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A Orelha de Van Gogh - Moacyr Scliar


Moacyr Scliar pode ser lido em doze idiomas, proeza em si espantosa para um autor brasileiro distante do pitoresco tropical, da saga político-social e das fórmulas consagradas do "realismo mágico" clássico. A orelha de Van Gogh ganhou o prêmio Casa de Las Américas, talvez o mais importante no âmbito da América hispano-portuguesa. Os contos de A orelha de Van Gogh espantam pela simplicidade formal, vizinha da parábola bíblica e do fabulário judaico, só que acrescida de um humor sutil e algo melancólico, do tipo que faz rir à mente a partir da construção de paradoxos muitas vezes cruéis. Tal é o caso, por exemplo, do conto que dá nome ao livro, modelo de concisão e ironia, onde uma situação humana quase trágica, tensionada por um detalhe mórbido, produz uma verdadeira "bofetada metafísica" no leitor, para usar expressão muito cara a Julio Cortázar.

"Os leitores estão convocados a descobrir os prazeres da obra deste mestre brasileiro."
[New York Times]
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