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O mundo é uma cabeça - Chico Science e o movimento Manguebeat

O Manguebeat foi um movimento musical, e cultural por extensão, surgido no início da década de 1990 na cidade do Recife, sendo resultado de uma série de eventos que começaram ainda no final da década de 1970 e início da década de 1980, com o relaxamento da censura no Brasil por parte do Governo Militar. Relaxamento este que possibilitou a entrada de produtos culturais oriundos da Europa e dos Estados Unidos, como a literatura beatnik e as bandas do pós-punk, o que permitiu, segundo Galinsky, um tímido renascimento da cultura pop no Brasil. 
Segundo Teles, crítico musical da época e amigo pessoal de Chico Science (principal expoente do Movimento), havia um programa na Rádio Universitária chamado Décadas, do qual participavam Renato L., Herr Docktor Mabuse e Fred 04, que sofria influência direta dessas bandas. A importância desse programa reside na existência de um espaço potencial para a execução de músicas não absorvidas pelas rádios comerciais e pela indústria fonográfica. 
Outros eventos concorreram para sedimentar o terreno para eclosão do movimento Manguebeat, quais sejam: a proliferação de bandas de heavy metal e hard core, por volta do ano de 1987, que sem lugar para tocar, passaram a fazer seus shows num espaço chamado Arte Viva; Paulo André Pires, que foi produtor e empresário da Chico Science e Nação Zumbi (CSNZ), produtor do Festival Abril pro Rock, havia recém-chegado dos Estados Unidos e aberto uma loja de discos, a Rock Xpress, e começado a promover shows com bandas estrangeiras na cidade. Por meio da Rock Xpress, bandas como a CSNZ, a Mundo Livre S.A., a Loustal e o Lamento Negro pretendiam lançar um CD, intitulado “Caranguejos com Cérebro”, cujo press-release, escrito em 1992 por Fred 04, líder da banda Mundo Livre S. A., foi entregue à imprensa pelo próprio Paulo André, tendo sido publicado como Manifesto Mangue.
A partir de então, o Manguebeat, representado principalmente pelas bandas Chico Science e Nação Zumbi e Mundo Livre S.A., ao mesmo tempo em que atribuiu novos significados a gêneros da world music como o soul, o funk e a música eletrônica, também revitalizou os ritmos folclóricos pernambucanos, como o maracatu, o caboclinho e a ciranda
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O Manguebeat inseriu Recife e a música pernambucana e brasileira no debate sobre globalização, exatamente por fomentar a fusão de ritmos e o encontro do pop com o folk, permitindo o afloramento de uma discussão em torno das identidades locais, em que a cidade do Recife passa a ser reconhecida como uma metrópole latino-americana, com todos os seus hibridismos culturais.
Fonte: CAMPOS, Cynthia. Manguebeat. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: 08 de abril/2016

Documentário concluído e lançado no ano de 2004 aborda o movimento musical pernambucano Manguebeat com entrevistas e músicas de Chico Science e Nação Zumbi, Fred 04 e Mundo Livre, Gilberto Gil, Otto, Ortinho, Siba e Mestre Ambrósio.
Imagens inéditas de Chico Science, que conduz o curta a bordo do seu "galaxe" num passeio noturno pelo velho bairro do Recife.


Chico Science - Movimento Manguebeat [Documentário Completo]

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