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Bovarismo Brasileiro - Maria Rita Kehl

A psicanalista Maria Rita Kehl, vencedora do Prêmio Jabuti de 2010, retorna às livrarias com a coletânea de textos Bovarismo brasileiro. Abarcando desde a literatura de Machado de Assis até um estudo de caso – o atendimento de um militante do MST –, a ensaísta passa ainda por reflexões acerca das origens do samba, do manguebeat, do período de expansão da rede Globo e da primeira campanha de Lula.

Maria Rita busca recompor uma parte do que chama de “quebra-cabeça inacabado chamado Brasil” ao analisar os sintomas sociais brasileiros a partir do século XIX, explicitando aspectos fundamentais para a formação cultural do país. Os ensaios trazem reflexões sobre o que hoje já se naturalizou entre nós, como o poder unificador da televisão, percebido com espanto na década de 1970, em plena ditadura militar, e a questão dos restos mal elaborados da escravidão na sociedade brasileira. 

Para dar liga às suas análises, a autora vale-se do conceito de bovarismo, cunhado pelo filósofo e psicólogo Jules de Gaultier com base na personagem Emma Bovary, de Gustave Flaubert, uma ambiciosa e sonhadora pequeno-burguesa de província que, à força de ter alimentado sua imaginação adolescente com literatura romanesca, ambicionou “tornar-se outra” em relação ao destino que lhe era predestinado. Maria Rita Kehl provoca: seria o bovarismo um sintoma da sociedade brasileira?

No processo conturbado e por vezes enganador da democracia brasileira dos últimos trinta anos, Maria Rita se destaca como uma precursora e fundadora da novidade crítica que se tornou a presença do psicanalista como intelectual público de seu tempo. Ao lembrar o início desse movimento, que coincide com o período de elaboração dos ensaios reunidos nesta coletânea, Tales Ab’Saber pontua a participação ativa da psicanalista na hermenêutica social e humana de nosso mal geral, tentando conceber o sentido dos impasses regressivos e da permanência da violência como cultura no país. “Em Bovarismo brasileiro, podemos acompanhar o amor de Maria Rita Kehl ao universo histórico da subjetivação no Brasil e sua ampla tentativa de localização nesse universo, o efeito da outra modernidade brasileira sobre a nossa produção cultural e simbólica tão particular e sobre uma psicanalista de forte engajamento democrático e social que, desde a década de 1980, se apresentou ao mundo com lucidez.”

Em entrevista ao ‘Nexo’, a psicanalista e escritora, que lança livro de ensaios pela Boitempo, discorre sobre o papel da psicanálise para entender o mundo, as patologias brasileiras e a radicalização da política.



Saiba mais sobre a autora, acessando: [https://web.facebook.com/mariaritakehloficial]

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