ESCRITORES

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Ingresia - Ironia, humor e galhofa na verve sertaneja de Franciel Cruz


Franciel Cruz Ingresia
O livro é uma coletânea de contos sobre a Bahia, com histórias do cotidiano, inventadas ou não. “Tem textos sobre política, alguns pretensiosamente culturais e futebol. Selecionei de acordo com os temas, para costurar o livro, para um texto dialogar com outro. Não dividi por capítulos, mas o fluxo divide bem”. Franciel contou a ABI que “Ingresia” surgiu por insistência dos amigos que acompanhavam seus escritos. As noventa crônicas produzidas desde o início dos anos 2000 estavam registradas em blogs e nas redes sociais. “Nunca tive ideia de fazer livro, nunca tive pretensão no campo literário, está sendo uma surpresa”, afirma.
Descrito no prefácio por Cláudio Leal como “um narrador empurrando as portas do mundo” e “repórter de perguntas sem afagos”, Franciel tem um estilo cortante que mescla humor, ironia, hostilidade e lirismo, em uma intrigante contradição. No posfácio, Setaro diz que “a sua pena é da galhofa, da ironia, exercitando sempre no que diz e no que fala, o seu pessoal sentido de ironia, de ver as coisas da vida com peculiar humor”. Em referência ao famoso blog que deu origem ao livro, o crítico já refletia sobre o que chamou de “estilo francielliano”, uma maneira própria de mexer no verbo. Setaro considerava sua escrita distante dos discursos acadêmicos caracterizados, segundo ele, “pelo desprazer da leitura”. Como disse Xico Sá na orelha do livro, “besta é tu que ainda não conhecia a maldita ingresia”…
Leia o texto completo, acessando:



Para saber mais sobre a obra de Franciel, acesse:
[www.youtube.com/watch?v=0VsRg7h85qU]

Tripé do tripúdio e outros contos hediondos - Glauco Mattoso

Aos 60 anos, Glauco Mattoso continua explosivo e inovador. Depois de ficar completamente cego, vítima de um glaucoma que inspirou seu pseudônimo literário, Glauco adotou a forma fixa do soneto como forma de memorizar versos nada comportados.


Com linguagem ao mesmo tempo elaborada e divertida, Glauco Mattoso cria 25 histórias breves inspiradas em seus próprios sonetos. Todos os textos giram em torno dos temas que fizeram dele um dos mais celebrados poetas brasileiros da segunda metade do século XX: podolatria, cegueira, sado-masoquismo, escatofilia, homossexualidade e as hipócritas relações da sociedade com as “perversões sexuais” no dia a dia. Na imensa maioria das histórias, o autor é nomeado como personagem, estratégia narrativa que dá margem a leituras biográficas e coloca em xeque a construção da persona literária, remetendo a grandes nomes da tradição ocidental, de Hesíodo a Jorge Luis Borges. Assim, entre as narrativas reunidas neste livro, a que dá título a ele “Tripé do tripúdio”, por exemplo, descreve, em primeira pessoa, a situação em que o escritor é assediado por uma mulata em plena noite de autógrafos de um de seus livros. O namorado da mulher, ao ver a cena, diz para o narrador que ela sempre faz assim para enciumá-lo, ao que o personagem responde, para tranquilizá-lo, revelando-se gay. Incrédulo, o namorado insiste com o narrador, desconfiado de que este quer apenas disfarçar o flerte com sua namorada. O narrador e namorado, porém, insiste até que o conto termina com uma cena de felação entre os dois.
Em capa dura, em edição monumental como merece, Tripé do tripúdio é aparatado com detalhada cronologia e vasta bibliografia de e sobre o autor, posfácio de Antonio Vicente Pietroforte (escritor e professor de linguística na USP) e orelha de Italo Moriconi.



Xico Sá - Aventuras e desventuras dos machos perdidos e das fêmeas que se acham


Chabadabadá
"Xico Sá é um sábio escriba do Crato que ganhou o mundo e se tornou cidadão de tantas paragens quantas já tiveram a honra de sua presença. Neste livro de agudas crônicas nos propõe discutir o papel do homem e da mulher numa nova configuração social que já está dando demais na vista. Os medos, as inseguranças, a coragem delas (e a incapacidade deles) de chorar em público, de dizer “eu te amo”, de comprometer-se. Em suas inúmeras elucubrações, devaneios mil, Xico tenta realizar feitos de Hércules, impossíveis, como o de tentar decifrar os enigmas da mulher. Não chega a muitas conclusões, além do confessado fascínio e reiterada paixão, mas solta uma pérola dos gêneros: “homem é vírgula, mas mulher é ponto final.” O livro é composto de dezenas de pílulas de sapiência ofertadas por este sertanejo cosmopolita, filósofo cearense, oráculo de edificantes e alcoólicas noites, lembrando-nos que “se a vida dói, uísque caubói.”
Continue a leitura em excelente resenha sobre a obra de Xico Sá, acessando:

[...] Em CHABADABADÁ, com o sugestivo subtítulo Aventuras e desventuras do macho perdido e da fêmea que se acha, Xico analisa relacionamentos amorosos, o papel do macho moderno, as queixas femininas. Mas vai logo avisando: “Sim, a perdição do macho é real, mas não sou eu que vou procurá-lo, como digo no relato de abertura do livro”. Último dos boêmios, é justamente da boêmia, fonte onde bebe sem temer ressaca, que tira todas as narrativas, chistes, trocadilhos, máximas e frases de efeito.[...]

O homem de agora não é igual ao homem de antes. Depois que as mulheres saíram de casa, tomaram as rédeas e exigiram seus direitos, o macho jurubeba — patriarcal, provedor, senhor do lar — entrou em extinção. Mas o que tomou o seu lugar? O homem sensível? O homem metrossexual? O homem fofo? Neste Café Filosófico, o cronista Xico Sá discute os novos homens e as novas mulheres, e debate como o macho contemporâneo pode lidar com essa realidade tão nova e diferente.


Uma visão crítica e bem-humorada do modo de vida no Brasil - André Sant'Anna

Em O Brasil é bom, com uma visão crítica e irônica, André Sant'Anna escreve 22 contos fazendo uma releitura pop da vida brasileira. 
"As narrativas que compõem o volume fazem uma instigante releitura de vozes que povoam nosso cotidiano, cheio de opiniões, não raro, marcadas pela repetição de estereótipos difundidos das mais diversas formas: programas jornalísticos ou humorísticos, canções, telenovela, comentários postados na web, como vemos em "Comentários na rede sobre tudo o que está acontecendo por aí", "Felicidade", "Amando uns aos outros". Com os ouvidos e olhos atentos, André seleciona elementos de um vasto repertório e os combina em textos que oscilam entre a fina ironia e a mais ferina sátira aos tempos em que vivemos, passando também por momentos em que a delicadeza se deixa surpreender de modo inusitado, como no conto "Só", do qual foi selecionado o trecho abaixo."
Por Susana Souto, em [Obra Aberta], Revista Língua Portuguesa, Edição - 110.

Para ler o texto completo, acesse:

Para ler excelente resenha sobre a obra, acesse:
[www.revistaamalgama.com.br/06/2014/o-brasil-e-bom-andre-santanna]

Para ler um trecho, acesse: [www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php]

Trecho do Conto - "Só"

A oração interrogativa 
estabelece um diálogo com o leitor e o convida a refletir sobre a centralidade do dinheiro, no mundo contemporâneo, valorizado mais do que saúde, paz, amor, nos votos de fim de ano, festa de grande valor simbólico.
"No último réveillon, quantas pessoas desejaram dinheiro para você? 
Você está só porque ninguém se interessa pelos seus problemas, pela sua solidão, pelo seu dinheiro que você não tem, pela sua solidão intransponível, pelas injustiças que vivem acontecendo na sua vida, na vida.
Você está só porque a imagem de uma criança toda queimada, toda suja de lama numa maca cheia de moscas voando ao redor, é apenas uma imagem na televisão, patrocinada por um banco que finge ser seu amigo, finge estar à sua disposição no momento em que você mais precisar dele, aquele banco legal, aquele banco amigão.
Você está só porque tem dinheiro.
Você está só porque não tem dinheiro.
Você está só por causa do dinheiro.
Só dinheiro.
Só."





















(SANT'ANNA, André. O Brasil é bom. São Paulo: Cia. das Letras, 2014, p. 58)
Repetida exaustivamente, a afirmação "você está só" atua como espinha dorsal do conto, que aborda a incontornável solidão do homem contemporâneo. Ao mesmo tempo, reforça a proximidade entre o narrador anônimo e o "você", também indefinido, imagem do leitor a quem o narrador se dirige.
Ao longo desse parágrafo, aparece duas vezes repetida a palavra "solidão", uma delas, inclusive, qualificada pelo adjetivo "intransponível", o que a torna ainda mais dolorosa e inevitável.
Nesse trecho, o pronome possessivo "seu" não remete à posse, mas ao contrário, à ausência de posse, já que se trata, contraditoriamente, do "seu dinheiro que você não tem". 
 Inicialmente, a palavra "vida" está circunscrita ao indivíduo não nomeado a quem o narrador atribui "sua vida"; no entanto, no fim do período, amplia-se o seu significado e "vida" passa a englobar um sentido mais amplo e coletivo.
O discurso publicitário - que é também incorporado na repetição persuasiva da afirmação "você está só" - é aqui referido de modo explícito, quando o conto expõe os bastidores do mundo da notícia, patrocinado pelo banco, ironicamente, qualificado como "legal" e "amigão", que apenas "finge", verbo repetido duas vezes, se interessar pela vida dos clientes.
Nos parágrafos finais, a narrativa em prosa se aproxima da tessitura do poema. Mantém-se o uso da anáfora, com a repetição de "você está só", e variação apenas da segunda parte do sintagma, com pequenas variações: afirmação, no primeiro, negação no segundo e mudança do conectivo, no terceiro.
Apaga-se o pronome "você" e acentua-se a exclusividade do dinheiro como único elemento importante no mundo, na vida, "só dinheiro", enfatizando o processo de reificação, típico de uma sociedade de consumo. Por fim, numa espécie de degradação, apaga-se a palavra "dinheiro" e resta apenas "só", indicando a circularidade da narrativa. A solidão é uma espécie de círculo do qual não podemos escapar? - indagamos, entre tristes e esperançosos. 


“Cantantis Fricotis, Arretadus Sumus. Axé-Babá, Dendê Est”

Brasília – Eu não sei o que a Bahia está fazendo que ainda não se tornou independente desse País engrezilhado e empepinado que é o Brasil! Saibam os senhores, senhoras e senhorinhas que me leem que até os gaúchos – um povo muito bom e decente, mas que vive para chupar bomba de mate e chamar os outros de tchê – pensam em mais uma vez se independizar, num repeteco pouco glorioso da República de Piratini, enquanto a gente, na Bahia, fica no bem-bom, logo a gente que tem experiência de independência, bastante lembrar o escarcéu que fizemos com os portugueses aí pelos odes ao Dois de Julho. 

Ora, se naquela época, quando a Bahia não era a Bahia de hoje, a gente jogou pesado na chamada pugna imensa, travada nos cerros, e ganhou a independência no berro, por que logo hoje, em sendo a Bahia a potência industrial, cultural, artística, culinária, religiosa, futebolística, política e outras íticas mis que é, nos damos por conformados e ficamos atrelados aos grilhões vis que nos prendem a um Brasil que deve a gato e cachorro e que todo mundo esculhamba no estrangeiro? Onde está o bom senso e a razão, a valentia e o tesão desse vetusto povo baiano, que ainda não descobriu que tem tudo para fazer da Bahia Velha de Guerra um próspero país, verdadeira ilha da felicidade dos trópicos, com suas fronteiras e símbolos, hinos e bandeiras? 

Creio que é tudo uma questão de fazer a hora. Não importa quem, se um vereador de Quijingue, ou um deputado por Pilão Arcado, se um negão da Boca do Rio ou o Beijoca, alguém tem que se munir de uma arma – uma faca – três tostões – ou um badoque, uma espingarda de socar pela boca ou um prato de arraia mijona – e, erguendo-a aos céus, bradar, do alto de um trio ou de cima de um jegue, do Largo da Mariquita ou às margens plácidas do Dique do Tororó, um grito qualquer que, por originalidade, não deveria ser Independência ou Morte, mas algo tão viril quanto “nóis baiano samos fogo e num queremo mais zorra nenhuma com o Brasil. Vamos botá pra ferver...!” Aí é só fechar as fronteiras e esperar que a brasileirada esperneie, porque só vai ficar no esperneio mesmo, que essa raça de frouxo não é de nada, e depois não vai querer passar o vexame que o povo muito mais especial já passou por aqui, quando quis procurar lera com a gente. Quem duvidar que pergunte aos holandeses, de quem antepassados, em momento de má inspiração, invadiram a Bahia e, ou viraram pirão pra xaréu e baiacu, nas águas de Itaparica, ou tiveram que se picar encagaçados ante nossa fúria patriótica. 

Pela luz que me alumia (enquanto a Coelba não entra em greve!) que temos tudo para ser independentes. 
Autossuficientes em petróleo e em candidatos à Presidência da República, temos também, no dizer de nossos locutores de rádio (que são, igualmente, os melhores do mundo) “o maior carnaval de rua de todo o universo”. A nossa música é a nossa música e de não mais ninguém e o nosso Bahêa é esse time que os senhores bem conhecem e que está – ele sim, a verdadeira Seleção – a dar pau em time de tudo quanto é canto do mundo, até mesmo da Venezuela. E as nossas muitas milhas marítimas? Haverá porventura outras tão azuis-verdejantes, piscosas e belas? 

Até de língua somos ímpares. Falamos um dialeto que tem que ser traduzido juramentadamente para os não-iniciados, não é mesmo meu Rei? No campo da mulherada, sem duplo sentido, matamos a pau, também. É só lembrar Marta Vasconcelos e o outra Marta, a Rocha, a das duas polegadas a mais. Temos Academia Bahiana de Letras, escritores sem livros, cineastas sem filmes, e poetas sem rimas.Temos uma religião oficial, eclética, bela e eficaz, que mistura santo com comida, pipoca-branca com hóstia, encruzilhada com catedral e coruja-ebó com monsenhor, de maneiras que a independência está às mãos, é só alguém virar  cavalo de Simon Bolívar ou D. Pedro, inflar o impávido peito (sem esquecer de comprimir os efluviais gases de dandá e milome) e dar um nó de corpo na História, fazendo da Bahia um novo e glorioso país. Com dívidas também, é bem verdade, mas com toda a disposição de sentar com os credores, em volta de umas brahmas com pititingas fritas e arreglar: “Devemos, não negamos, pagaremos quando puder, de formas que em vez de nos preocupar porque lhes devemos, vocês é que têm que se preocupar, não é verdade? A propósito, o doutor aí não quer um acarajé, por acaso?”. 

Tenho a absoluta certeza de que seríamos ainda mais felizes. Não sei se terei vida e saúde para ainda ver tremulando nos mastros o novo pavilhão nacional da Bahia. Como vocês sabem, pimenta e birita são duas desgraças para o fígado. E em sendo assim, não há fígado que sempre dure nem cirrose que nunca se acabe. Já pensou, tremulando aos céus da Bahia, o altaneiro pendão encarnado, azul e branco, centralizado por um alguidá fervilhante e transbordante de esfuziante moqueca de siri-mole, tendo bem abaixo, escrito em letras indeléveis, o nosso lema: “Cantantis Fricotis, Arretadus Sumus. Axé-Babá, Dendê Est”? O que significa? E eu sei lá, mas se o senhor, por falta de melhor fazer, sair pelo mundo lendo lemas de bandeiras, constatará que todos eles também não significam zorra nenhuma...

Texto hilariante do Jornalista Fernando Vita, extraído de Ultraleve – Livro de crônicas editado pelo jornal A Tarde, 1989, idealização e coordenação editorial de Tasso Franco com ilustrações e capa de Setúbal. Textos de Cora Lima, Fernando Vita, Chico Ribeiro, Alex Ferraz, José Augusto Berbert, José Umberto, Luís Eduardo Dórea, Marcos Venâncio, Oleone Coelho Fontes, Setúbal, Péricles Diniz, Sérgio de Souza e Tasso Franco, o qual, pontua com duas crônicas: O cemitério das almas e How do you do, baby?

Para saber mais sobre a obra do jornalista Tasso Franco, acesse:

Diário Bordô e outras pequenas vastidões

"Escrevo o que acredito ser parte de tudo que vivo e observo. Alguns costuram, outros compram ingressos para o cinema, outros mais se ocupam do vento. Eu escrevo. Somente." Letícia Palmeira

Sobre o livro:
"Fico pensando na linearidade, no fio da vida (eu que nunca pensei na vida como um fio!). O livro vai e passa pelas datas, pelos meses. Vai cronológico e dá essa web-cara, esse ar de diário moderno, de bordo bordado, transbordando. Bordoando. E é assim que me sinto, bordoado. De olho roxo, lilás de alegria por me reconhecer nela, não me sentir mais só enquanto demasiado humano. Se Álvaro de Campos a tivesse lido, veria que Palmeira também leva porrada e faz questão de expor o hematoma, como quem grita que aqui, aqui há gente.
Advirto — importante! — a Letícia Autobiográfica aqui presente, apesar de apontar seus caprichos, nada tem de revista de banca. Subverte a lírica e vai de encontro a um existencialismo pulsante. Propõe densidade. “Mas veja que bobagem a literatura que não arde”. Arde sem doer, feito amor de Camões. Ardido, Diário de Bordo é um olhar sobre o ofício de escritora, pinceladas sobre o processo criativo desses textos fecundos, como se bebês já discorressem sobre a união de coxas que os conceberam.
Dada altura a Mulher dispara: “Escrever é gozo e também uma longa corda que nos enforca.”. Convido o leitor corajoso, então, a esse orgasmo suicida."
Por Eder Asa - ator, escritor, no blog da autora.


Saiba mais no Blog da autora [leticiapalmeira.blogspot.com.br]

Feliz Por Nada - Martha Medeiros

“Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve.”


É com a força transformadora de um abraço que Martha Medeiros abre este novo livro de crônicas e é com a mesma singeleza e olhar arguto para o cotidiano que a escritora ilumina algumas das questões mais urgentes do século XXI. A destacada romancista, cronista e poeta, que já teve obras adaptadas para o cinema, para a tevê e para o teatro, fala aos leitores com a sinceridade de um amigo e materializa as angústias e os anseios da sociedade pós-tudo, que vive acuada sob o grande limitador do tempo. Nesta coletânea de mais de oitenta crônicas, Martha Medeiros aborda temas muito diversos e ao mesmo tempo muito próximos do leitor. A autora tem o dom para aproximar assuntos por vezes fugidios – como é próprio do cotidiano – de questões universais, como o amor, a família e a amizade, e criar lugares de reconhecimento para o leitor, como ao falar de Deus, dos romances antigos e novos, da mulher, de escritores e cineastas que são imortais, de se perder e se reencontrar, do que a vida oferece e muitas vezes se deixa passar. “Feliz por nada”, afirma Martha Medeiros, é fazer a opção por uma vida conscientemente vivida, mais leve, mas nem por isso menos visceral.
SAIBA MAIS EM: MARTHA MEDEIROS [VIDA & OBRA], [MARTHA MEDEIROS - ENTREVISTA]