ESCRITORES

ESCRITORES

As Narrativas Labirínticas de Bernardo Carvalho


Integrante da coleção Amores Expressos, que reúne histórias de amor de escritores que viajaram para diferentes partes do mundo, a obra retrata os dilemas de uma Rússia contemporânea.
Escrito pelo carioca Bernardo Carvalho e lançado pela Companhia das Letras, a trama do livro se passa em São Petersburgo, na Rússia. A obra traz a história de três mães narrada em primeira pessoa. Uma tenta afastar o filho homossexual do Exército. A segunda abandona o filho cujo pai é checheno. A última sofre por ter perdido um filho que se suicidou e tenta tirar outros da guerra.
Carvalho foi editor e correspondente estrangeiro do jornal Folha de São Paulo. Escreveu Mongólia, O Sol se Põe em São Paulo, Nove Noites, Medo de Sade, As Iniciais, Onze, entre outros.
Em O filho da mãe, Bernardo Carvalho orquestra uma multiplicidade de vozes e pontos de vista, sem nunca perder de foco o motivo recorrente da maternidade, imbricado com o seu avesso: o sentimento de orfandade, de desamparo e desajuste, cuja representação mais crua é a guerra. “As mães têm mais a ver com a guerra do que imaginam”, diz a certa altura uma personagem. O livro, de certo modo, é a demonstração poética disso.
Embora o pano de fundo da história seja a segunda guerra da Tchetchênia, em 2003, Carvalho volta-se neste romance à figura da mãe, ao tema da maternidade. Serão as mães, moduladas e refratadas nas diversas histórias que aqui se entrelaçam, o fio condutor de uma trama singular, cujo resultado vem confirmar a posição do autor entre um dos mais originais e inovadores da literatura brasileira contemporânea.
São Petersburgo, cidade literária por excelência, é o epicentro da tragédia. Mas, como costuma acontecer nos livros de Bernardo Carvalho, a ação se expande vertiginosamente no tempo e no espaço. Do Oiapoque ao Nieva, de Grozni ao mar do Japão, chegam os estilhaços desses dramas nucleares de mães culpadas, filhos extraviados e pais tirânicos ou ausentes. Todas as personagens parecem, em alguma medida, estar fora do lugar, em famílias e países alheios — daí a força que adquire, no contexto, a figura monstruosa da quimera, aberração rejeitada pela natureza e pelo homem.
Romance de alta voltagem emocional, sem prejuízo do viés crítico e da complexidade da construção narrativa, O filho da mãe é um passo à frente na literatura sempre inquieta e surpreendente de Bernardo Carvalho.
Mais vídeos sobre a obra: [Vídeo-2], [Vídeo-3]
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