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Beije-me onde o sol não alcança - Mary del Priore


Um conde russo, a herdeira de um barão do café do Vale do Paraíba e uma ex-escrava. Unindo as pontas do triângulo, paixões, tragédias, a moral hipócrita de uma época, grandes fortunas, falências, derrocadas... Neste romance que parte de fatos e personagens verídicos, Mary del Priore cria uma narrativa que prende o leitor desde a primeira página. 
O olhar da historiadora faz um retrato vivo do tempo e dos acontecimentos que o marcaram, mas é a história de amor de Maurice Haritoff, Nicota Breves e Regina Angelorum (nomes reais que parecem inventados) que nos arrebata. Com descrições de uma riqueza impressionante, Mary del Priore nos faz mergulhar na narrativa, nos carrega para dentro da história. 
Sentimos os cheiros, ouvimos os sons, vemos pelas frestas dos casarões um mundo onde convivem dramas, angústias, ambição, sensualidade, opressão feminina e religiosidade. Somos levados, ou nos deixamos levar. Difícil é voltar da viagem quando o livro acaba.

Saiba mais sobre a autora e sua obra, acessando: [marydelpriore.com.br]

O Sempre Um Papo​ e a Gerdau​ receberam em Setembro, a escritora e historiadora, Mary del Priore​, para o debate e lançamento de seu primeiro romance: “Beije-me Onde o Sol Não Alcança” (Editora Planeta). Baseada em fatos reais, a obra aborda a condição da mulher no século 19, a mobilidade social dos escravos e descreve também o cotidiano de grandes cidades, tais como o Rio de Janeiro, Paris e São Petersburgo.


História e imaginário no memorável romance "Viva o povo brasileiro"


Esta edição especial marca os trinta anos de publicação de um dos mais importantes romances surgidos na literatura brasileira no século XX. Viva o povo brasileiro, exuberante e complexa metáfora da formação de nossa identidade nacional, é obra monumental que já nasceu clássica, instaurando novo olhar ficcional sobre o passado do Brasil. A violência física e simbólica, os abismos sociais e os privilégios que os acentuam, a constituição de uma elite autoritária são encenados ao longo desta narrativa polifônica e lírica, muitas vezes irônica, que cobre quatrocentos anos de história. 
Poucas obras atingiram esse mesmo nível de complexidade, e pouquíssimas alcançaram êxito semelhante ao de Viva o povo brasileiro. Frequentemente, os “romances históricos” brasileiros resvalam para o didatismo maniqueísta ou o exotismo anedótico, mantendo o passado a uma distância segura. Neste romance sob todos os aspectos monumental, João Ubaldo Ribeiro empreende profunda e complexa reflexão sobre a formação da identidade nacional, construindo passagens e personagens que já nasceram clássicos, frutos de sofisticada elaboração literária que se traduz em minuciosa pesquisa de formas e linguagens — nas quais sobejam a ironia, o fantástico, o assombro místico e até certo lirismo. 
Viva o povo brasileiro é terrivelmente envolvente. Terrivelmente porque o livro encena, sem o menor pudor, a violência física e simbólica inerente à colonização da América portuguesa e, no início do século XIX, à instituição do Estado brasileiro — que, hábil em preservar privilégios e contrastes sociais ainda hoje tão indisfarçáveis, se constitui sobre o mesmo escravismo colonial.

- Para ler o primeiro capítulo, acesse: