ESCRITORES

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O bêbado e a equilibrista - João Bosco & Aldir Blanc



“ (…) A esperança...
Dança na corda bamba
De sombrinha
E em cada passo
Dessa linha
Pode se machucar...

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show
De todo artista
Tem que continuar..."

(Aldir Blanc, em “O bêbado e a equilibrista”)

O cotidiano rasga a poesia de Aldir Blanc como uma tesoura mordendo o pano. É o seu corte, o seu feitio, a sua alfaiataria precisa, alta-costura literária cobrindo a vida em diagonal, como uma toalha de mesa de bar. Aldir está na fila do açougue, de bermudas no jogo do Vasco, o radinho colado na história de abandono do telefonema nas ondas curtas da madrugada.

Psiquiatra suburbano, letrista afiado, nascido e criado no Estácio, Rio de Janeiro, em sua galeria desfilam casais decadentes, amantes aturdidos de amor e amargura, escravos malandros ou enlouquecidos. Para não falar, é claro, das personagens dramaticamente extraídas de um boletim de ocorrência ou de um laudo médico terrível, diagnosticando irremediável solidão. 

Mas há na sua obra, para além dos aspectos políticos ou socioculturais, um domínio excepcional da complexa curva dramática que delineia uma canção popular, a exatidão matemática, cromática, o tempo explodido na língua que nasceu com o sambista e cresceu filosofando com o garçom e a fumaça do cigarro.
Por Marcílio Godoi, em [Realidade bêbada, poesia equilibrista] Revista Língua Portuguesa, edição - 116.
Para saber mais sobre a história da música "O bêbado e a equilibrista", acesse:



João Bosco - Quarenta Anos de Obra Plural

Aldir Blanc MPB
[...] A obra de João Bosco - construída de início com Aldir Blanc e logo sintonizada pelas antenas sempre ligadas de Elis Regina - se agigantou, incorporou outros parceiros e se tornou plural. De frente para essa obra genial, Bosco embaralha as cartas viciadas do mercado fonográfico e repisa sua caminhada com extremo requinte, sem clichês, neste CD e DVD 40 Anos Depois, ora postos nas lojas em edição do selo MP,B distribuída pela Universal Music [...]

Continue a leitura, em: [SARAIVA CONTEÚDO] - Com requinte e sem clichês, João Bosco revisa 40 anos de obra. 

A Canção De Frente pro Crime [João Bosco e Aldir Blanc, 1974] ganha na voz de Roberta Sá - e nas cordas recorrentes do Trio Madeira Brasil - leveza contrastante com o peso da imagem urbana retratada na letra de Blanc.

João Bosco & Hamilton de Holanda - Linha de Passe


João Bosco e Hamilton de Holanda em "Linha de passe", - sensacional.
Veja Também:

João Bosco - Site Oficial: [www.joaobosco.com.br]

Hamilton de Holanda - Site Oficial [www.hamiltondeholanda.com/pt]

Toca de tatu, linguiça e paio e boi zebu
Rabada com angu, rabo-de-saia
Naco de peru, lombo de porco com tutu
E bolo de fubá, barriga d'água
Há um diz que tem e no balaio tem também
Um som bordão bordando o som, dedão, violação

Diz um diz que viu e no balaio viu também
Um pega lá no toma-lá-dá-cá, do samba
Um caldo de feijão, um vatapá, e coração
Boca de siri, um namorado e um mexilhão
Água de benzê, linha de passe e chimarrão

Babaluaê, rabo de arraia e confusão...
...

Eh, yeah, yeah . . .

Eh, yeah, yeah . . .
Eh, yeah, yeah . . .
Cana e cafuné, fandango e cassulê
Sereno e pé no chão, bala, camdomblé
E o meu café, cadê? Não tem, vai pão com pão

Já era Tirolesa, o Garrincha, a Galeria
A Mayrink Veiga, o Vai-da-Valsa, e hoje em dia
Rola a bola, é sola, esfola, cola, é pau a pau
E lá vem Portela que nem Marquês de Pombal
Mal, isso assim vai mal, mas viva o carnaval
Lights e sarongs, bondes, louras, King-Kongs
Meu pirão primeiro é muita marmelada

Puxa saco, cata-resto, pato, jogo-de-cabresto
E a pedalada

Quebra outro nariz, na cara do juiz
Aí, e há quem faça uma cachorrada
E fique na banheira, ou jogue pra torcida
Feliz da vida

Toca de tatu, linguiça e paio e boi zebu
Rabada com angu, rabo-de-saia
Naco de peru, lombo de porco com tutu

E bolo de fubá, barriga d'água
Há um diz que tem e no balaio tem também
Um som bordão bordando o som, dedão, violação
Diz um diz que viu e no balaio viu também
Um pega lá no toma-lá-dá-cá do samba