bonito, quando eu canto e estou satisfeita. É doído, quando canto e estou angustiada. Eu cantando sei mais de mim. Você pode pensar que me conhece um bocado se algum dia conversou comigo, se leu alguma coisa que eu escrevi, se foi pra cama comigo, mas, pode crer, você se espantará quando me ouvir cantar. Essa sim, sou eu... me mostrando porque eu quero... é quando sou sincera mesmo.]
Para saber mais sobre a vida e obra de Cássia Eller, acesse:

Para saber mais e ouvir o álbum "Com você... meu mundo ficaria completo", acesse:



Cartola, um dos maiores poetas do Samba


Samba
Cartola não existiu, foi um sonho que a gente teve. Assim Nelson Sargento definiu o amigo e parceiro Angenor de Oliveira, o mestre Cartola (1908-1980). Mestre pedreiro, mestre lírico: sambista refinado e elegante, de uma poesia que começava pela escolha dos títulos: As Rosas não Falam, Inverno do Meu Tempo e O Mundo é um Moinho. Como um trovador moderno, cantou o amor, a mulher e o morro, com sensibilidade e delicadeza. 
[...] Ouvir Cartola é um exercício de sabedoria sutil. A cada audição treinamos nossa sensibilidade e nossa acuidade para o que é essencial, e aprendemos a perceber o espanto que há nas coisas simples, a ouvir o que as rosas têm a dizer. Nelson Sargento estava coberto de razão. Cartola, o pedreiro que virou poeta, não existiu. Foi um sonho bom. Que a gente não esquece.
CONTINUE A LEITURA: Por João Jonas Veiga Sobral em [O POETA IMPROVÁVEL] Revista Língua Portuguesa


Para ouvir os dez maiores clássicos de Cartola acesse:

O Samba intimista e refinado de Ederaldo Gentil


O Ouro e a Madeira
Não queria ser o mar
Me bastava a fonte
Muito menos ser a rosa
Simplesmente o espinho
Não queria ser caminho
Porém o atalho
Muito menos ser a chuva
Apenas o orvalho
Não queria ser o dia
Só a alvorada
Muito menos ser o campo
Me bastava o grão
Não queria ser a vida
Porém o momento
Muito menos ser concerto
Apenas a canção
[Refrão]
O Ouro afunda no mar, no mar...
Madeira fica por cima, por cima...
Ostra nasce do lodo
Gerando pérolas finas

Ederaldo Gentil Pereira, que ficaria conhecido como Ederaldo Gentil, nasceu no dia 7 de setembro de 1943, no Largo Dois de Julho, um dos tradicionais bairros do centro de Salvador, filho de D. Maria José de Souza (D. Zezé) e Sr. Carlos Gentil Peres, antigo relojoeiro da capital baiana.
Criado no mesmo bairro de nascimento, aprendeu o ofício de relojoeiro trabalhando na modesta oficina do pai, ajudando a sustentar a família bastante numerosa. Adolescente mudou-se para o bairro do Tororó, também na área central da cidade, o mais forte reduto do carnaval baiano da época, e onde tomou gosto pelo carnaval, acompanhando o pai nos bailes à fantasia que eram realizados nos clubes tradicionais da cidade.
Alcione, no disco "A voz do samba", interpretou uma composição sua em parceria com Batatinha, "Espera".Lançou, em 1976, seu segundo disco, "Ederaldo Gentil - pequenino", interpretando diversas composições de sua autoria, como "O rei" (c/ Paulo Diniz), "In-lê-in-lá" (c/ Anísio Félix), "Vento forte" (c/ Eustáquio Oliveira) e "A Bahia vem", em parceria com Batatinha. 
Alcione gravou "Agolonã" (c/ Batatinha)..
Alcione ainda gravou, no ano seguinte, no LP "Pra que chorar", "Feira do rolo" e, em 1978, "A volta ao mundo".
Consagrado na mídia, retoma em Salvador, e ao lado de grandes companheiros do mundo do samba como Edil Pacheco, Batatinha, Riachão, Nelson Rufino, Walmir Lima e outros realiza shows. No final da década de 70, protagoniza ao lado de Edil Pacheco e Batatinha o show O Samba Nasceu na Bahia, que ficaria célebre na história da música baiana.
[...]
Para leitura do texto completo, acesse: [www.youtube.com/watch?v=Y1iwAXMSKmg]

Adoniran Barbosa - 105 anos de um certo João Rubinato

Em Agosto de 2010 completou-se um século do nascimento de Adoniran Barbosa, compositor de samba por adoção, uma das figuras mais singulares da cultura popular brasileira.
Cantor, compositor, humorista e ator, Adoniran imortalizou em suas canções o linguajar típico dos italianos que viviam na capital paulista na primeira metade do século 20. Além de sua música, a televisão também contribuiu para fixar esse jeito de falar, caso da novela Passione, da Rede Globo, que atualiza a tradição do sotaque italiano televisivo, com direito a palavras como "amore" e "tesoro" e cenas gravadas na Itália. Tudo pela verossimilhança de um falar que já pertence à herança cultural brasileira.
Mesmo tanto tempo depois, a linguagem espontânea de Adoniran ainda se faz sentir, sobretudo em bairros tradicionais paulistanos como Bexiga, Brás e Barra Funda, além da própria Mooca, cujo sotaque característico está em vias de ser tombado como patrimônio cultural.
João Rubinato, o Adoniran Barbosa nasceu no dia 6 de agosto de 1910 em Valinhos, interior de São Paulo. Suas canções tinham o caráter de crônicas, ora bem-humoradas, ora trágicas, sobre um povo que veio trabalhar principalmente na construção civil da metrópole.
Ele reproduzia o linguajar mais típico, direto e espontâneo do povo, preocupando-se mais com a fluência e expressividade do que com detalhes e "fricotes" gramaticais ou purismos. Era coisa profissional, comercial, mas no melhor sentido, com base na "cutura" autêntica do povo - garante Ayrton Mugnaini Jr, autor do livro Adoniran: Dá Licença de Contar...
Vocabulário:
Entre as expressões imortalizadas pelo compositor, estão "tiro ao álvaro", "adifício", "homes", "cobertô", "truxe", "táuba", "frechada", "ponhado", "revórver", "lâmpida" e os versos de Samba do Arnesto: "O Arnesto nos convidô prum samba, ele mora no Brás / Nóis fumo e não encontremo ninguém / Nóis vortemo cuma baita duma reiva / Da outra veiz nóis num vai mais".
De acordo com Paola Giustina Baccin, professora da Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo (USP), os italianismos foram introduzidos no Brasil por meio de duas grandes correntes migratórias. A primeira ocorreu no final do século 19 e início do 20, com italianos vindos principalmente das regiões da Itália setentrional para o Sul e Sudeste do Brasil a fim de trabalhar na lavoura. A segunda foi após a Segunda Guerra Mundial, com imigrantes vindos da Itália setentrional novamente para a Grande São Paulo, onde foram trabalhar na indústria. [Por Guilherme Bryan, Revista Língua Portuguesa, Edição - 58]
SAIBA MAIS EM: [revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=12097]

"Adoniran Barbosa é um grande compositor e poeta popular, expressivo como poucos; mas não é Adoniran nem Barbosa, e sim João Rubinato, que adotou o nome de um amigo do Correio e o sobrenome de um compositor admirado. A ideia foi excelente, porque um artista inventa antes demais nada a sua própria personalidade; e porque, ao fazer isto, ele exprimiu a realidade tão paulista do italiano recoberto pela terra e do brasileiro das raízes europeias. Adoniran é um paulista de cerne que exprime a sua terra com a força da imaginação alimentada pelas heranças necessárias de fora [...]" Antonio Candido
Para ler o texto completo de Antonio Candido sobre Adoniran, acesse:
[palavrademusico.blogspot.com.br/2009/08/adoniran-barbosa-por-antonio-candido]



VÍDEOS ESPECIAIS:
[Especial TV Brasil-1], [Especial TV Brasil-2]


Por Toda Minha Vida [Rede Globo] Adoniran Barbosa.

Edil Pacheco - Genial Compositor e Sambista da Bahia



A Bahia nos idos dos anos sessenta e setenta revelou inúmeros artistas que se notabilizaram pela qualidade de suas produções, tanto na pintura, escultura, literatura, e especialmente na música. Foi uma época de grandes realizações e movimentos culturais que formaram a base principal de nossa formação musical, e serviram para que os jovens de hoje pudessem entender o que passou a ser denominado de música baiana. Evidentemente que esse termo depois descaracterizou-se pela má qualidade que se verificou na segunda metade da década de oitenta e permanece até hoje, com raras e reconhecidas exceções.
Um dos principais artistas dessa geração de talentos da Bahia foi Edmilson de Jesus Pacheco, ou Edil Pacheco como é mais conhecido, nascido em 1 de junho de 1945 na cidade de Maragojipe, última cidade do recôncavo baiano. Entusiasmado pela música desde muito cedo interessou-se em tocar um instrumento, e o eleito foi o violão, que acabou sendo a ele presenteado pelo amigo José Messias. Aos 18 anos passa a residir em Salvador trabalhando numa padaria situada no Largo 2 de Julho, e como já estava tocando violão, passou a frequentar a roda de boêmios e músicos da capital.
Em 1963 integrando o Grupo Função, conhece Ederaldo Gentil, Batatinha, Tião Motorista e outros artistas que como ele buscavam seu espaço dentro do cenário artístico de Salvador. Em 1965 participou como músico acompanhante de violão de um show intitulado “Eu Sou, Tu És, Nós Somos: Gente”, produzido por Vieira Neto, colunista do jornal A Tarde, onde então compôs sua primeira música intitulada Protetor do Samba, canção que ficou inédita até hoje, tendo a sua letra divulgada pela primeira vez.
Em 1969 depois de ter tentado várias vezes ver uma de suas músicas gravadas Edil Pacheco finalmente consegue, que Eliana Pitman, então em pleno sucesso, grave duas canções, Fim de tarde feita em parceria com Luiz Galvão e Passatempo com Batatinha e Cid Seixas. Em 1970 Jair Rodrigues em visita a Salvador toma conhecimento do talento do jovem compositor, é a ele apresentado e grava em seu disco Talento e Bossa o samba Alô Madrugada, que Edil fez em parceria com Ederaldo Gentil, alcançando sucesso em todo o Brasil, consagrando e abrindo a Edil Pacheco, de forma definitiva as portas das gravadoras do Sul do país.
Reconhecido nacionalmente como um compositor de grande talento, um dos melhores de sua geração, Edil Pacheco passa a ser figura obrigatória no repertório de grandes intérpretes da música popular brasileira, emplacando inúmeros sucessos como por exemplo: Estamos aí com Paulo Diniz, Gal Costa 1972; Tristeza, com Carlos Lacerda, Wilson Simonal 1973; Abra um sorriso novamente, com Jairo Simões, Jair Rodrigues 1974; Aruandê com Nelson Rufino, Alcione 1975; Siriê com Paulinho Diniz, Fafá de Belém 1976; Lua menina com Paulinho Diniz, o maior sucesso de Alcione do ano de 1976.
Com tantos êxitos, faltava a Edil Pacheco gravar seu disco, e isso ocorre em 1977 quando lança pela gravadora Polydor o LP Pedras Afiadas, contendo treze excelentes músicas que fizeram muito sucesso, destacando-se entre elas o samba Abra a gaiola em parceria com Paulinho Diniz. Em 1982 Edil Pacheco registra o maior sucesso de sua carreira e também um dos maiores êxitos da cantora Clara Nunes, quando ela grava o já clássico Ijexá na época uma das músicas mais executadas em rádios de todo o Brasil.
Em 1984 Edil Pacheco lança mais um LP intitulado Estamos Aí, em 1988 contratado pela Polygram lança o disco Afros e Afoxés da Bahia e 1998 grava o CD Dom de Passarinho.
Hoje Edil Pacheco é um nome nacional reconhecido como um dos grandes compositores de nossa canção popular, sua obra registra mais de 250 músicas gravadas pelos mais importantes nomes da música brasileira. Atualmente atua como produtor de discos, tendo lançado recentemente o trabalho Do Lundu ao Axé-100 Anos de Música Baiana em parceria com Paulinho Boca de Cantor, e vem trabalhando seu próximo disco O Samba me Pegou.
Sua intensa atividade artística bem como sua obra é um orgulho para a Bahia, tornando-o um dos personagens mais destacados da Música Popular Brasileira.
Por Luiz Américo Lisboa Junior - Itabuna, 16 de outubro 2002, extraído do site: [www.carnaxe.com.br/cronicas/edilpacheco.htm]



- Mais Vídeos: [DE AMOR É BOM] (João Nogueira), [IJEXÁ] (Clara Nunes)

- Para ouvir Edil Pacheco acesse:

Nelson Rufino, O refinamento do Samba Baiano


Nelson Rufino, digno representante da nobreza do samba baiano, mostra que a "música baiana" não se reduz à mediocridade do Axé.
Você não sabe quem é Nelson Rufino? Aposto que conhece algumas de suas músicas. O homem é uma fábrica de sucessos para artistas como o saudoso Roberto Ribeiro e Zeca Pagodinho. Roberto gravou suas "Tempo é" e "Todo menino é um rei" (parcerias com Zé Luiz), "Rose" (com Ederaldo Gentil), e a belíssima "Vazio". Zeca fez um grande sucesso com sua "Verdade" (com Carlinhos Santana) e gravou "O dono da dor". Percebeu de quem estamos falando?

VÍDEOS:
[TODO MENINO É UM REI] - Roberto Ribeiro

[VERDADE] - Zeca Pagodinho

[VAZIO] - Diogo Nogueira


O compositor de grandes sucessos na voz de Roberto Ribeiro e Zeca Pagodinho recorda os encontros com eles e de outras pessoas representativas na MPB que gravaram suas músicas como Nara Leão, Alcione e Martinho da Vila. Entre outro assuntos, Rufino fala da infância da Bahia e de seus pais.




PARA OUVIR NELSON RUFINO ACESSE:
[www.sambaderaiz.net/tempo-e-vida-nelson-rufino]
[www.lastfm.com.br/music/Nelson+Rufino]

Mosaicos - A Arte de Jackson do Pandeiro

Jackson do Pandeiro, nome artístico de José Gomes Filho (Alagoa Grande-PB, 31 de agosto de 1919 – Brasília, 10 de julho de 1982), foi um cantor e compositor de forró e samba, assim como de seus diversos subgêneros, a citar: baião, xote, xaxado, coco, arrasta-pé, quadrilha, marcha, frevo, dentre outros. Dono de um padrão rítmico invulgar, o maior ritmista brasileiro ficou conhecido como: O Rei do Ritmo, Rei da Embolada, Rei do Coco, enfim: artista brasileiro único no gênero, superior e incomparável, um músico que explorava o ritmo das palavras...


SAIBA MAIS:
[Coroa de Couro - Uma biografia de Jakson do Pandeiro, o Rei do Ritmo]



MAIS VÍDEOS: [TV-BRASIL-1], [ARQUIVO-N], [ESPECIAL - TV CULTURA]

Cássia Eller interpreta Riachão - Um clássico sambista da Bahia

Cássia Eller, de Riachão - Vá morar com o diabo

O menino Clementino adorava brigar. Saía de uma briga e já entrava em outra e parecia não querer descanso. Um dia, um velho sábio, vendo sua disposição para tanta briga, perguntou-lhe em puro baianês: Meu filho, você por acaso é algum riachão, que ninguém consegue atravessar?”
E assim Clementino virou Riachão, que atravessou nove décadas da vida, até aqui, sem deixar de brigar um só dia. Brigou com a inspiração, quando esta demorava a chegar, para compor mais um samba; brigou pela afirmação e sucesso de suas composições, brigou contra as adversidades da vida, que não foram poucas, mas sempre brigou com um sorriso nos lábios e a providencial prontidão dos sábios guerreiros.
Brigou muitas vezes sozinho, e muitas vezes ao lado dos seus irmãos de samba Batatinha, Edil Pacheco, Ederaldo Gentil, Walmir Lima, Panela e tantos outros nomes que fizeram da boa música baiana profissão de fé e terminaram escanteados ou esquecidos pelo jogo pesado de uma mídia movida pelo jabá e pelo mau-gosto.
Cronista de sua cidade e do seu tempo, a cada fato marcante que acontecia, Riachão nos dava a notícia em forma de um novo samba. Assim foi com “O umbigão da Baleia”, “A morte do Alfaiate” “Pitada de Tabaco”e tantos mais.
Foi também o seu talento poético que pintou com tintas musicais e precisão o cenário mítico desta cidade: “ Quem chega na Praça Cairu/Olha pra cima o que é que vê?/O Elevador Lacerda sempre a subir e a descer…/ É o retrato fiel da Bahia/baiana vendendo com alegria/coisinhas gostosas de dendê – acarajé!”
Quando Caetano e Gil voltaram do exílio imposto pela ditadura militar e decidiram fazer o primeiro show para um público brasileiro cheio de saudade, decidiram lançar um manifesto daquela nova fase de suas carreiras e vidas. Foram buscar em Riachão as palavras precisas para expressar o que eles queriam comunicar em alto e bom som: “Cada macaco no seu galho/xô, xuá/eu não me canso de falar, xô, xuá/meu galho é na Bahia, xô, xuá/ o seu é em outro lugar…”
Até o pop contemporâneo veio beber nas águas desse Riachão. O último grande sucesso de Cássia Eller é crônica de um Riachão em estado puro:” Ai, meu Deus/ai meu Deus o que é que há?/A nega lá em casa não quer trabalhar…/ Ela quer me ver bem mal/ vá morar com o diabo que é imortal…”
Imortal é você, Clementino. Malandro dos bons, capoeirista dos sons e das letras, expressão da Bahia na cor, na alegria e no canto.Valente, que atravessou todos aqueles que queriam atravessar o seu caminho, e chega aos 90 anos de absoluto sucesso, sem nunca ter deixado de ser o menino Clementino.
Hoje, 2 de Dezembro, dia do Samba, mais do que nunca e mais do que todos , parabéns, Malandro!
Por Jorge Portugal em belíssimo artigo sobre esse genial sambista:

Novos Baianos - Samba da Minha Terra


"Samba da Minha Terra" apresenta toda a técnica e suingue da voz e do violão do Moraes Moreira, da guitarra do Pepeu e todo o time reunido, batendo uma bola e mandando ver no som. É o terceiro episódio de uma "trilogia fictícia" composta por fragmentos extraídos do filme Novos Baianos Futebol Clube [1973], dirigido por Solano Ribeiro, numa co-produção da TV Bandeirantes com uma TV alemã. 
Devido sua importância histórica e cultural, a exibição desses vídeos no youtube representa uma tentativa de partilha e difusão de um dos materiais audiovisuais mais nobres da música popular brasileira, inexplicavelmente sem lançamento oficial até o momento. Esta obra fenomenal ainda pertence ao submundo da cultura underground, apesar de toda tecnologia de restauração e possibilidade de comercialização.
Em cena, o maior grupo de música brasileira, os Novos Baianos, composto por cantores, instrumentistas, poetas, bailarinos e compositores. Nesse tempo, viviam e tocavam juntos num sítio em Jacarepaguá, o Cantinho do Vovô. 
O som era "fruto da vivência profunda de um grupo cujo fundamento é a escolha do tortuoso caminho da criação e recusa aos vãos atrativos da caretice"[Rogério Duarte]. 
Revolucionaram tanto na música quanto no comportamento e se revelaram um dos maiores fenômenos da história da música. "Quem tiver olhos, veja. Quem tiver ouvidos, ouça".


Riachão - Um Magnífico Sambista da Bahia



Riachão nasceu Clementino Rodrigues no bairro do Garcia, em Salvador. O dia 14 de novembro de 1921 entra para a história da música baiana como o dia do nascimento de seu sambista mais representativo. Seu modo peculiar de compor tem características de crônica. Em suas letras, quase sempre irreverentes, desfila o povo baiano da antiga Salvador, com suas baianas de acarajé, seus malandros de terno branco e seus capoeiras atrevidos. O apelido ‘Riachão’, segundo o sambista revelou ao extinto jornal Diário de Notícias, o acompanha desde a infância: ‘Quando menino, eu gostava muito de brigar. Mal acabava uma peleja, já estava eu disputando outra. E aí chegavam os mais velhos para apartar, empregando aquele ditado popular: você é algum riachão que não se possa atravessar?’.
Riachão teve várias das suas músicas interpretadas por cantores nacionais, entre as mais conhecidas destacam-se: 'Vá Morar com o Diabo', cantada por Cássia Eller e Beth Carvalho e 'Cada macaco no seu galho' por Caetano e Gilberto Gil.

CONTINUE A LEITURA EM:
- [www.samba-choro.com.br/artistas/riachao]

Belíssimo artigo de Jorge Portugal sobre esse genial sambista:
- [www.jorgeportugal.com.br/blog/riachao-90-anos-samba]

OUTROS VÍDEOS DE RIACHÃO:
Com Beth Carvalho: [Vá morar com o diabo], [Cada macaco no seu galho]
Cássia Eller: [Vá morar com o diabo], [Mix - Riachão]

Para ouvir Riachão acesse: [Rádio UOL]

"Clube do Samba" - Samba Book João Nogueira

No ano em que João Nogueira completaria 70 anos de vida - nascido em 12/11/1941- um projeto musical resgata a importância de sua obra em grande estilo. Um time de bambas se reuniu no estúdio Visom, no Rio de Janeiro, para gravar clássicos do compositor em versões inéditas que farão parte do primeiro volume do projeto. 
O "Samba Book João Nogueira" foi lançado em maio de 2012 com várias plataformas: CDs duplos com 12 músicas cada, um DVD, um BLU RAY com 24 gravações, um livro discobiográfico e um fichário com 60 partituras. No mundo web, o portal do Samba Book traz aplicativos que ensinam a tocar, entrevistas exclusivas e promoções que vão acontecer via facebook.


[artistas envolvidos no Samba Book cantam "Clube do Samba"]

Portal Samba Book [www.sambabook.com.br/joaonogueira]

Musicalidade, Feminilidade e Baianidade de Mariene de Castro


Destaque de qualidade na música que vem da Bahia, a cantora Mariene de Castro lança seu primeiro DVD. "Santo de casa" ao vivo ganha edição da Universal Music - que já havia lançado o mesmo registro em CD - e traz show gravado no histórico Teatro Castro Alves, em Salvador, dia 15 de fevereiro de 2009.
Quatro meses e novas surpresas separam a edição de CD do DVD. Mariene é ainda mais sedutora nesse formato, mostrando um show que alia repertório alegre com músicas de qualidade. Sambas baianos, sambas de roda, manifestações folclóricas, cirandas, cocos e macumbas fazem a festa de Mariene.
O bem vindo e onipresente Roque Ferreira - a quem Mariene pretende dedicar um próximo trabalho - é o compositor mais recorrente em nove das 25 faixas do DVD - totalizando dez a mais do que no CD. Passam ainda desde contemporâneos como Roberto Mendes e J. Velloso até eternos como Dorival Caymmi, Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.
Em cena Mariene brilha. O corpo coberto por purpurina faz belo efeito no vídeo, mas a energia da cantora tem ainda mais luz. Bela e potente voz, a cantora esbanja alegria e se revela ao grande público. Entre Salvador e turnês na Europa sua voz ainda não é muito conhecida em outras regiões do Brasil, mas agora nas mãos de uma gravadora de grande porte tem chance de chegar a novas praças.
A edição de arte é caprichadíssima, e os ângulos da câmera procuram belas fotografias. Fugindo dos closes tradicionais o DVD de Mariene de Castro tem cuidado de cinema.
O trabalho se destaca em um mar de lançamentos em DVD, assim como Mariene é nobre nome no recente cenário baiano. Com ótima seleção musical e bom gosto, Mariene mostra que a conhecida festa musical da cidade pode ser relevante e que os talentos de Salvador vão bem além das coreografias do axé. Sem fórmulas pobres de sucesso, a verdadeira baiana simplesmente é.
Por: Beto Feitosa, texto integral, site [Ziriguidum.com]




Site oficial da Cantora: [www.marienedecastro.com.br]