ESCRITORES

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Onde eu Nasci Passa um Rio








Uma jornada emocionante às margens do rio São Francisco, onde a busca por identidade e redenção se entrelaça com os mistérios do destino e do livre-arbítrio. [LINK PARA COMPRAR O LIVRO NA AMAZON]

Inspirado na clássica narrativa “Édipo Rei” de Sófocles, o romance apresenta a comovente jornada de um filho em busca de sua mãe desconhecida. Navegando pelas cidades ribeirinhas que margeiam o rio São Francisco, Edinho se vê imerso em uma série de eventos que trazem à tona os mais profundos questionamentos sobre a natureza humana diante do sofrimento e da morte.

À medida que ele avança em sua busca, testemunhamos a complexa interação entre destino e livre-arbítrio. Suas convicções são confrontadas quando conhece Maria, uma sensual dona de bordel que parece atrair o rapaz para si. Em uma narrativa que mescla a cultura local com uma trama clássica, somos confrontados com as consequências que a falta de afeto materno é capaz de causar na vida de um homem.

Numa ode à tragédia Édipo Rei, de Sófocles, Luiz Neves Castro recria, com maestria, os passos que este clássico percorreu, mas agora ambientado nas cidades ribeirinhas do vale são-franciscano.

Não é qualquer escritor que consegue inspirar-se em uma história tão original e transpassá-la ao interior do Brasil. O sucesso deste livro se dá graças à genialidade e ao lirismo com que Luiz dedicou-se a cada página.

Com toques de drama e sensibilidade, recorremos a um personagem capaz de nos fazer questionar até onde vale a pena procurarmos por uma pessoa que não nos quis. Este livro é capaz de ressignificar o desejo de ser amado e o papel feminino da mãe na vida de um filho.

"Onde Eu Nasci Passa um Rio" não apenas ecoa a antiga tragédia grega, mas também nos desafia a refletir sobre nossas próprias jornadas, sobre as escolhas que fazemos e os caminhos que seguimos em busca de respostas e redenção.

"Sabia e por que não evitou? Não pôde evitar? Que impulsos escondidos no âmago de sua alma fizeram-na cometer ato tão nefando, tamanho desvario? Num caso assim, foi vontade de Deus? Do Diabo? Ou a consonância da vontade simultânea de ambos?".

Por: Brenda Gomes M. Graduada em Escrita Criativa - PUCRS e Especialista em Leitura Crítica na LC - Agência de Comunicação.

O Nacionalismo na Arte Musical de Heitor Villa-Lobos


O maestro Heitor Villa-Lobos (1887–1959), o mais importante compositor brasileiro de música erudita, destaca-se por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, sendo considerado o maior expoente da música do modernismo no Brasil, compondo obras que enaltecem o espírito nacionalista onde incorpora elementos das canções folclóricas, populares e indígenas.
SAIBA MAIS EM:
- [blogln.ning.com/profiles/blogs/viva-villalobos] (Excelente material do Portal Luis Nassif)

VÍDEOS:
[MELODIA SENTIMENTAL] (João Bosco), [O TRENZINHO DO CAIPIRA] (Boca Livre), [BACHIANINHA-1] (Yamandu Costa e Toquinho), [O TRENZINHO DO CAIPIRA] (Orquestra Sinfônica Brasileira), [BACHIANAS-5] (Amel Brahim-Djelloul)

DOCUMENTÁRIO HEITOR VILLA-LOBOS: [REDE MANCHETE]

VÍDEO ESPECIAL DA TV BRASIL:

Ler Hilda Hilst - Uma aventura obscena de tão lúcida

O contato com quaisquer títulos de Hilda Hilst poderá tornar clara a especial combinação entre uma estrutura sempre fiel a si mesma e uma expressão disposta a superar-se. Por essa razão, a entrada no universo hilstiano pode se dar por qualquer porta (poesia ou prosa) - desde que o leitor não tema enfrentar uma obra empenhada em provocá-lo e, muitas vezes, agredi-lo. 
[...]
Ler Hilda Hilst é sempre um exercício crítico: sobretudo em relação aos próprios livros, pois é de se supor, pelos seus esforços, que a autora jamais concordaria com Karl, um dos narradores de Cartas de um sedutor. "Teve gente pensante no planeta, mas tudo continua igual".
Por Luisa Destri, Revista Metáfora - Edição 6

Saiba mais sobre a obra de Hilda Hilst, acessando:
[revistacult.uol.com.br/home/hilda-hilst-as-faces-espelhadas-de-eros]

Amplie, folheie a revista Metáfora até as páginas 33, 34 e 35, e leia o texto completo.


A Razão Gulosa - Literatura e Filosofia juntam-se à Gastronomia












Existe em Ribeira do Pombal, cidade situada na região nordeste da Bahia, um restaurante cujo nome "A Razão da Gula" foi inspirado no livro "A Razão Gulosa - Filosofia do Gosto" do filósofo francês Michel Onfray.
O município de Ribeira do Pombal tem o seu nome em homenagem ao primeiro-ministro do reino de Portugal, Sebastião José de Carvalho e Melo, déspota esclarecido, popularmente conhecido como Marquês de Pombal.
A seguir, resenha do livro escrita na primeira contracapa do cardápio do referido restaurante:
Michel Onfray está acostumado às críticas dos puristas. Afinal, ele luta para que a filosofia passe a encarar o corpo por inteiro. Ao falar de gastronomia, um de seus assuntos preferidos e tema de "A Razão Gulosa: Filosofia do Gosto", ele faz uso de todos os sentidos, incluindo, obviamente, o paladar e o olfato, discriminados por muitos dos colegas, que preferem enfatizar a visão e a audição, ao discorrerem sobre pintura e música, assuntos considerados mais dignos.
Onfray, hedonista até os últimos limites, pregando, acima de tudo, o prazer imediato, sentiu o doce sabor da revanche em 1993. Neste ano, ele recebeu o Prêmio Médicis de Ensaio, ao derrotar o favorito, o ilustre filósofo Gilles Deleuze, com seu livro "A Escultura de Si".
Rebelde, o autor joga mais lenha na fogueira, com a publicação do premiado "A Razão Gulosa": ele confere uma dignidade filosófica à gastronomia, arte efêmera e, portanto, representante hedonista. Ele quebra tabus, ao lançar a ciência da gula e invocar todos os sentidos, na relação com o vinho e a comida.
Através de uma agradável visita às mesas de várias épocas, o autor derrama sobre nós camadas de conhecimento, sob uma nova ótica. Presta um tributo a Dom Pérignon pela invenção do champanhe, fascina-se com a mágica preparação das aguardentes e celebra os banquetes do pai da crítica gastronômica, Grimod de La Reynière.
Um hedonista vulgar? Ledo engano. Onfray reverencia o ser, em contrapartida ao ter, ao consumo desenfreado. Seu hedonismo filosófico busca os atos conscientes. Ele, por exemplo, distingue embriaguez de ebriedade, este, um estado em que experimentamos a leveza, quando "o homem ainda se situa como sujeito da ação". O enófilo aponta a bebida como uma das chaves para a felicidade. Ao ingeri-la, Dionísio - o deus da festa - supera, momentaneamente, o racional Apolo. Afinal, "o vinho faz do corpo algo mais que um simples envelope do espírito: ele entusiasma, leva ao êxtase".
Além das viagens às adegas, Onfray passeia pelos rituais chineses do chá, pela Nova Cozinha e pela culinária futurista de Marinetti. E, por fim, celebra o hommo bulla, já que "a existência não durará mais do que as bolhas", diz, aproximando-se de Nietzsche. Sigamos, portanto, a sugestão do autor: "carpe diem", aproveite o dia. E, é claro, sua aula de refinada gastronomia.

Como levar uma vida filosófica - Michel Onfray - (legendado)

Samba Riachão - Expressão da Bahia na Cor, na Alegria e no Canto

[...]
Cronista de sua cidade e do seu tempo, a cada fato marcante que acontecia, Riachão nos dava a notícia em forma de um novo samba. Assim foi com “O umbigão da Baleia”, “A morte do Alfaiate” “Pitada de Tabaco”e tantos mais.
Foi também o seu talento poético que pintou com tintas musicais e precisão o cenário mítico desta cidade: “Quem chega na Praça Cairu/Olha pra cima o que é que vê?/O Elevador Lacerda sempre a subir e a descer…/ É o retrato fiel da Bahia/baiana vendendo com alegria/coisinhas gostosas de dendê – acarajé!”
Quando Caetano e Gil voltaram do exílio imposto pela ditadura militar e decidiram fazer o primeiro show para um público brasileiro cheio de saudade, decidiram lançar um manifesto daquela nova fase de suas carreiras e vidas. Foram buscar em Riachão as palavras precisas para expressar o que eles queriam comunicar em alto e bom som: “Cada macaco no seu galho/xô, xuá/eu não me canso de falar, xô, xuá/meu galho é na Bahia, xô, xuá/ o seu é em outro lugar…”
Até o pop contemporâneo veio beber nas águas desse Riachão. O último grande sucesso de Cássia Eller é crônica de um Riachão em estado puro:” Ai, meu Deus/ai meu Deus o que é que há?/A nega lá em casa não quer trabalhar…/ Ela quer me ver bem mal/ vá morar com o diabo que é imortal…”
Imortal é você, Clementino. Malandro dos bons, capoeirista dos sons e das letras, expressão da Bahia na cor, na alegria e no canto.Valente, que atravessou todos aqueles que queriam atravessar o seu caminho, e chega aos 90 anos de absoluto sucesso, sem nunca ter deixado de ser o menino Clementino.
Hoje, 2 de Dezembro, dia do Samba, mais do que nunca e mais do que todos, parabéns, Malandro!
Por Jorge Portugal em belíssimo artigo sobre esse genial sambista:


Grandes Mulheres na História da Filosofia

Vistas no decorrer da história de modo secundário e até mesmo inferior, elas fizeram a diferença na história da filosofia.


Embora elas sejam centenas, milhares, apenas algumas ilustram os livros de Filosofia. Nos cursos, então, raras são citadas, como se a história nunca tivesse tido mulheres filósofas. Por sorte, isso é um grande engano. As mulheres não apenas fizeram Filosofia no decorrer da história, como uma grande diferença. Apenas pela constatação óbvia de que boa parte da história foi escrita por homens, brancos e da elite, elas foram subtraídas da maioria das enciclopédias, cursos e livros.
QUEM SÃO ELAS?
Não foram poucas as mulheres que fizeram Filosofia, e por vários motivos como alguns já citados acima, elas ficaram escondidas da História. É dificil encontrar referências sobre e de algumas delas. Entretanto, foram fundamentais não só na Filosofia, como nas mudanças do pensamento da época e até na formação de alguns filósofos bem famosos como Sócrates [ele teve como professora uma filósofa]. A seguir, conheça um pouco mais sobre algumas entre as milhares existentes. Parte das personagens descritas foram retiradas do trabalho de Ana Miriam Wuensch, “As Mulheres e a Filosofia” – da Apostila do Curso de Extensão “As Mulheres e a Filosofia III – Existem Filósofas?”, CESPE, Universidade de Brasília, 2003.
CONTINUE A LEITURA EM: [GRANDES MULHERES FILÓSOFAS] Por Priscila Gorzoni, Revista CP-FILOSOFIA, ESCALA EDUCACIONAL

VÍDEO CORRELATO: Conheça MULHERES FILÓSOFAS na história

Essa Terra - Narrativa visceral sobre a condição humana nas colagens autobiográficas de Antônio Torres

Antônio Torres, jornalista e escritor brasileiro, eleito em setembro de 2013 para ocupar a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras, teve seu primeiro romance editado em 1972, intitulado "Um Cão Uivando para a Lua"; em 2007 venceu o Prêmio Jabuti por "Pelo Fundo da Agulha"; seus livros mais conhecidos são "Essa Terra" e "O Cachorro e o Lobo".
Aos 32 anos, Antônio Torres lançou seu primeiro romance, Um cão uivando para a Lua, que causou grande impacto, sendo considerado pela crítica “a revelação do ano”. O segundo “Os Homens dos Pés Redondos”, confirmou as qualidades do primeiro livro. O grande sucesso, porém, veio em 1976, quando publicou Essa terra, narrativa de fortes pinceladas autobiográficas que aborda a questão do êxodo rural de nordestinos em busca de uma vida melhor nas grandes metrópoles.
Hoje considerada uma obra-prima, Essa terra ganhou uma edição francesa em 1984, abrindo o caminho para a carreira internacional do escritor baiano, que hoje tem seus livros publicados em Cuba, na Argentina, França, Alemanha, Itália, Inglaterra, Estados Unidos, Israel, Holanda, Espanha e Portugal. Em 2001 a Editora Record lançou uma reedição comemorativa [25 anos] de Essa Terra.

Para saber mais sobre a vida e obra do escritor Antônio Torres, acesse:


Para assistir a segunda parte da entrevista, acesse:
[https://www.youtube.com/watch?v=5HXBUwgWb8U]

Borges, mestre da prosa fantástica em textos curtos



Jorge Luis Borges (1899-1986), através de FICÇÕES e O ALEPH, seus dois livros fundamentais, mostrou por que é o mais conhecido e aclamado escritor argentino.
A maior obra-prima da faceta contista de Borges, apareceu em 1944, quando foi lançado o livro Ficções. Alguns dos contos mais famosos de Borges, como "Funes, o Memorioso", "A Biblioteca de Babel", "Tlön, Uqbar e Orbis Tertius", "O Jardim de Caminhos que se Bifurcam", e "A Loteria em Babilônia" integram o volume. A crítica argentina e internacional é praticamente unânime ao exaltar as qualidades da obra, considerado pela revista TIME um dos livros mais importantes de toda produção literária do século XX. Por tais qualidades, o autor recebeu o Grande Prêmio de Honra da SADE, a Sociedade Argentina dos Escritores e o Prêmio Interamericano de Literatura na I Bienal Internacional do Livro no Brasil.
Em 1949 foi lançado O ALEPH, julgado pela crítica especializada a segunda das obras-primas do autor. O aleph é considerado pela crítica um dos pontos culminantes da ficção de Borges. Em sua maioria, "as peças deste livro correspondem ao gênero fantástico", esclarece o autor no epílogo da obra. Nelas, ele exerce seu modo característico de manipular a "realidade": as coisas da vida real deslizam para contextos incomuns e ganham significados extraordinários, ao mesmo tempo que fenômenos bizarros se introduzem em cenários prosaicos. Os recorrentes motivos borgianos do tempo, do infinito, da imortalidade e da perplexidade metafísica jamais se perdem na pura abstração; ao contrário, ganham aparência concreta nas tramas, nas imagens, na sintaxe, que também são capazes de resgatar uma profunda sondagem do processo histórico argentino. O livro se abre com "O imortal", em que temos a típica descoberta de um manuscrito que relatará as agruras da imortalidade. E se fecha com "O aleph", para o qual Borges deu a seguinte "explicação" em 1970: "O que a eternidade é para o tempo, o aleph é para o espaço".
A obra de Borges é complexa, repleta de referências insuspeitadas e, por vezes, labiríntica e assustadora. Mas, por tudo isso, ela é também única e, como tal, tem potencial para envolver, alegrar, comover, incitar e aplacar nossa sanha de conhecimento. 

Coleção Biblioteca Borges, EDITORA COMPANHIA DAS LETRAS



Difícil fotografar o silêncio - Manoel de Barros








Difícil fotografar o silêncio.
Entretanto tentei. Eu conto:
Madrugada a minha aldeia estava morta.
Não se ouvia um barulho, ninguém passava entre as casas.
Eu estava saindo de uma festa.
Eram quase quatro da manhã.
Ia o Silêncio pela rua carregando um bêbado.
Preparei minha máquina.
O silêncio era um carregador?
Estava carregando o bêbado.
Fotografei esse carregador.
Tive outras visões naquela madrugada.
Preparei minha máquina de novo.
Tinha um perfume de jasmim no beiral de um sobrado.
Fotografei o perfume.
Vi uma lesma pregada na existência mais do que na
pedra.
Fotografei a existência dela.
Vi ainda um azul-perdão no olho de um mendigo.
Fotografei o perdão.
Olhei uma paisagem velha a desabar sobre uma casa.
Fotografei o sobre.
Foi difícil fotografar o sobre.
Por fim eu enxerguei a ‘Nuvem de calça’.
Representou para mim que ela andava na aldeia de
braços com Maiakowski – seu criador.
Fotografei a ‘Nuvem de calça’ e o poeta.
Ninguém outro poeta no mundo faria uma roupa
mais justa para cobrir a sua noiva.
A foto saiu legal.

– Manoel de Barros, em “Ensaios fotográficos”. Rio de Janeiro: Editora Record, 2000.


O lesbofeminismo como opção política e estética na ficção de Natalia Borges Polesso

Natalia Borges Polesso é escritora e doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, é autora de Recortes para álbum de fotografia sem gente, obra vencedora do prêmio Açorianos 2013 na categoria contos, do livro de poemas Coração à corda, de 2015, e também da tirinha A escritora incompreendida, publicada apenas na internet e de Amora, livro de contos que versam sobre relações homossexuais entre mulheres, vencedor do prêmio Jabuti 2016 na categoria Contos e Crônicas.





É diminuto dizer que a escrita de Natalia versa unicamente sobre relações homossexuais entre mulheres. Na lírica de "Coração à corda" e nos contos de "Recortes para álbum de fotografia sem gente" e  "Amora" estão presentes a sensação de deslumbramento, o espanto diante de sentimentos inesperados e o medo das descobertas. Seus escritos ressaltam o encontro consigo mesmo, sobretudo quando ele ocorre fora dos padrões, trazendo enormes desafios ou tornando impossível seguir sem transformação. É necessário avançar, explorar o desconhecido, desestabilizar as estruturas para chegar, enfim, ao sossego de quem vive e tem a consciência libertária de amar livremente.

Por Natalia Polesso [Eu escritora, eu lésbica]:
"Bem, é no pouco tempo que me sobra entre essas atividades que eu penso na minha insignificante condição de escritora: escrevi três livros, três livros que tratam, direta ou indiretamente, de relações lésbicas. Sim. Simplesmente porque minha experiência de (r)existir é uma experiência de mulher e de mulher lésbica, e eu escolhi que escreveria sobre isso, porque eu, dentro de uma reflexão diária, entendi, primeiramente, a importância dessa experiência, e depois, a importância de sua visibilidade, reconhecimento e, sobretudo, respeito. Nos enredos do meu trabalho, esta se constitui uma escolha política e estética. Política por ser modo de ocupar, estética por ser modo de pensar e realizar a minha escrita."
.
A seguir, fragmento do conto "Minha prima está na cidade":
“Acontece que eu e a Bruna somos uma família, mas eu demorei para entender que éramos. Foi um dia em que eu fiquei bem doente e cogitei a possibilidade de passar a noite na casa dos meus pais e a Bruna ficou puta comigo, com razão. Aquela era a nossa casa e eu podia me sentir bem e protegida ali, foi assim que eu comecei a entender. Comecei a entender com cheiros de sopa e pão, banhos quentes e carinhos e escolhas bobas como a cor dos móveis ou a necessidade de uma cortina, assim comecei a entender o que era uma família, com louças acumuladas e montes de cabelos que se perdiam pelo chão, cabelos pretos e compridos, porque eu e a Bruna temos cabelos pretos e compridos. Minha família estava ali, com louça, gripes, montes de cabelos, cheiros de comida caseira, café na cama e banhos quentes, com brigas e pedidos de desculpas, carinhos, amores, cuidados e era mesmo uma família, até quando ficávamos vendo televisão no domingo de tarde ou quando levávamos nosso cachorro imaginário para passear no parque.” 

Para ler uma mostra da obra, acesse:
[www.amazon.com.br/Amora-Natalia-Borges-Polesso-ebook]

Para saber mais sobre a autora, acesse:
[literaturalesbofeminista.blogspot.com/search/label/NataliaBorgesPolesso]

Literatura Fundamental: Madame Bovary - Gustave Flaubert


Madame Bovary, de Gustave Flaubert, é o tema da conversa de Rodrigo Simon com Verônica Galindez-Jorge. Professora do Departamento de Letras Modernas da FFLCH-USP e autora de Fogos de Artifício: Flaubert e a Escritura, Verônica fala sobre aquele que é considerado um dos grandes romances da história da literatura e sobre o obstinado trabalho de composição realizado por Flaubert.





Leia também o ensaio de Charles Baudelaire sobre Madame Bovary:
[escritablog.blogspot.com.br/2011/05/madame-bovary-por-baudelaire.html]


O Surrealismo Libertino na Literatura do Marquês de Sade

O mais maldito dos escritores, Donatien Alphonse-François, o Marquês de Sade [1740-1814], foi certamente um dos autores da literatura universal que mais sondaram os limites do homem, trazendo à luz [em pleno iluminismo] aquilo que a cultura sempre tentou ocultar: a violência do erotismo em suas mais variadas formas de transgressão. A tônica de seus principais romances, escritos ao longo de quase trinta anos em onze diferentes prisões sob três regimes distintos, é a libertação do indivíduo mediante a corrupção dos costumes.
Relegado ao esquecimento por muito tempo, o perseguido autor de Os 120 dias de Sodoma, Justine, A Filosofia na Alcova e tantos outros livros escandalosos, "o espírito mais livre que jamais existiu", nas palavras de Apollinaire, é hoje considerado um clássico, ao lado de Racine ou de Shakespeare um dos maiores escritores de sua época.
Na contramão do politicamente correto, escrevendo livros que expunham um mundo lascivo, ateu e irreverente dos primórdios do iluminismo, SADE tinha a necessidade imperiosa de afrontar os valores morais e destruir-lhes o significado. Autor de uma literatura escandalosa, sediciosa, blasfema - que constitui, por assim dizer, uma espécie de baixo iluminismo, SADE pode ser visto como catalisador de uma longa tradição de literatura pornográfica, que, no século da revolução francesa, serviu também de veículo para o protesto político, questionando tudo e onde nada era sagrado.

Na [Editora Iluminuras], podem ser encontradas as principais obras desse transgressor do espírito, que via na literatura uma possibilidade de criar um mundo onde tudo é levado às últimas consequências.
Leia fragmentos do livro no Google Books [Sade: A Felicidade Libertina]

A obra de Sade transposta para o cinema:
"Contos Proibidos do Marquês de Sade", é um filme brilhante, forte e absolutamente hipnótico. Atuações perfeitas e direção de arte maravilhosa marcam esta incrível e surpreendente produção.



Jorge Luis Borges em Essência

Mestre da narrativa curta, o escritor argentino foi um arqueólogo dos símbolos. Explorou mitos, labirintos e espelhos em seus contos. Na vida real e na ficção, recorreu à ironia para suportar as limitações da condição humana.
[...]
"Ficções" e "O Aleph" são os dois mais importantes livros de Jorge Luis Borges. Borges não seria Borges sem essas duas obras. Ele sempre preferiu a narrativa curta, que possibilita maior controle na execução. Por isso o conto, o conto-ensaio e a poesia foram seus gêneros prediletos.
[...]
Folheie a [Revista Metáfora] até as páginas 58, 59, 60, 61, 62 e 63, amplie, e leia o texto completo no ensaio do crítico Jorge Schwartz que analisa o estilo do autor argentino: labirintos, espelhos e sonhos.

A ficção poética de Florisvaldo Mattos


Entre os poetas brasileiros surgidos na década de 1960 – fase extremamente criadora, aqui e no mundo – um dos altos postos pertence a Florisvaldo Mattos. Sua obra poética, dominada por uma dicção fortemente pessoal, é, ao mesmo tempo, de uma abrangência e de uma variedade que desconcertam qualquer crítico.
Um dos polos essenciais da criação de Florisvaldo Mattos, como destaca JC Teixeira Gomes, “é o cultivo de um lirismo sempre comedido, trabalhado com extrema propriedade de recursos, sendo certamente o único na sua geração que transita do lírico para o épico com absoluta naturalidade, mestre nos dois caminhos poéticos, consciente do poder que tem sobre as palavras”.
[...]
O vasto conjunto lírico que encontramos na ficção poética de Florisvaldo Mattos representa, portanto, um monumento da poesia brasileira de entre a segunda metade do século passado e a primeira década do presente, erguido por um espírito agudamente atento ao tempo e dele liberto, como sempre é, paradoxalmente, o dos grandes poetas.

Leia o texto completo, acessando:

Para saber mais sobre a obra de Florisvaldo Mattos, acesse:

O poeta baiano Florisvaldo Mattos é dono de uma dicção que combina o rigor formal à alta expressividade lírica. Formado em direito, optou pelo jornalismo, atividade que exerce até o presente. Nos anos 60, integrou em Salvador o grupo da chamada Geração Mapa, liderado pelo cineasta Glauber Rocha. Entre suas obras publicadas, estão "Reverdor" (1965); "Fábula Civil" (1975); "A Caligrafia do Soluço & Poesia Anterior" (1996); "Mares Acontecidos" (2000); e "Travessia de Oásis A Sensualidade na Poesia de Sosígenes Costa". Além de formar gerações como professor da UFBA até 1994, quando se aposentou, Mattos ocupa a cadeira 31 na Academia de Letras da Bahia.

Luxúria e Erotismo na Literatura de João Ubaldo Ribeiro

Adicionar legenda
Quando vários jornais anunciaram que João Ubaldo Ribeiro estava escrevendo um romance sobre a luxúria, para a coleção Plenos Pecados, da Editora Objetiva, o escritor foi surpreendido com um misterioso pacote em sua portaria. Eram os originais de "A Casa dos Budas Ditosos", livro que ele publica, permitindo a seus leitores conhecerem uma personagem fascinante e excepcional em todos os sentidos: CLB, uma mulher de 68 anos, nascida na Bahia e residente no Rio de Janeiro, que jamais se furtou a viver - com todo o prazer e sem respingos de culpa - as infinitas possibilidades do sexo.
A Casa dos Budas Ditosos, relato sincero, pouco comum e sem pudores de quem soube e sabe, pelo visto, viver todas as delícias de uma relação a dois, a três... bem, todas as delícias do sexo, sob uma óptica original, por vezes chocante, irônica, divertida e, sem dúvida, instigante e provocadora que uma senhora devassa viveu e narra em detalhes riquíssimos.
Temos nesta obra um fascinante mergulho na vida espantosa de uma mulher sem dúvida excepcional, cuja narrativa alcança as dimensões de um retrato sociológico de toda uma cultura e uma geração, envolvendo um dos pecados mais indomáveis e capitais: A luxúria.

O brasileiro gosta de falar e de ouvir sobre sexo?
Não só o brasileiro, acho que a humanidade. Sexo hoje é um dos poucos assuntos que permeiam toda e qualquer classe social, faixa etária, gênero. Ouvir as considerações de um baiano sobre sexo, no caso, o Ubaldo travestido dessa personagem, é uma coisa de utilidade pública. Os baianos sabem de sexo mais do que o resto da humanidade. Sexualidade na Bahia é para profissionais. Eu afirmo isso. Eles são PhD.
[Fernanda Torres, em entrevista ao Jornal Estadão]

Vídeos de adaptações de "A Casa dos Budas Ditosos" para o Teatro:




Outros vídeos: [Fragmento-2], [Fragmento-3]

A dramaturgia aclamada e provocadora de Nelson Rodrigues

“Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico”. Assim se definia o dramaturgo, jornalista e escritor Nelson Rodrigues.

Um dos nomes que mais influenciou a produção cultural brasileira, foi o responsável por inúmeras peças, romances e uma infinidade de contos e crônicas – muitas delas dedicadas ao futebol, sua grande paixão. Todo esse material refletia de maneira inteligente e ousada os valores da classe média urbana. Dono de um talento singular, utilizava uma linguagem capaz de atingir todos os tipos de público.
Em dezembro de 1980, o Brasil perdia o seu maior dramaturgo. Dono de uma trajetória artística singular, que não se ateve a modismos, tendências ou movimentos, Nelson Rodrigues criou um estilo inconfundível, que ao longo dos anos se estabeleceria quase como gênero teatral. O tom superlativo em relação à sua obra nada tem de exagero: Vestido de Noiva, peça do dramaturgo sob direção de Ziembinski em 1943, marcou o surgimento do teatro moderno no Brasil. No ano em que são completadas três décadas da morte do escritor, a Funarte, através do projeto Brasil Memória das Artes, lança um olhar afetivo sobre o acervo que possui, com fotos de montagens de espetáculos teatrais, programas de peças e depoimentos do autor.

Saiba mais sobre a vida e obra de Nelson Rodrigues, acessando:
[www.funarte.gov.br/brasilmemoriadasartes/acervo/nelson-rodrigues/nelson-rodrigues]




Nós Somos as Cobaias de Deus?

COBAIAS DE DEUS
Cazuza
Composição: Cazuza / Angela Rô Rô


Se você quer saber como eu me sinto
Vá a um laboratório ou um labirinto
Seja atropelado por esse trem da morte
Vá ver as cobaias de Deus
Andando na rua pedindo perdão
Vá a uma igreja qualquer
Pois lá se desfazem em sermão
Me sinto uma cobaia, um rato enorme
Nas mãos de Deus mulher
De um Deus de saia
Cagando e andando
Vou ver o ET
Ou vir num cantor de blues
Em outra encarnação
Nós, as cobaias de Deus
Nós somos cobaias de Deus
Nós somos as cobaias de Deus
Me tire dessa jaula, irmão, não sou macaco
Desse hospital maquiavélico
Meu pai e minha mãe, eu estou com medo
Porque eles vão deixar a sorte me levar
Você vai me ajudar, traga a garrafa
Estou desmilingüido, cara de boi lavado
Traga uma corda, irmão (irmão, acorda!)
Nós, as cobaias, vivemos muito sós
Por isso, Deus, tem pena, e nos põe na cadeia
E nos faz cantar, dentro de uma cadeia
E nos põe numa clínica, e nos faz voar
Nós, as cobaias de Deus
Nós somos cobaias de Deus
Nós somos as cobaias de Deus
Nós as cobaias...

vídeo:

Uma Canção à Língua Portuguesa - Caetano Veloso



Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões
Gosto de ser e de estar
E quero me dedicar a criar confusões de prosódia
E uma profusão de paródias
Que encurtem dores
E furtem cores como camaleões
Gosto do Pessoa na pessoa
Da rosa no Rosa
E sei que a poesia está para a prosa
Assim como o amor está para a amizade
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E quem há de negar que esta lhe é superior?
E deixe os Portugais morrerem à míngua
"Minha pátria é minha língua"
Fala Mangueira! Fala!

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas
E o falso inglês relax dos surfistas
Sejamos imperialistas! Cadê? Sejamos imperialistas!
Vamos na velô da dicção choo-choo de Carmem Miranda
E que o Chico Buarque de Holanda nos resgate
E – xeque-mate – explique-nos Luanda
Ouçamos com atenção os deles e os delas da TV Globo
Sejamos o lobo do lobo do homem
Lobo do lobo do lobo do homem
Adoro nomes
Nomes em ã
De coisas como rã e ímã
Ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã ímã
Nomes de nomes
Como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso e Arrigo Barnabé
e Maria da Fé

Flor do Lácio Sambódromo Lusamérica latim em pó
O que quer
O que pode esta língua?

Se você tem uma ideia incrível é melhor fazer uma canção
Está provado que só é possível filosofar em alemão
Blitz quer dizer corisco
Hollywood quer dizer Azevedo
E o Recôncavo, e o Recôncavo, e o Recôncavo meu medo
A língua é minha pátria
E eu não tenho pátria, tenho mátria
E quero frátria
Poesia concreta, prosa caótica
Ótica futura
Samba-rap, chic-left com banana
[– Será que ele está no Pão de Açúcar?
– Tá craude brô
– Você e tu
– Lhe amo
– Qué queu te faço, nega?
– Bote ligeiro!
– Ma’de brinquinho, Ricardo!? Teu tio vai ficar desesperado!
– Ó Tavinho, põe camisola pra dentro, assim mais pareces um espantalho!
– I like to spend some time in Mozambique
– Arigatô, arigatô!]
Nós canto-falamos como quem inveja negros
Que sofrem horrores no Gueto do Harlem
Livros, discos, vídeos à mancheia
E deixa que digam, que pensem, que falem



O hiperativismo pessimista e o otimismo crítico da pensadora Ivana Bentes

“Inocente, pura e besta”. É assim que a ensaísta e professora Ivana Bentes diz ter chegado ao Rio de Janeiro, em 1980, família de comerciantes, sem sobrenome para ostentar, nascida em Parintins, no Amazonas, e tendo passado a juventude em Rio Branco, no Acre. Foi a entrada em uma universidade pública, a Escola de Comunicação (ECO) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que mudou sua trajetória. Segundo ela, frequentar um espaço que ainda forma uma elite não foi uma inclusão, mas uma intrusão social, daquelas que fazem uma pessoa dar um salto astronômico. Foi naquele ambiente universitário borbulhante de oportunidades e desafios que Ivana foi traçando sua carreira profissional. Primeiro como redatora e ensaísta no Caderno Ideias, do Jornal do Brasil, onde teve a oportunidade de se conectar com centenas de escritores, intelectuais e pensadores. E antes escrevendo sobre cinema na revista TABU, do Grupo Estação Botafogo, o icônico cinema carioca, que deu a ela a chance de se formar cinematográfica e culturalmente e mais tarde protagonizar polêmicas como a que lançou em torno do filme Cidade de Deus e sua “cosmética da fome”. No Jornal do Brasil, entendeu o jogo de influência cultural, política e de intervenção no mercado da mídia e suas engrenagens.
[...] O capitalismo, as revoluções dentro do capitalismo e as ações anti-capitalistas, a publicidade, a economia imaterial, tudo isso depende desse domínio midiático e da posse dessas linguagens. O capital já entendeu isso faz tempo. E se quisermos pensar jornalismo público, jornalismo do comum, a produção de um midiativismo capaz de ativar os desejos por mudanças sociais, tudo isso passa por um outro tipo de formação. A comunicação é central na sociedade de redes. Se o capitalismo é comunicacional, a revolução terá que ser também midiática. É um campo fascinante, que não para de mobilizar os jovens.

[...] As periferias são laboratórios de mundos e a riqueza do Brasil. Não mais os pobres assujeitados e excluídos de certo imaginário e discurso, mas uma ciberperiferia, a riqueza da pobreza (disputada pela Nike, pela Globo, pelo Estado) que transforma as favelas, quilombos urbanos conectados, em laboratórios de produção subjetiva. A carne negra das favelas, os corpos potentes e desejantes, a cooperação sem mando, inventando espaços e tempos outros (na rua, nos bailes, lan houses e lajes), estão sujeitos a todos os tipos de apropriação. É que as favelas e periferias são o maior capital nas bolsas de valores simbólicas do país, pois converteram as forças hostis máximas (pobreza, violência, Estado de exceção) em processo de criação e invenção cultural. Além disso, o midialivrismo ganha força nas periferias, em projetos como a ESPOCC, Escola Popular de Comunicação Crítica da Maré, Viva Favela, Agência Redes Para a Juventude, que formam comunicadores populares e midiativistas.
Para ler o texto integralmente, acesse:
[Revista Cult » Respeitosamente vândala]



A Música Filosófica de Raul Seixas

[Poderia ter sido escritor, mas troquei a filosofia pela música. Uso a música para expressar o que aprendi com a filosofia]

[Quero a certeza dos loucos que brilham. Pois se o louco persistir na sua loucura, acabará sábio]

Raul Seixas
Entre as dezenas de homenagens nos 20 anos da morte do cantor e compositor Raul Seixas, foi lançado pela B&A o livro "Raul Seixas-Metamorfose Ambulante", escrito por Mário Lucena, Laura Kohan e Igor Zinza, com coordenação de Sylvio Passos, presidente do fã-clube do cantor.
O livro mostra um Raul que os fãs não conheceram. Seu fascínio por filosofia e a inspiração para músicas que revolucionaram o rock nacional, e a criação do "Maluco Beleza", reverenciado por antigos e novos admiradores de sua genialidade.
Sylvio Passos, que conviveu nove anos com Raul Seixas, comenta: "Nesse livro vamos ver que Raul conseguiu passar conceitos de filósofos, de Platão a Sartre, tendo obsessão pelo niilista alemão Arthur Schopenhauer e o hermético Crowley".
O livro traz revelações bombásticas: a relação de Raul com a filosofia (Schopenhauer, Aleister Crowley, Sartre etc), com os parceiros (Paulo Coelho, Cláudio, Motta etc), os assuntos que moveram a imprensa (disco voador, drogas, Jerry Lee, John Lennon etc), a ligação com a família e até com o capeta!

Raul SeixasRaul Seixas
O mito do herói-roqueiro foi construído fundamentalmente com os três primeiros discos solos. A semente foi lançada em 1973. Raul conquistou milhares de fãs com Krig-ha, bandolo!, e consolidou o sucesso no ano seguinte com Gita. Entre o segundo e o terceiro discos, compôs a trilha sonora da novela O Rebu, para a Rede Globo.

Raul Seixas
Novo Aeon, seu terceiro trabalho, foi uma síntese dos anteriores. Falou da morte, denunciou a censura e debateu a brevidade da vida. O Novo Aeon insistiria em mostrar o começo e o fim de mãos dadas. Belo Trabalho, uma moldura, acrescentou beleza à obra que nasceu madura.
Raul Seixas encarnou a loucura dos sábios, pois Raul bebia na fonte dos mestres da filosofia, psicologia e mitologia oriental, especialmente a indiana. Era um viciado no saber que não conseguia parar de ler, de estudar, de pesquisar...
Travestido de herói mitológico, alterou as regras do jogo para garantir a salvação e a sonhada imortalidade.
[Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo]. Toca Raul!!!!!!!!
CONTINUE A LEITURA: Por Mário Lucena, Reportagem Toca Raul, [REVISTA CP-FILOSOFIA]