ESCRITORES

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Metáfora - Quando a poesia fala por imagens inesperadas

Música Metáfora - Gilberto Gil

A estética surrealista nos ensinou a produzir emoções inesperadas usando elementos contraditórios:

A poesia fala por imagens inesperadas, que nos forçam a pensar em algo pela primeira vez. Dos recursos básicos à disposição do poeta (ideia, música, imagem) a imagem talvez seja o que nos produz o impacto maior à primeira leitura, porque nos evoca o mundo dos sentidos e nos faz de maneira indireta ter experiências visuais, auditivas, táteis etc. por meio da palavra.
Quando Manuel Bandeira diz (em "Cantilena") que "o céu parece de algodão" está produzindo uma imagem visual porque se trata de um dia chuvoso e nublado, e também tátil, porque o acúmulo de nuvens no céu lembra a textura do algodão. Subindo um degrau na escala das metáforas, o poeta Marcus Accioly (em "Os bichos") fala de "um céu de dragões entre espadas vermelhas". Aqui, a imagem não pode ser tomada ao pé da letra pois busca sugerir um pôr do sol nos vastos espaços sertanejos. Os dragões e as espadas existem como projeções figurativas do poeta sobre as formas abstratas das nuvens e dos raios do sol.
O Surrealismo dos anos 20 foi um movimento importante para libertar a poesia. Em torno do poeta André Breton e da revista La Révolution Surréaliste, poetas criaram manifestos, polêmicas, bateram-se contra a crítica literária, o governo e o clero em nome de uma libertação do Homem que ia além da linguagem poética. Apesar de nascido na literatura, o Surrealismo tornou-se mais conhecido durante o resto do século 20 pelo cinema de Luís Buñuel e pela pintura de Salvador Dalí, Max Ernst e outros.
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Braulio Tavares em: [O Absurdo da Metáfora]  Revista Língua Portuguesa.
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