ESCRITORES

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Samba Riachão - Expressão da Bahia na Cor, na Alegria e no Canto

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Cronista de sua cidade e do seu tempo, a cada fato marcante que acontecia, Riachão nos dava a notícia em forma de um novo samba. Assim foi com “O umbigão da Baleia”, “A morte do Alfaiate” “Pitada de Tabaco”e tantos mais.
Foi também o seu talento poético que pintou com tintas musicais e precisão o cenário mítico desta cidade: “Quem chega na Praça Cairu/Olha pra cima o que é que vê?/O Elevador Lacerda sempre a subir e a descer…/ É o retrato fiel da Bahia/baiana vendendo com alegria/coisinhas gostosas de dendê – acarajé!”
Quando Caetano e Gil voltaram do exílio imposto pela ditadura militar e decidiram fazer o primeiro show para um público brasileiro cheio de saudade, decidiram lançar um manifesto daquela nova fase de suas carreiras e vidas. Foram buscar em Riachão as palavras precisas para expressar o que eles queriam comunicar em alto e bom som: “Cada macaco no seu galho/xô, xuá/eu não me canso de falar, xô, xuá/meu galho é na Bahia, xô, xuá/ o seu é em outro lugar…”
Até o pop contemporâneo veio beber nas águas desse Riachão. O último grande sucesso de Cássia Eller é crônica de um Riachão em estado puro:” Ai, meu Deus/ai meu Deus o que é que há?/A nega lá em casa não quer trabalhar…/ Ela quer me ver bem mal/ vá morar com o diabo que é imortal…”
Imortal é você, Clementino. Malandro dos bons, capoeirista dos sons e das letras, expressão da Bahia na cor, na alegria e no canto.Valente, que atravessou todos aqueles que queriam atravessar o seu caminho, e chega aos 90 anos de absoluto sucesso, sem nunca ter deixado de ser o menino Clementino.
Hoje, 2 de Dezembro, dia do Samba, mais do que nunca e mais do que todos, parabéns, Malandro!
Por Jorge Portugal em belíssimo artigo sobre esse genial sambista:


Grandes Mulheres na História da Filosofia

Vistas no decorrer da história de modo secundário e até mesmo inferior, elas fizeram a diferença na história da filosofia.


Embora elas sejam centenas, milhares, apenas algumas ilustram os livros de Filosofia. Nos cursos, então, raras são citadas, como se a história nunca tivesse tido mulheres filósofas. Por sorte, isso é um grande engano. As mulheres não apenas fizeram Filosofia no decorrer da história, como uma grande diferença. Apenas pela constatação óbvia de que boa parte da história foi escrita por homens, brancos e da elite, elas foram subtraídas da maioria das enciclopédias, cursos e livros.
QUEM SÃO ELAS?
Não foram poucas as mulheres que fizeram Filosofia, e por vários motivos como alguns já citados acima, elas ficaram escondidas da História. É dificil encontrar referências sobre e de algumas delas. Entretanto, foram fundamentais não só na Filosofia, como nas mudanças do pensamento da época e até na formação de alguns filósofos bem famosos como Sócrates [ele teve como professora uma filósofa]. A seguir, conheça um pouco mais sobre algumas entre as milhares existentes. Parte das personagens descritas foram retiradas do trabalho de Ana Miriam Wuensch, “As Mulheres e a Filosofia” – da Apostila do Curso de Extensão “As Mulheres e a Filosofia III – Existem Filósofas?”, CESPE, Universidade de Brasília, 2003.
CONTINUE A LEITURA EM: [GRANDES MULHERES FILÓSOFAS] Por Priscila Gorzoni, Revista CP-FILOSOFIA, ESCALA EDUCACIONAL

VÍDEO CORRELATO: Conheça MULHERES FILÓSOFAS na história

Essa Terra - Narrativa visceral sobre a condição humana nas colagens autobiográficas de Antônio Torres

Antônio Torres, jornalista e escritor brasileiro, eleito em setembro de 2013 para ocupar a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, teve seu primeiro romance editado em 1972, intitulado "Um Cão Uivando para a Lua"; em 2007 venceu o Prêmio Jabuti por "Pelo Fundo da Agulha"; seus livros mais conhecidos são "Essa Terra" e "O Cachorro e o Lobo".
Aos 32 anos, Antônio Torres lançou seu primeiro romance, Um cão uivando para a Lua, que causou grande impacto, sendo considerado pela crítica “a revelação do ano”. O segundo “Os Homens dos Pés Redondos”, confirmou as qualidades do primeiro livro. O grande sucesso, porém, veio em 1976, quando publicou Essa terra, narrativa de fortes pinceladas autobiográficas que aborda a questão do êxodo rural de nordestinos em busca de uma vida melhor nas grandes metrópoles.
Hoje considerada uma obra-prima, Essa terra ganhou uma edição francesa em 1984, abrindo o caminho para a carreira internacional do escritor baiano, que hoje tem seus livros publicados em Cuba, na Argentina, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, Holanda, Espanha e Portugal. Em 2001 a Editora Record lançou uma reedição comemorativa [25 anos] de Essa Terra.

Para saber mais sobre a vida e obra do escritor Antônio Torres, acesse:


Para assistir a segunda parte da entrevista, acesse:
[https://www.youtube.com/watch?v=5HXBUwgWb8U]

Borges, mestre da prosa fantástica em textos curtos



Jorge Luis Borges (1899-1986), através de FICÇÕES e O ALEPH, seus dois livros fundamentais, mostrou por que é o mais conhecido e aclamado escritor argentino.
A maior obra-prima da faceta contista de Borges, apareceu em 1944, quando foi lançado o livro Ficções. Alguns dos contos mais famosos de Borges, como "Funes, o Memorioso", "A Biblioteca de Babel", "Tlön, Uqbar e Orbis Tertius", "O Jardim de Caminhos que se Bifurcam", e "A Loteria em Babilônia" integram o volume. A crítica argentina e internacional é praticamente unânime ao exaltar as qualidades da obra, considerado pela revista TIME um dos livros mais importantes de toda produção literária do século XX. Por tais qualidades, o autor recebeu o Grande Prêmio de Honra da SADE, a Sociedade Argentina dos Escritores e o Prêmio Interamericano de Literatura na I Bienal Internacional do Livro no Brasil.
Em 1949 foi lançado O ALEPH, julgado pela crítica especializada a segunda das obras-primas do autor. O aleph é considerado pela crítica um dos pontos culminantes da ficção de Borges. Em sua maioria, "as peças deste livro correspondem ao gênero fantástico", esclarece o autor no epílogo da obra. Nelas, ele exerce seu modo característico de manipular a "realidade": as coisas da vida real deslizam para contextos incomuns e ganham significados extraordinários, ao mesmo tempo que fenômenos bizarros se introduzem em cenários prosaicos. Os recorrentes motivos borgianos do tempo, do infinito, da imortalidade e da perplexidade metafísica jamais se perdem na pura abstração; ao contrário, ganham aparência concreta nas tramas, nas imagens, na sintaxe, que também são capazes de resgatar uma profunda sondagem do processo histórico argentino. O livro se abre com "O imortal", em que temos a típica descoberta de um manuscrito que relatará as agruras da imortalidade. E se fecha com "O aleph", para o qual Borges deu a seguinte "explicação" em 1970: "O que a eternidade é para o tempo, o aleph é para o espaço".
A obra de Borges é complexa, repleta de referências insuspeitadas e, por vezes, labiríntica e assustadora. Mas, por tudo isso, ela é também única e, como tal, tem potencial para envolver, alegrar, comover, incitar e aplacar nossa sanha de conhecimento. 

Coleção Biblioteca Borges, EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS