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Tá todo mundo mal: O livro das crises existenciais


"viver é se distrair do fato de que você irá morrer" Jout Jout

Em nova fase, o programa provocações, agora comandado por Marcelo Tas, recebe Julia Tolezano, conhecida como Jout Jout. Escritora e também jornalista, ela ficou famosa após o sucesso dos vídeos que publica em seu canal no YouTube, JoutJout, Prazer, que já soma mais de dois milhões de inscritos. No programa, conversaram sobre diversos assuntos como: feminismo, personalidade da vlogueira, relacionamento abusivo e muitos outros.

O programa #Provocações revisita o formato de entrevistas que estreou em 2000 e se consagrou nas mãos do eterno Antônio Abujamra, firmando um compromisso com a dúvida e, é claro, com a provocação. Agora com os pés no mundo atual e vestido com toda a tecnologia e interatividade inerente a Marcelo Tas.





Julia Tolezano da Veiga Faria, mais conhecida como Jout Jout, dona do canal JoutJout Prazer, nasceu em Niterói, Rio de Janeiro. Jornalista e youtuber, começou a gravar vídeos em 2014 e hoje possui mais de 2 milhões de inscritos. Ficou bastante conhecida nos veículos de comunicação após falar sobre relacionamentos abusivos no vídeo denominado [Não Tira o Batom Vermelho.]

Com milhares de fãs, e vídeos que quebram tabus e transformam a vida das pessoas, a youtuber Jout Jout lançou seu primeiro livro. O tema? Crises, é claro. Do alto de seus 28 anos, Julia Tolezano, mais conhecida como Jout Jout, já passou por todo tipo de crise. De achar que seus peitos eram pequenos demais a não saber que carreira seguir. Em Tá todo mundo mal, ela reuniu as suas "melhores" angústias em textos tão divertidos e inspirados quanto os vídeos de seu canal no YouTube, "Jout Jout, Prazer". Família, aparência, inseguranças, relacionamentos amorosos, trabalho, onde morar e o que fazer com os sushis que sobraram no prato são algumas das questões que ela levanta. Além de nos identificarmos, Jout Jout sabe como nos fazer sentir melhor, pois nada como ouvir sobre crises alheias para aliviar as nossas próprias!

Para ler trechos, acesse: 
[books.google.com.br/books/about/T%C3%A1_todo_mundo_mal.html]

[www.companhiadasletras.com.br/trechos/13991.pdf]

Biofobia - O existencialismo bizzaro de Santiago Nazarian

Com "Biofobia" Santiago Nazarian retoma, com toda a força narrativa, os aspectos ficcionais que marcaram seus romances anteriores. E com algumas novidades.
O aprofundamento nas neuroses, nas psicoses, na solidão, no "existencialismo bizarro" que promove a desorientação social e os pequenos e grandes vícios humanos - tudo isso está lá - com o plus de uma dose generosa de ironia cáustica (sem dúvida herança benéfica de "Mastigando Humanos" e "O prédio, o tédio e o menino cego", erroneamente interpretados como “livros juvenis").
Temos, assim, uma obra de ficção enxuta, visceral, bem formatada, construída, pois, com uma consciência profissional extrema. Apesar de não compartilhar do lugar-comum crítico que aponta essa ou aquela obra de um autor como "produto de uma maturidade estética", é preciso reconhecer que dessa vez estamos diante de um livro ligeiramente mais austero. Sem dúvida Nazarian já surgiu maduro na literatura – não por acaso estreou já premiado, em 2003, com "Olívio" – porém todo e qualquer traço estilístico invariavelmente se desdobra e melhora. Amadurece, enfim. E “Biofobia” registra esse momento.
Ao contrário de André, o protagonista, que se aloja num entre temporal (a casa de campo da mãe suicida) para revisitar o passado venturoso e renegar as forças perturbadoras da natureza que lhe impõem um futuro incerto, a linguagem do novo romance inicia um processo paulatino de desligamento da antiga coloquialidade pop e inaugura a nova fase ficcional do autor. Aqui, portanto, o domínio de Nazarian sobre as características peculiares a todas as suas narrativas se solidifica e confere ao romance o ajustamento pleno entre a sua mundividência autoral e a proposta da obra criada até agora.
Alguns outros traços dos três primeiros livros – sobretudo os de "Feriado de mim mesmo" – são retomados em "Biofobia". Um deles é o jogo de verdade e mentira na personalidade do protagonista e, claro, na própria voz narrativa perspectivada (o que aproxima o leitor do personagem e o prende no puro suspense do sentido – o suspense que acontece não na ação propriamente, mas no seu significado amplo dentro do enredo, gerado pela incerteza quanto aos fatos). Um segundo traço interessante é o clima de terror estabelecido a partir do cenário: a casa na qual André se asila por um final de semana a fim de retirar os objetos da mãe, ao mesmo tempo em que se esvazia e vira palco de alucinações, crimes e cenas pitorescas, torna-se refúgio contra a “natureza cruel”, faminta, do terreno em declive sobre o qual fora construída. Essa relação dentro/fora, que só exacerba o conflito entre o Eu e o Outro, trabalhada, aliás, por Nazarian em “Olívio”, “Feriado de mim mesmo”, “Mastigando humanos” e “O prédio, o tédio e o menino cego”, em “Biofobia” traz um detalhe diferente: o protagonista não se sente, como os precedentes, nem um pouco atraído pelo mundo “de fora”. E quem se atreve a invadir o seu interior é imediatamente ceifado.
Vale ainda citar as referências cômicas inseridas aqui e ali na narrativa – a maioria inspirada em obras e figuras da literatura, embora o protagonista seja músico e nada adepto a leituras. A cena em que ele e seu amigo dão combustão à lareira com livros (e nessa leva vai a Revista Granta, famosa no meio acadêmico, e até “Feriado de mim mesmo”) é hilária. Só perde em comicidade para a interseção de uma fala conhecida de Clarice Lispector, retirada de uma entrevista para a TV, com a da mãe do protagonista, também escritora famosa e convidada de um programa de entrevista.
Em suma, “Biofobia” não só marca o retorno de Santiago Nazarian à narrativa “adulta”, após cinco anos, como também evidencia a reconfiguração estética de um jovem (ou não mais tão jovem) escritor que, ao apresentar a crise existencial e profissional de um roqueiro quase quarentão e decadente, passa ao largo de qualquer possível conflito: traz a lume um romance extraordinário e de quebra cala a boca (e os dedos) dos que não creem em seu potencial artístico.
Por Rodrigo Lopes da Fonte, em texto reproduzido do blog do autor.




Para saber mais sobre o autor e sua obra, acesse:
[santiagonazarian.blogspot.com.br/p/obra.html]