ESCRITORES

ESCRITORES

Arrumação - de Elomar Figueira Mello por Mônica Albuquerque




Jusifina sai cá fora e vem vê
ói os fôrro ramiado vai chuvê
vai trimina reduzi toda a criação
das banda da lá do ri Gavião
chiquêra prá cá já ronca o truvão


Futuca a tuia, pega o catadô
vamo plantá feijão no pó


Mãe Purdença inda num culheu o ái
o ái rôxo, essa lavoura tardã
diligença, pega pano e cum balai
vai cum tua irmã, vai num pulo só
vai culhê o ái, ái de tua avó


Futuca a tuia, pega o catadô
vamo plantá feijão no pó


Lua nova, sussarana vai passá
"sêda branca" na passada ela levô
ponta d' unha, lua fina risca no céu
a onça prisunha, a cara de réu
o pai do chiquêro a gata comeu
foi um truvejo c'ua zagaia só
foi tanto sangue de dá dó


Os ciganos já subiro o bêra ri
é só danos, todo ano nunca vi
paciênça, já num guento a pirsiguição
já sô um caco véi desse meu sertão
tudo qui juntei foi só prá ladrão


Futuca a tuia, pega o catadô
vamo plantá feijão no pó...

"Elomar é uma espécie de Guimarães Rosa da música. Ele retira do violão o som, o cheiro e as cores do sertão, sendo universal e mágico. Um trovador do sertão, identificado com a sua gente, com a sua terra." Alex Fabiani de Brito Torres
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