ESCRITORES

ESCRITORES

Escrita Criativa, Por: Eliane Brum, Stella Florence e Xico Sá

"Começo a escrever dentro de mim. Vou ao computador com o texto já em mim. Resolvo os meus conflitos pela escrita"

Tanto na reportagem como na ficção começo a escrever dentro de mim. Sou intuitiva na minha escrita. Dificilmente tenho bloqueios, porque quando vou para o computador a história já está dentro de mim.
O processo é como uma gestação. A reportagem começa em um movimento interno de esvaziamento - da visão de mundo, dos preconceitos, dos julgamentos. Sei que nunca vou me esvaziar por completo - não podemos esquecer que somos seres históricos. Volto preenchida pela voz que é do outro, pela história do outro. Fico com um humor muito particular, não converso por ninguém. Chego de viagens, de experiências incríveis e só consigo falar depois de escrever.
Na ficção é outro processo: o de ser possuído pela própria voz, pelas vozes do seu subterrâneo que você nem sabia que tinha. Também é uma apuração - dos seus interiores. Ela também começa dentro de mim. É um processo totalmente solitário. É preciso aguentar a angústia [...] 

"Escrever é cortar o ego do escritor. A técnica deve misturar-se à criação sem que percebamos"

Há uma frase atribuída ao Rubem Fonseca que considero perfeita: "Escrever é um labirinto cuja dificuldade não é encontrar a saída, mas a entrada".
Quando se encontra a entrada do texto, tem-se tudo - e não há como forçar esse encontro.
Eu costumava organizar notas, blocos, cadernos, até perceber que eu jamais esquecia o que realmente iria virar texto. Agora eu deixo que a memória funcione como um filtro.
De resto, trabalho todos os dias, em horários flutuantes.
Não tenho manias ou necessidades externas. Preciso apenas de concentração (isso pode acontecer em casa, num aeroporto, num bar, desde que não falem comigo) [...]

"Uma boa abertura é fundamental para vencer o déficit de atenção do leitor de hoje"

Nessa correria de hoje está todo mundo com déficit de atenção. Uma boa abertura é fundamental para abrir a porta ao leitor. Sem um bom começo há mais dificuldade na leitura. Penso numa frase de maior impacto para prender o leitor.
A linguagem com termos pouco usuais funciona, chama a atenção. No texto de internet, que é para o povo mais apressado ainda, jogo adiante dois ou três significados do termo, até brincando com ele. Para livros não tenho essa preocupação, pois imagino um leitor com mais reflexão, que possa ter o entendimento por ele mesmo. São expressões às vezes regionais, que eram usuais no português em desuso.
Acredito que tenha diminuído muito o tamanho do repertório no Brasil.
Quando o texto não sai, às vezes dou uma caminhada [...]
LEIA TEXTO INTEGRAL: Por, Alceu Luís Castilho na [REVISTA LÍNGUA PORTUGUESA]
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