ESCRITORES

ESCRITORES

Clarice Lispector - Uma Visão Poética

Nascida em 10 de dezembro de 1920, Clarice Lispector, sagitariana, hoje completaria 95 anos. 
Nessa data tão especial, sugerimos a leitura do Dossiê Clarice Lispector, matéria da Revista EntreLivros, Edição-21: Um guia de leitura para decifrar o Enigma Clarice Lispector, composta dos artigos:
1- Retrato da mulher simples que havia no mito;
2- Nova fotobiografia revela suas múltiplas faces;
3- Pequeno roteiro para desvendar sua narrativa;
4- A genealogia da galinha na obra clariceana;
5- Um guia de leituras sobre a escritora;
6- Os escritores influenciados por Clarice;
7- Críticos do exterior descobrem a autora;
8- A psicanálise se aproxima da escritura clariceana.

Visão de Clarice Lispector  [Carlos Drummond de Andrade]

Clarice,
veio de um mistério, partiu para outro.

Ficamos sem saber a essência do mistério.
Ou o mistério não era essencial,
era Clarice viajando nele.

Era Clarice bulindo no fundo mais fundo,
onde a palavra parece encontrar
sua razão de ser, e retratar o homem.

O que Clarice disse, o que Clarice
viveu por nós em forma de história
em forma de sonho de história
em forma de sonho de sonho de história
(no meio havia uma barata
ou um anjo?)
não sabemos repetir nem inventar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice
que usamos de empréstimo, ela dona de tudo.

Clarice não foi um lugar-comum,
carteira de identidade, retrato.
De Chirico a pintou? Pois sim.

O mais puro retrato de Clarice
só se pode encontrá-lo atrás da nuvem
que o avião cortou, não se percebe mais.

De Clarice guardamos gestos. Gestos,
tentativas de Clarice sair de Clarice
para ser igual a nós todos
em cortesia, cuidados, providências.
Clarice não saiu, mesmo sorrindo.
Dentro dela
o que havia de salões, escadarias,
tetos fosforescentes, longas estepes,
zimbórios, pontes do Recife em bruma envoltas,
formava um país, o país onde Clarice
vivia, só e ardente, construindo fábulas.

Não podíamos reter Clarice em nosso chão
salpicado de compromissos. Os papéis,
os cumprimentos falavam em agora,
edições, possíveis coquetéis
à beira do abismo.
Levitando acima do abismo Clarice riscava
um sulco rubro e cinza no ar e fascinava.

Fascinava-nos, apenas.
Deixamos para compreendê-la mais tarde.
Mais tarde, um dia... saberemos amar Clarice.

Leia mais, em: [www.claricelispector.com.br]
                         [inquietudedopensamento.blogspot.com]

Postar um comentário