ESCRITORES

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A Literatura de Nuances Afetivas de Caio Fernando Abreu


Os Dragões não Conhecem o Paraíso

Escritor da paixão, como foi chamado por Lygia Fagundes Telles, o gaúcho Caio Fernando Abreu reúne, neste que é considerado o seu melhor livro, treze contos girando todos em torno do mesmo tema - o amor. Amor e sexo, amor e morte, amor e abandono, amor e alegria, amor e memória, amor e medo, amor e loucura são alguns de seus desdobramentos nestas histórias que formam uma espécie de retrato interior - tirado à beira do abismo - do Brasil de hoje.
Há, neste texto, loucura, amor bruto sem ponto final, respiração constante e intensa.
Quase sobrenatural a aproximação que o Caio faz dos nossos sentidos com o sentimento. Absurdo. (Opinião do leitor Rafael Gomes, Data: 14/4/2009)



Morangos Mofados

"As pessoas estão procurando o amor, ou enlouquecendo, ou discutindo à espera de um futuro".
[Caio Fernando Abreu sempre foi um narrador da falta. Seus personagens se movem como fantasmas pela vida urbana brasileira, seres com a consciência da própria incompletude afetiva e existencial, agarrando-se como podem a qualquer promessa de escape - do sexo à astrologia, das drogas ao I-Ching, da política à psicanálise. O que boa parte dos seus contos, novelas e peças de teatro expõem é a insuficiência dessas soluções - aquele momento em que o indivíduo se vê sozinho, indefeso em meio a um universo a que nunca poderá se integrar. ...]
[As influências de Caio nos anos 1970 - Clarice Lispector, Kafka, o existencialismo, em alguns momentos o realismo mágico latino e o hedonismo beatnik - eram as mesmas da nova década, mas agora estavam a serviço de uma literatura vista quase como metáfora, o inventário de uma juventude pega no contrapé pelo fim das utopias....]
[De forma geral, Caio deu uma resposta vigorosa, principalmente nos anos 1980. Como bom cultor dos paradoxos, ele fez da desolação matéria-prima para uma literatura encantatória. É como se a generosidade de sua prosa, que não poupa imagens, cheiros, gostos e um inesgotável estoque de nuances afetivas, fosse expressão de seu maravilhamento diante da vida, a mesma que lhe negou qualquer possibilidade de paz.
"A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso".
(Michel Laub, em resenha da Revista EntreLivros,  Edição-10)

Morangos Mofados: [Resumo Comentado dos Contos]



Assista ao curta-metragem de um dos contos: [youtu.be/kgq3Td4mYSo]

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