ESCRITORES

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A prosa poética de Inês Pedrosa

Inês Pedrosa
[Gosto do arrepio da tua língua na minha nuca, gosto que me digas quero mais quando creio já te ter dado tudo. Gosto das palavras obscenas que inventamos juntos, feitas de restos de barcos e impérios.]

A eternidade e o desejo, livro de grande força poética e sensualidade, em que a escritora portuguesa Inês Pedrosa tece uma história comovente sobre a busca do verdadeiro amor. Inês Pedrosa teve a ideia do romance durante uma viagem que fez ao Brasil em 2005. Nele, os personagens percorrem os mesmos lugares visitados no século XVII pelo jesuíta Padre Antônio Vieira.
Inês Pedrosa nasceu em Coimbra, é colunista do semanário Expresso, escritora de contos (Fica comigo esta noite), crônicas, ensaios biográficos e antologias, e publicou os romances A instrução dos amantes (1992), Nas tuas mãos (1997) e Fazes-me falta (2002).
A eternidade e o desejo (2008), seu primeiro livro ambientado no Brasil (Salvador), é o romance que confirma Inês Pedrosa como uma das autoras mais talentosas de sua geração, e chegou ao país justamente no ano em que se comemorou 400 anos do nascimento do padre Antônio Vieira.
Com uma narrativa suave, inteligente e simultaneamente profunda, que no desenrolar do enredo, capta a intemporalidade dos sentimentos humanos, Inês Pedrosa consegue fazer deste romance algo que é ao mesmo tempo história, lirismo, sensualidade e poesia.

Inês Pedrosa
[A tua cabeça rodou na direção do meu rosto, os teus olhos fecharam-se e a tua boca avançou para a minha, através de uma lenta rota de luz, risos e lágrimas. Quando os teus dentes morderam os meus lábios alguém gritou "Bravo!" como na ópera e eu soube que nunca uma rapariga havia sido assim amada.]

Nas tuas mãos, romance sobre as idades do amor eterno, vencedor do Prêmio Máxima de Literatura em Portugal, três mulheres - Jenny, a avó; Camila, a mãe; Natália, a filha - falam-nos dessa prodigiosa invenção do século XX: a intimidade.
Entre o diário da primeira, o álbum de fotografias da segunda, e as cartas da terceira, revelam-se sucessivos rostos da paixão numa sociedade em mudança.
A autora, com uma ficção cuidadosamente elaborada, uma escrita eficiente capaz de comover o leitor, convida-nos a imaginar o Portugal das últimas décadas medido e analisado pelas variáveis emoções de suas três protagonistas.

A eternidade e o desejo-[EDITORA OBJETIVA/ALFAGUARA], Nas tuas mãos-[EDITORA PLANETA]




SAIBA MAIS SOBRE A ESCRITORA, EM: [VÍDEO-1], [VÍDEO-2], [VÍDEO-3]

Os Íntimos - Inês Pedrosa




"As flores respondem à carícia do sol. Algumas delas florindo escandalosamente. Porque será que as pessoas, que aparentemente sabem muito mais do que as plantas, temem a floração do toque?" 
Inês Pedrosa, "Os Íntimos"

Leia ótima resenha sobre a obra de Inês Pedrosa em:
[www.livrosabertos.com.br/2012/03/26/os-intimos]

A escritora e jornalista portuguesa, diretora da Casa Fernando Pessoa em Lisboa, fala sobre seu livro, "Os íntimos", e revela sua paixão pelo Brasil, em especial pela música e pela literatura.
Saiba mais em: [www.saraivaconteudo.com.br/Art...]

Fica Comigo Esta Noite - Inês Pedrosa





EXCERTO 1:
"Enquanto os nossos camaradas celebravam nas ruas, nós fabricávamos o amor a partir do zero, no deslumbramento silencioso de um deus que subitamente descobrisse as coisas de que era capaz. Amávamo-nos como se o amor fosse apenas um suplente íntimo dessa revolução que nunca mais chegava. A revolução já tinha chegado, mas nós não sabíamos. Só em Junho de 1974 se lembraram de nós, fechados naquela casa clandestina. Muitas vezes, ao longo da minha vida, desejei que nos tivessem esquecido ali para sempre."

EXCERTO 2:
"Fechas a porta e começas a beijar-me, primeiro os olhos, depois o lóbulo da orelha, depois o pescoço, enquanto os teus dedos me abrem a camisa e me procuram os seios. Beijamo-nos de olhos abertos, como sempre, e é de olhos abertos que procuro cada uma das novidades do teu corpo, os sítios onde a tua pele dobra, o cheiro agora mais adocicado do teu sexo. Entramos um no outro de olhos abertos, como se mergulhássemos num mar de silêncio e fogo escuro. A meio da noite peço-te que me deixes ficar contigo um mês — “só um mês, prometo. Posso?” Não me respondes, claro. A não ser que os beijos sejam uma resposta, e eu preciso de acreditar que sim. Preciso dessa vida verdadeira que escondi debaixo da tua pele, antes que o cabelo me caia, antes que comecem os enjoos e as dores, antes que o meu corpo seja tomado pelo cheiro miserável da doença. Talvez para morrer eu precise do amor e da família. Mas para acabar de viver, só preciso de ti, desta febre azul a que os outros chamam só sexo."

Inês Pedrosa, “Só Sexo” in Fica comigo esta Noite, PUBLICAÇÕES DOM QUIXOTE, 6a edição