ESCRITORES

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Só se vê na Bahia - Roberto Mendes & Jorge Portugal

Traz amor, traz amor,
Traz amor daquele que sabe amar
Traz amor, traz amor,
Traz amor daquele que sabe amar, traz

Pedra pisada de preto
Luso bantu sudanesa
Precipício de beleza
Reconvexa alegria
Ímã de toda utopia
Rima de toda riqueza
Tudo isso com certeza só se vê
Só se vê na Bahia (Bis)

Gente que tira alegria da dor
Do batecum do batente
Todas as cores de gente
Contas de todos os guias
Uma nação diferente
Toda prosa e poesia
Tudo isso finalmente só se vê
Só se vê na Bahia (Bis)



Só se vê na Bahia - Viva a Cultura Popular!

A Bahia tem uma cultura poderosa, evidenciada principalmente nas manifestações tradicionais. Esta foi a causa da [TV Bahia] lançar a campanha “Viva a cultura popular" e resgatar a trilha “Só se vê na Bahia “ de Jorge Portugal e Roberto Mendes.


SÓ SE VÊ NA BAHIA



Pedra pisada de preto
Luso bantu sudanesa
Precipício de beleza
Reconvexa alegria
Ímã de toda utopia
Rima de toda riqueza
Tudo isso com certeza só se vê
Só se vê na Bahia (Bis)

Gente que tira alegria da dor
No batecum do batente
Todas as cores de gente
Contas de todos os guias
Uma nação diferente
Toda prosa e poesia
Tudo isso finalmente só se vê
Só se vê na Bahia (Bis)

Traz amor, traz amor,
Traz amor daquele que sabe amar
Traz amor, traz amor,
Traz amor daquele que sabe amar, traz





Cássia Eller interpreta Riachão - Um clássico sambista da Bahia

Cássia Eller, de Riachão - Vá morar com o diabo

O menino Clementino adorava brigar. Saía de uma briga e já entrava em outra e parecia não querer descanso. Um dia, um velho sábio, vendo sua disposição para tanta briga, perguntou-lhe em puro baianês: Meu filho, você por acaso é algum riachão, que ninguém consegue atravessar?”
E assim Clementino virou Riachão, que atravessou nove décadas da vida, até aqui, sem deixar de brigar um só dia. Brigou com a inspiração, quando esta demorava a chegar, para compor mais um samba; brigou pela afirmação e sucesso de suas composições, brigou contra as adversidades da vida, que não foram poucas, mas sempre brigou com um sorriso nos lábios e a providencial prontidão dos sábios guerreiros.
Brigou muitas vezes sozinho, e muitas vezes ao lado dos seus irmãos de samba Batatinha, Edil Pacheco, Ederaldo Gentil, Walmir Lima, Panela e tantos outros nomes que fizeram da boa música baiana profissão de fé e terminaram escanteados ou esquecidos pelo jogo pesado de uma mídia movida pelo jabá e pelo mau-gosto.
Cronista de sua cidade e do seu tempo, a cada fato marcante que acontecia, Riachão nos dava a notícia em forma de um novo samba. Assim foi com “O umbigão da Baleia”, “A morte do Alfaiate” “Pitada de Tabaco”e tantos mais.
Foi também o seu talento poético que pintou com tintas musicais e precisão o cenário mítico desta cidade: “ Quem chega na Praça Cairu/Olha pra cima o que é que vê?/O Elevador Lacerda sempre a subir e a descer…/ É o retrato fiel da Bahia/baiana vendendo com alegria/coisinhas gostosas de dendê – acarajé!”
Quando Caetano e Gil voltaram do exílio imposto pela ditadura militar e decidiram fazer o primeiro show para um público brasileiro cheio de saudade, decidiram lançar um manifesto daquela nova fase de suas carreiras e vidas. Foram buscar em Riachão as palavras precisas para expressar o que eles queriam comunicar em alto e bom som: “Cada macaco no seu galho/xô, xuá/eu não me canso de falar, xô, xuá/meu galho é na Bahia, xô, xuá/ o seu é em outro lugar…”
Até o pop contemporâneo veio beber nas águas desse Riachão. O último grande sucesso de Cássia Eller é crônica de um Riachão em estado puro:” Ai, meu Deus/ai meu Deus o que é que há?/A nega lá em casa não quer trabalhar…/ Ela quer me ver bem mal/ vá morar com o diabo que é imortal…”
Imortal é você, Clementino. Malandro dos bons, capoeirista dos sons e das letras, expressão da Bahia na cor, na alegria e no canto.Valente, que atravessou todos aqueles que queriam atravessar o seu caminho, e chega aos 90 anos de absoluto sucesso, sem nunca ter deixado de ser o menino Clementino.
Hoje, 2 de Dezembro, dia do Samba, mais do que nunca e mais do que todos , parabéns, Malandro!
Por Jorge Portugal em belíssimo artigo sobre esse genial sambista:

Só se vê na Bahia [viva a cultura popular]





No livro Bahia de Todos os Santos: Guia de Ruas e Mistérios, Jorge Amado já dizia: “Na Bahia, a cultura popular entra pelos olhos, pelos ouvidos, pela boca, penetra sentidos adentro, determina a criação literária e artística, é sua viga mestra”. Essa cultura tão rica e diversa, fruto da miscigenação gestada na Bahia, é que levou este estado a ser tão singular e, por isso mesmo, imaginário do mundo.
[...]
Dar visibilidade à cultura popular contribui para sua preservação, e uma cultura forte e preservada faz da Bahia um estado forte e permite que ele avance numa linguagem contemporânea, pois a vanguarda bebe na fonte da raiz. Matrizes preservadas, vanguarda forte, se tem onde beber. É preciso pensar nisso. A visibilidade da cultura popular é também importante para que os jovens se interessem por ela.
[...]Viva a cultura popular, viva cada manifestação tradicional. Viva no sentido de saudação, mas também de vivência, de vida. Finalizo esta homenagem citando um trecho da música Só Se Vê na Bahia, de Jorge Portugal e Roberto Mendes, a mais perfeita tradução da beleza de nossas manifestações populares: “...precipício de beleza, reconvexa alegria, ímã de toda utopia, rima de toda riqueza, tudo isso, com certeza, só se vê na Bahia”.
Por: Sérgio Siqueira, produtor cultural, fotógrafo e gerente de produção da Rede Bahia.

Para assistir ao primeiro vídeo da série, acesse:

O tom substantivo do texto da canção "Águas de Março"


“Toda língua tem esse negócio de ‘É pau, é pedra’, não é, Pasquale?”

Quando me deu a honra de participar do “Nossa Língua Portuguesa”, o maestro Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim fez essa pergunta-explicação ao mostrar de onde tirou o mote para iniciar “Águas de Março”. Rudimentos de civilização, “pau” e “pedra” são substantivos por excelência. “Só tem substantivo nessa letra, não é?”, emendou mestre Tom, que disse ter escrito o poema “num pedaço de papel de pão, na beira do rio”.
Leitor voraz de enciclopédias e dicionários, doutor em urubus (o texto que escreveu na contracapa do memorável disco “Urubu” é uma aula sobre eles, em particular sobre o jereba), confessamente apaixonado por questões linguísticas e literárias, Tom, com “Águas de Março”, legou aos professores de português um belo atalho para uma boa aula sobre uma das classes de palavras, a dos substantivos.
O que é o substantivo? Por que tem esse nome? Há alguma relação entre “substantivo” e “substância” ou “substancial”? Qualquer semelhança não é mera coincidência. O substantivo tem o nome que tem porque é sempre a substância, o núcleo de um grupo de palavras do qual faça parte. A substância (ou seja, o núcleo) de “mulher bonita” é “mulher” (substantivo) e não “bonita” (adjetivo). Pode-se dizer que, grosso modo, o substantivo nomeia a substância do planeta. A etimologia nos lembra que substantivo é “aquilo que está por baixo”, isto é, constitui a base de todas as propriedades e qualidades, não só materiais, mas também espirituais.
Seja do mundo real, seja do mundo imaginário, o que substancia o mundo pertence à classe dos substantivos: pau, pedra, fim, caminho, resto, toco, caco, vidro, vida, sol, noite, morte, laço, anzol, peroba, campo, nó, madeira, caingá, candeia, matita pereira, vento, tombo, ribanceira, garrafa, cana, mistério...
Num primeiro momento, pode-se pensar que a paisagem descrita em “Águas de Março” seja a natureza em estado bruto, primitivo. Substâncias do mundo industrial (“caco de vidro”, “carro”, “prego”, “viga”, “garrafa”), no entanto, deixam claras a presença e a ação do homem, num universo de que fazem parte o primitivo e o “moderno”, a lama e o carro, o céu e o chão, a vida e a morte, o concreto e o abstrato. O tom substantivo do texto (e do que nele é descrito) é tão intenso que, mesmo quando se adjetiva, predomina o substantivo, presente em locuções adjetivas: “de vidro”, “de cana”, “de vento”, “de atiradeira”, “da manhã”, “de março”.
“Águas de Março” ficou conhecida pela gravação de Elis Regina, de 1972, mas Tom a havia lançado no antológico "Matita Perê", de 71, em que contou com a preciosa parceria de Paulo César Pinheiro na letra da canção que intitula o disco, dedicado a Guimarães Rosa. E foi em Rosa que Tom buscou inspiração para reforçar com processos verbais (expressos no gerúndio, forma nominal) o tom substantivo de “Águas de Março”: “vento ventando”, “pingo pingando”, “chuva chovendo”. Existe algo mais substantivo do que vento ventando, do que chuva chovendo, do que pingo pingando?
Talvez valha a pena lembrar dois detalhes interessantes. O primeiro é curioso. Como se sabe, é normal o processo de substantivação de qualquer palavra da língua. Paradoxalmente, a palavra “substantivo” (logo ela!) pode funcionar como adjetivo (como ocorre em “o tom substantivo do texto”, por exemplo).
O segundo detalhe se refere ao substantivo “águas”: é o único que está no plural. E são justamente elas, as águas de março, que promovem uma verdadeira lavação, lavadura, e, terreno limpo, (re)instalam “a promessa de vida no teu coração”. O abstrato “promessa” (“ato de prometer”) está prontinho para se concretizar no coração de João, no de José e no nosso (por que não?).

PASQUALE CIPRO NETO em: PENSO; LOGO ESCREVO no site [TÔ SABENDO MAIS]

Jorge Portugal, O Anísio Teixeira da era pós-moderna




Jorge Portugal, professor de renome, eclético, de linguagem aberta e descomplicada, e que, com variedade e descontinuidade dos temas, ensina nossa mente a raciocinar verbalmente oferecendo instrumentos eficazes à nossa expressão escrita. Esse baiano de Santo Amaro da Purificação (só esse fato deixa em elipse uma infinidade de informação), tem sido a pedra fundamental nos últimos 30 anos na Educação da Bahia, ensinando com maestria a escrever, redigir, expressar pensamentos, comunicar paixões, retirando milhões de aprendizes do abismo de não saberem se exprimir de forma inteligível e coerente.
Professor de Língua Portuguesa e Redação, consultor, poeta, escritor, compositor, palestrante, apresentador de televisão e atualmente secretário de cultura do Estado da Bahia, Jorge Portugal é referência nacional quando o tema é redação em língua portuguesa, levando a milhares de pessoas  a capacidade de dizer o que pensam, devolvendo-lhes o sistema neuronal, restituindo-lhes o senso crítico através da escrita.
Por merecimento inconteste, na entrada da cidade de Santo Amaro, deveria existir uma placa na qual  estampassem orgulhosamente os dizeres: "Esta é a terra de Jorge Portugal", um cidadão que tomou para si a responsabilidade social de educar com afinco, ética e dedicação exacerbada.

SAIBA MAIS, EM: [jeitobaiano.wordpress.com/tag/jorge-portugal]

JORGE PORTUGAL, EDUCADOR: [VÍDEOS]