ESCRITORES

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Pedro Páramo - Obra-prima literária de Juan Rulfo

Considerado um marco e um dos mais influentes romances da literatura hispano-americana, tendo recebido elogios de escritores como Jorge Luís Borges, Carlos Fuentes, Octavio Paz, Günter Grass e Susan Sontag, o romance mais aclamado da literatura mexicana, Pedro Páramo é o primeiro de dois livros lançados em toda a vida de Juan Rulfo. 
A estrutura intrincada e inovadora assegurou o renome e a influência da obra sobre os escritores latino-americanos. O realismo fantástico como hoje se conhece não teria existido sem Pedro Páramo; é dessa fonte que beberam os escritores Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa.
O enredo, simples, trata da promessa feita por um filho à mãe moribunda, que lhe pede que saia em busca do pai, Pedro Páramo, um malvado lendário e assassino. Com uma linguagem direta e enxuta, a história é contada sem narrador definido em uma mistura de primeira e terceira pessoas, com alternância dos personagens na voz da primeira pessoa. Não há capítulos, e sim uma infinidade de fragmentos, que não seguem uma sequência temporal. O caráter de Pedro Páramo é deslindado pouco a pouco pelo autor por meio desses discursos múltiplos, fragmentados, desordenados e muitas vezes contraditórios. Pode ser considerado tanto um romance regionalista quanto pertencente ao gênero do Realismo Mágico, pois o texto, que começa no primeiro estilo, vai paulatinamente transformando-se no segundo à medida que a verdade se desvela a respeito de Pedro Páramo e da imaginária e surreal cidade de Comala. 

O escritor Luiz Ruffato fala neste episódio do "Livro de Cabeceira" sobre o romance "Pedro Páramo", de Juan Rulfo. Ele comenta, entre outras coisas, a respeito da influência que a obra-prima mexicana teve sobre sua própria linguagem.
Luiz Ruffato ocupa lugar de destaque na literatura brasileira. Mineiro de Cataguases e morador de São Paulo desde 1990, ele é autor de nove romances, além de livros de contos, poesias e ensaios. É também organizador de diversas coletâneas e antologias. Seu romance "Eles eram muitos cavalos" conquistou o Troféu APCA e o Prêmio Machado de Assis, em 2001.



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