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Cântico dos Cânticos - Erotismo e sensualidade na poética do Rei Salomão

O Cântico dos Cânticos ou Cantares de Salomão é um dos livros mais polêmicos da Bíblia. A polêmica ancora-se no fato do livro descrever um romance recheado de erotismo e sensualidade, encontrados em situações, detalhes e metáforas que enaltecem as partes dos corpos dos amantes. A grande pergunta que inquieta os leitores deste livro até os dias de hoje é: Como um livro com esse teor foi considerado sagrado?
O Cântico dos Cânticos é um texto bíblico fascinante e desafiador. Desde os primórdios seus poemas de amor erótico têm causado profusas discussões. Além do mais o erotismo não é um assunto comum nos textos bíblicos, permanecendo polêmico em todos os âmbitos da experiência e do conhecimento humanos.
Continue a leitura na tese de doutorado de Humberto Eugenio Maiztegui Gonçalves, em: 





Veja também excelente resenha e saiba mais detalhes sobre os Cãnticos de Salomão, acessando:
[https://youtu.be/WyGQSluoz-U?feature=shared]

Poesia, Suspense, Tragédia e Sensualidade na Literatura Bíblica

Livros Bíblicos, Literatura Biblica
Esta edição analisa a poesia, o suspense, a tragédia e a sensualidade presentes na Bíblia. O maior best-seller de todos os tempos deve sua notoriedade a motivos religiosos. Mas, o conjunto de textos que a integra pode ser apreciado também como literatura. É o que mostram os artigos reunidos neste número e escritos por autores que são conhecedores dos textos bíblicos. Eles mostram que em termos literários, há de quase tudo na Bíblia: parábolas, provérbios, longas narrativas e poemas.
Esta edição especial da coleção Biblioteca EntreLivros da Duetto Editorial não trata de uma única Bíblia. Fosse um trabalho de cunho religioso, poderia ser considerado ecumênico: o leitor encontrará referências à Biblia católica, à hebraica, à protestante. Mas não interessa , aqui, a fé. O recorte é eminentemente literário. Os autores dos artigos - todos profundos conhecedores dos textos bíblicos - também se basearam em várias edições. Em português, é possível encontrar traduções mais ou menos literárias da Bíblia católica. As versões aqui mais citadas são as que valorizam o texto.
O livro de que fala a seguir não é o que descansa dourado no porta-bíblia da sala de estar. É o que está na estante, junto a obras-primas, pedindo para ser lido, não com reverência, mas por puro prazer.

SUMÁRIO
Introdução, por Moacyr Scliar
No fascinante universo bíblico variedade é o que não falta nos livros. São numerosos personagens, narrativas e gêneros - histórias, poemas, ditos, profecias. O Texto é em geral sintético, e não raro há um elemento de suspense. Trata-se de um mundo de mistérios que iluminam e encantam há 3 mil anos.
A qualidade narrativa explica por que um livro que começou a ser escrito há quase 3 mil anos ainda tenha tantos e às vezes tão importantes leitores. Em suma, a Bíblia é um mundo, um universo. Cujos segredos continuamos a desvendar, para nossa iluminação, para nosso encantamento, ou para ambas as coisas.

Antigo Testamento, por Rafael Rodrigues Silva
Estão aí algumas das páginas mais caras da tradição literária:
Os Provérbios- Os provébios nascem da observação da realidade e do comportamento das pessoas. Os ditos e os provérbios são os tijolos com que foram construindo a casa da sabedoria. Em hebraico se diz mashal. Um mashal reflete a experiência de um grupo e representa o esforço do ser humano para defender a vida. Ou, melhor dizendo, a sabedoria nasce do desafio dos problemas da vida.
O Eclesiastes - Existem questionamentos sutis do Eclesiastes às novidades trazidas pela invasão helênica e os sinais de destruição, sobretudo aqueles relacionados com a perda dos grandes valores, tais como trabalho, justiça e solidariedade. A leitura do Eclesiastes, nos desafia a buscar o trabalho sem fadiga e a felicidade humana. Estes são temas caros na Bíblia e preciosidades do seu grande baú. Outras preciosidades estão lá dentro para serem exploradas e descobertas.
Cântico dos Cânticos - Polêmico pelo teor erótico, Cântico dos Cânticos é um livro escrito por volta de 450 a.C, formado a partir de cantos e poemas populares de amor impregnados de intensa sensualidade.

Novo Testamento, por Pedro Lima Vasconcellos
A vida, a morte e as narrativas de Jesus - Uma diversificada reunião de memórias, os 27 escritos, evidenciam a multiplicidade de formas de que se revestiu a experiência cristã originária e servem de ponto de partida para inúmeros desdobramentos literários nas gerações seguintes. Não podem existir escritos mais distintos na forma, no teor e no significado que o quarto Evangelho e o Apocalipse, de João, profeta visionário.

Literatura, por Flávio Aguiar
A influência na literatura do Ocidente - De Dante Alighieri, John Milton e Franz Kafka a José Saramago, o legado literário da Bíblia é amplo e variado. Nas letras brasileiras, José de Anchieta, Gregório de Matos e Oswald de Andrade são alguns dos autores que escreveram páginas que foram inspiradas, direta ou indiretamente, em passagens do livro sagrado.

Música, por João Marcos Coelho
Tudo começa com o canto gregoriano, no século IX, derivado dos cantos hebreus. Do século XVII ao XX, compositores como Bach, Haydn, Mozart e Stravinsky usam a Bíblia como inspiração, seja de modo direto, seja recriando livremente suas passagens. Na história da música, compositores de várias épocas e estilos recorrem ao universo bíblico para criar oratórios, missas, sinfonias e réquiens.

Artes e cinema, por Paulo Ghiraldelli Jr.
A imensa visibilidade dos últimos anos da vida de Jesus, que atigiu o ápice com a morte na cruz, seria, dois milênios mais tarde, explorada de todos os ângulos por Hollywood.
No Novo Testamento, a imagem de Cristo é central. Os artistas que pintaram Jesus, em sua maioria, sentiram a necessidade de expor seu corpo. No cinema, sua vida ganhou várias versões. Em O evangelho segundo Mateus, de Pier Paolo Pasolini, Jesus é temperamental. Na visão de Franco Zeffirelli, em Jesus de Nazareth, Jesus é mais brando, embora não deixe de contrariar seus familiares e de se impor desde cedo. Em A última tentação de Cristo, de Martin Scorsese, existe a disputa entre as vontades de Paulo, já pregador, e de Jesus.

Filosofia, por Paulo Ghiraldelli Jr.
A concepção filosófica pós-moderna, ao fazer distinção mais nítida entre os campos da religião e da ciência, facilita o retorno dos leigos a leituras religiosas antes condenadas pelo espírito positivista. Obras rechaçadas por incompatíveis com o saber podem novamente ser apreciadas do ponto de vista estético e filosófico.
A Bíblia tem sido uma das obras mais beneficiadas por essa abertura. A leitura desse livro, que é sagrado para muitos, não é mais prática restrita às pessoas de fé.
Filósofos contemporâneos não se espantam mais com a eventual penetração da religião no mundo atual. Mas estão preocupados, sim, com o embate desnecessário entre crentes e ateus ou agnósticos. Para eles, o que importa é perceber que se trata de narrativas diferentes que não competem entre si.
Os argumentos de Jesus, muitas vezes, são argumentos antes de um filósofo pragmático que de um pregador religioso.