ESCRITORES

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A hora e vez de Augusto Matraga - Guimarães Rosa

A hora e vez de Augusto Matraga é uma história de redenção e espiritualidade, uma história de conversão. Ao longo do seu enredo o protagonista, Augusto Matraga, passa do mal ao bem, da perdição à salvação. O agente desta passagem é o jagunço Joãozinho Bem-Bem. Podemos associar a ele o ditado: "Deus escreve certo por linhas tortas", pois é o malvado Joãozinho Bem-Bem que permite a morte gloriosa e salvadora de Matraga. A dualidade entre o bem e o mal parece marcar esse mundo de jagunços e fazendeiros, no qual há a possibilidade de conversão quando chega a vez e a hora certa das pessoas, como ocorreu com Matraga. Nhô Augusto renuncia à vingança, mas não à honra, e se regozija ao fim, radiante, ao se deparar com a hora e vez de ser Matraga, o homem que escolheu ser. Homem capaz de agir com coragem, justiça, fraternidade e compaixão. 
Na linguagem de Guimarães Rosa encontramos os jogos de palavras, o prazer lúdico, quase infantil, dos trocadilhos, das associações inesperadas de imagens, do trabalho sonoro e poético com a prosa. A pontuação das frases de Guimarães Rosa também está ligada a esta preocupação lúdica com a linguagem: trata-se sempre de associar o jogo de palavras aos elementos da narrativa (personagens, narrador, enredo, etc.) Com a pontuação, ele busca um ritmo que só pode ser encontrado na poesia do sertão, na marcha das boiadas, na passagem lenta e imperceptível do tempo, no bater das asas dos periquitos, no balançar sinuoso das folhas do buriti. Guimarães Rosa é, em conclusão, o criador de uma obra em que elementos da cultura popular e elementos da cultura erudita se mesclam para reinventar a força da linguagem sertaneja e mineira. Conhecedor de pelo menos dezoito idiomas, ao lado das palavras que traz do vocabulário sertanejo há várias construções importadas do latim, do francês, do inglês e do alemão em seus livros. Poucos como ele têm a capacidade de reunir a erudição das reflexões filosóficas à transposição do imaginário popular, sem menosprezar as primeiras, e simplificando o segundo. É o que vemos ao ler alguns trechos de Sagarana, onde percebemos o ritmo, a cadência, a fecundidade e o mistério, difícil de decifrar, de sua linguagem. 
Leia o texto completo, acessando:
[veele.files.wordpress.com/a-hora-e-vez-de-augusto-matraga.pdf]

Para ler o conto integralmente, acesse:
[Joao/Guimaraes/Rosa/Sagarana/Sagarana.pdf]

Transposição da obra para o cinema:



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