ESCRITORES

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Enquanto Deus não está olhando - Débora Ferraz

[...] No momento em que termino a leitura do romance de estreia de Débora Ferraz, Enquanto Deus não está olhando, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura 2014, sou tomado de entusiasmo diante desta revelação. Mas contenho os meus adjetivos e procuro investigar, com o máximo de rigor, quais as qualidades desta autora ainda tão jovem. Em princípio, devo destacar que não se trata apenas de um romance de texto, tão em voga no Brasil, o que leva a crítica, em geral, a grandes equívocos: trata-se de um romance de atmosfera, de densa e angustiante atmosfera, representada pela dolorosa busca de Érica, a também jovem personagem que atravessa o romance procurando o pai, que se faz presente apenas nas lembranças, de forma que se revela pelo passado e só através dele. E aí, creio, está a grande qualidade da autora, cuja protagonista está sempre caminhando, caminhando, caminhando.
A primeira frase do livro é forte, muito forte, decisiva: “O fim do mundo chegou cedo desta vez”. Sem dúvida, forte e surpreendente. Outra das louváveis qualidades de Débora — surpreender e fustigar o leitor com cenas ou frases inesperadas. Para um destes críticos chamados de rigorosos, a frase seguinte poderia conter um elemento inadequado, mas não é bem assim. Vejamos: “Subo a ladeira. A rua de paralelepípedos está deserta apesar de não passar das oito da noite, e à minha volta só as casas pequenas e imóveis, é que, vez por outra, dão qualquer sinal de vida”. Compreendo perfeitamente que, ao crítico rigoroso, poderia parecer imprecisa e óbvia a palavra “imóvel”. Mas aí a palavra não tem apenas efeito informativo. Ela carrega toda a pressão, toda a força angustiante da personagem martirizada. Não é uma palavra, é um sentimento. Mostra a imobilidade interior da personagem e seu impressionante sufocamento. Toda casa é imóvel, sem dúvida, mas sem que isso seja dito do ponto de vista da personagem, tudo o mais desaba.
[...]
Texto de Raimundo Carrero. Para ler a resenha integralmente, acesse: 



Descobri que estava morto - J. P. Cuenca

“O autor marca sua diferença em relação a outros escritores de sua geração, impondo ao texto uma personalidade impressionante.” - Jornal do Brasil

Destaque da nova geração de escritores brasileiros, J. P. Cuenca, também curador e cineasta, é autor dos romances "Corpo presente" [2003]. “O dia Mastroianni” [2007)] “O único final feliz para uma história de amor é um acidente” [2010] e "Descobri que estava morto" [2016], eleito o melhor romance do ano pelo Prêmio Literário Biblioteca Nacional.
Seus livros foram traduzidos para oito idiomas e tiveram os direitos comprados por onze países. Em 2007, foi selecionado pelo Festival de Hay como um dos 39 jovens autores mais destacados da América Latina e em 2012 foi escolhido pela revista britânica Granta como um dos 20 melhores romancistas brasileiros com menos de 40 anos.
Desde 2003 escreveu crônicas semanais para os principais jornais brasileiros como Jornal do Brasil, O Globo e Folha de S.Paulo e atualmente é colunista do The Intercept Brasil, portal de notícias lançado em 2014 por Glenn Greenwald e Laura Poitras. Uma antologia de suas crônicas foram reunidas em "A última madrugada" 
Em 2015 dirigiu seu primeiro longa-metragem, "A morte de J.P. Cuenca", selecionado para o Festival do Rio e para a Mostra Internacional de Cinema de SP no ano seguinte. O projeto foi escolhido em 2013 para participar do primeiro workshop do Bienalle College - Cinema Project, realizado pela Bienal de Veneza e ganhou o edital de coprodução da RioFilme com o Canal Brasil no mesmo ano.




O tribunal da quinta-feira - Michel Laub

Um publicitário faz confissões por e-mail ao melhor amigo. Os textos falam de sexo e amor, casamento e traição, usando termos e piadas ofensivas que contam a história de uma longa crise pessoal. Quando a ex-mulher do protagonista faz cópias das mensagens e as distribui, tem início o escândalo que é o centro deste romance explosivo. O fio condutor da história, que une o destino dos personagens diante de um tribunal inusitado, são os reflexos tardios e ainda hoje incômodos da epidemia da aids, e o que está em jogo são os limites do que entendemos por tolerância — mas para chegarmos a eles é preciso ir além do que seria uma literatura "correta" ao tratar de homofobia, assédio, violência, empatia, liberdade e solidariedade.


Outros vídeos relacionados [https://tvuol.uol.com.br/video/16388340]

Visualização parcial do livro extraída do Google Books


Em seu terceiro romance, Stella Florence vai à essência das questões físicas e psicológicas ocasionadas pelo estupro

Stella Florence - Eu me possuo
É possível abordar com leveza um tema tão duro quanto o estupro sem perder a profundidade? A escritora Stella Florence, autora do romance Eu me possuo, garante que sim: "Eu foquei o livro não na violência sexual que a protagonista sofre, mas na superação dela".
Sobre o novo romance, Stella afirma: “É muito comum agressores serem pessoas conhecidas e eu quis abordar essa questão sempre coberta pelo silêncio e a vergonha”. O início da carta que Karina escreve a Gustavo, o estuprador, dá o tom da narrativa: “O fato de eu ter me sentido atraída por você, ter ido a sua casa, ter desejado transar com você, não significa que você poderia me violentar. Desejar um homem não é o mesmo que desejar ser estuprada por ele”.

Leia um trecho no qual a protagonista (Karina) envia uma carta para o seu estuprador:
"Naquela noite, eu dei um nó no meu vestido para disfarçar o rasgo que você fez e me limpei como pude no elevador. Fiquei perambulando pela rua meio tonta, depois entrei num táxi e fui para casa da minha avó. Fui direto para o chuveiro limpar aquilo de mim. Me senti suja, me senti culpada, me senti inferior, me senti até ruim de cama: carreguei por muito tempo acusações que serviam para você, não para mim. Minha falta de experiência me fez acreditar que a culpa era minha, que eu apertei algum botão maldito em você e que talvez sexo fosse aquele horror mesmo. Por isso eu me mantive em silêncio. Mas meu corpo gritava! Em três meses eu engordei quinze quilos tentando me tornar incapaz de instigar desejo num homem, tentando criar uma segunda e grossa pele que me afastasse da dor. E pelos seis anos seguintes eu me mantive trancada.
Se eu pudesse voltar no tempo, eu diria àquela menina assustada o que permiti que minha avó me dissesse anos mais tarde no chão do seu banheiro: que eu não tive culpa, que a sujeira daquilo tudo não estava em mim, que aquela coisa medonha tinha nome e que o nome feio dela é estupro, que sexo não era aquilo e que aquela experiência não poderia me definir nem definir o resto da minha vida. Foi um caminho longo e árduo, mas terminou.
Hoje essa carne mais macia, mais fértil de células e sensações, é parte de mim. Meu corpo não me afasta da vida, do prazer, dos homens interessantes – dos óbvios, sim, mas os óbvios eu não quero. Hoje eu gozo, Gustavo, no sexo e muito além dele. E quem forjou a chave para abrir meu cativeiro fui eu. A força que hoje me habita é criação minha. Eu me possuo. Ninguém mais."



Saiba mais sobre a vida e obra da autora, acessando:
[www.stellaflorence.net]

As descrições surreais do conto "Sábado à noite no bar do Bira"

Não há de que se envergonhar. Afinal, há alguns milhares de anos que amamos desvairadamente de todas as formas registradas ou não no Kama Sutra e nos murais de Pompeia. (...) E, embora o que se passa na cama seja segredo de quem ama, nunca houve segredo mais repartido que esse em todos os tempos e culturas. 
(Affonso Romano de Sant’Anna – trecho do texto “O Erotismo nos deixa Gauche?”, prefácio do livro O Amor Natural, de Carlos Drummond de Andrade; Editora Record, Rio de Janeiro, 2007);

Todo sábado às oito da noite vou à região portuária, zona boêmia da cidade, me instalo na mesa oito do bar do Bira, bebo cervejas como um bávaro, e lá, findo a noite para me aprazer com uma mulher ou ocasionalmente com um homem. Com experiência amorosa marginal, das ruas, da noite, creio já ter vivenciado todas as delícias e prazeres sensuais que uma relação a dois, a três, proporciona. Arraigado ao hedonismo do vinho, do sexo, da boa mesa, não me deixo levar pelas rédeas do conservadorismo, da hipocrisia e do recato. Ente devasso e doido manso, escandalizo puritanos e castos saciando meus desejos, desatinos e taras fazendo do amor livre o meu modus vivendi. O cristianismo hedonista de Michel Onfray é minha religião, seu livro: A arte de ter prazer, minha bíblia.
Nessas noitadas sabáticas conheci uma diva; culta cortesã, leitora contumaz dos cânticos sensuais de Salomão, com quem vivo intensos prazeres de alcova; dama dotada de estreita bainha, libertina que não quer descanso quando fode com requintes de puta-rainha; ousada e transgressora, ela devassa os aspectos intelectual, imaginativo, romântico, emocional e obsceno da sexualidade e faz do bar do Bira um reduto da libertinagem.
Num anexo contíguo ao bar funciona um bordel onde sete mulheres – oito no total – incluindo a cafetina Maria Lupanar, compõem o corpo feminino da casa. Apelidada Tabaco de Bronze decorrente do fato que, reconhecidamente, a xoxota dela é a bainha mais estreita daquela paragem ribeirinha, cona de carne rija, de leveza no esfoliar, justa a tal ponto que parece sem lubricidade ao penetrar. Toda a população masculina, incluindo o padre, o pastor, o prefeito e o poeta, coabita no cerne incrustado entre suas pernas. Forte figura feminina que conhece desejos e manhas da alma masculina; doutorada em sexualidade nos prostíbulos da vida, deixa homens e mulheres em desvario pelos prazeres que lhes proporciona em sua lida. Além do sexo, caracteriza-a fisicamente o fascínio do olhar sedutor e fêmeo feito ímãs dos olhos que se escondem atrás de burcas afegãs.
Ao deitar com essa dama no recôndito de sua intimidade, os desejos medram, emocionam, variam, surpreendem; o sexo floresce e vai se misturando com risos, promessas e palavras obscenas; o clímax ganha intensidade com a música, a dança, a poesia e o vinho; o ato incorpora fantasias e elementos afrodisíacos que alentam minha loucura para depois prosseguir na noite em companhia de:

Maria Lolita – ninfeta à Nabokov; sensualidade e desejos à flor da pele; fogosa, irresistível, indomável. Desde sua noite de primícias que seu acentuado apetite sexual só é saciado em ménage à trois por mim e Jesus Jatobá, afamado frequentador que às vezes se faz meu parceiro de cama, de copo e de cruz; únicos que a deixam levitando após os ritos eróticos de uma grande noitada. Maria Lolita sempre dança rebolando sensualmente, e nesses momentos, Jesus Jatobá costuma dizer: Essa cortesã é uma tentação obscena, incita-nos a luxúria e a sodomia; no meio da noite, quando abatida pelo cansaço, se deixa dominar, dorme; sua alma dorme profundamente, seu corpo, ao contrário, se mantém vivo e pleno de feminilidade; descanso sentindo a fragrância que deixa cada palmo do quarto saturado de sua intimidade; quando desperta, ao se afastar do recinto, deixa sempre um rastro abstrato de pura fascinação;

Maria Casmurra – balzaquiana cujo rosto já denota certa materialidade do tempo; em público casta, ensimesmada, sempre resmungando e de mal com a vida, reclama de tudo. Em privado consegue dissimular muito bem o contrário daquilo que aparenta, gosta extremamente do ofício; de palavra depravada, mãos exímias com seus dedos sábios, dedos errantes que adentram meu corpo atrás, na frente, em cima, embaixo, entre, dedos que não brocham; exímia mais ainda com a boca, esse órgão que serve à vida, ao verbo e ao sexo; tem um jeito especial de me beijar o sexo que deixa o mundo rodando, e tudo vai ficando solto, convulso e desconexo;

Maria Gata Mansa – a mais bela e sensual, de gestos mansos, meiga e manhosa; de pele alvinha e sem manchas, mamilos cor-de-rosa, felídea selvagem quando está comigo na cama; assemelha-se demais aos felinos com sua sensualidade agressiva e seu caminhar sigiloso de gata vadia;

Maria de Luanda – conduz a cozinha e a cama com cadência, engenhosidade e arte; de sorriso obsceno, negra fagueira com olor de fêmea no cio; de andar bamboleante, irrequieta nos quadris e na alma; muito chegada a forró e samba-de-roda; encantam-me o rebolado e suas belas curvas negras e carnudas; enlouquece quando escuta: “quero morrer numa batucada de bamba, na cadência bonita do samba”, seu corpo se contorce com requebros que me deixam em descontrole apalpando, acariciando, beijando, gozando em sua carne íntima suada; e aí: ela fala, ela canta, ela grita, ela fode, ela “morre” na cadência bonita do samba;

Maria Lua Cheia – olhar de cachorro doido e alma andrógina, alma revestida de um masculino invisível; valentia em pessoa, quem a desrespeitar apanha na certa, muito propensa a brigas e devaneios com as outras mulheres; em noite alta de lua cheia se entrega concupiscente às suas amantes já falecidas e, em êxtase, goza e me faz gozar alucinadamente durante horas, e por fim;

Maria Gioconda – riso silencioso de Mona Lisa; enigmática, tímida e frígida, uma pedra, abstrata, alheamento total na cama, nem mesmo Jesus Jatobá, o falo libidinoso do bordel, consegue lhe dar prazer, por mais diminuto que seja. Fraca figura feminina que contém fortalezas dentro de si, alma fugidia, de corpo inalcançável. Apesar de hermética, mantenho estranha relação com ela; excita-me o cheiro canforado que emana de sua cona, arrepios deliciosos percorrem meu corpo, uma cócega sobe entre minhas coxas e se aninha no meu sexo; o odor de sua intimidade me embriaga os sentidos; tenho orgasmos espontâneos.

Excetuando Maria Gioconda, vieram ao mundo para gozar a existência, para o prazer; nenhuma engravida; serão todas infecundas? Na trama e nos instintos são todas iguais às mulheres da minha rua; minha rua atravessa vilas, cidades, países, não há fronteiras. Apenas eu, cobaia de Deus e do Diabo, conheço o hedonismo e infecundidade destas mulheres; por motivo misterioso, pessoal, ou mesmo por teimosia, não revelo a ninguém. Coexisto entre vivos e mortos, tomo corpo em todas elas, me revisto de forma material e trago todas entranhadas em mim; a oitava Maria do bar do Bira sou eu; mais uma entre tantas Marias; lá, sou fêmea de buceta metafísica, lúbrica, lasciva, mulher de alma libertina, de tanto tesão, deliro; me viro do avesso e sou toda vulvar.

Domingo, oito da manhã, deixo o bordel, entro no Gato da Noite, nome oficial do bar do Bira, para a última birra, umas tragadas de inflorescências de cânhamo ou uma viagem lisérgica. Tobinha, o garçom dileto da casa, peito e músculos à mostra, calça arregaçada, botinas rangentes, com vassoura de piaçava e rodo nas mãos, esfrega e lava o chão da calçada do bar. O porto, as ruas, a cidade ainda dormem, afora o bar do Bira onde a noite nunca tem fim. No interior do bar, olhos vermelhos vararam a madrugada, não arredam, espreitam acesos os primeiros movimentos da manhã. Na mesa oito, um malandro mediúnico se arrepia, capta minha presença torpe, sente meu perfume de sândalo misturado com chope, odor delicado de buceta limpa em dia de mormaço quente. Em transe místico observo as outras mesas, numa delas: adolescentes andróginos, dândis, lésbicas e afins; noutra: Aretino, Sade, ninfetas pervertidas e querubins; noutra: ianomâmis masturbam mulheres magras sedentas, noutra: Safo de Lesbos lambe a vulva de uma virgem-prostituta santa e sinistra; avisto também um painel que recobre a parede do fundo com a imagem de Jesus Cristo, Maria Madalena e os apóstolos numa Santa Ceia profana.

Meca da boemia, nesta hora da manhã o Gato da Noite é puro delírio, covil da vadiagem que reúne uma horda de boêmios notívagos, intelectuais, artistas, navegantes e um gato vadio que quando me vê se espreguiça sobre a prateleira para receber afeto; acolhe músicos e cantores dos cabarés, gente da polícia e padres à paisana; aloja ladinos, loucos e exploradores de mulheres; mistura vendedores de haxixe e uma leva diversificada de malandros insones e mulheres livres que zanzam batalhando na noite.

Bebo a última cerveja, belisco a bunda de Bira, levito e saio; ando no leito de paralelepípedos cambaleando lentamente; não sei se sou eu que observo a rua ou se é a rua que me olha; nesta espécie de limbo, minha mente reverbera versos de Zé Ramalho: “há meros devaneios tolos a me torturar”, “e isso explica porque o sexo é assunto popular”.

Vagueio por mundo insondável possuída pela liberdade e pelo imponderável das paixões; corto de fininho o ramo hiperbólico que contorna o cais e sinto no rosto a brisa casta da manhã à espera do próximo sábado...

Vídeo Correlato - A história da cidade romana de Pompeia

O Segredista e A Missa da Luxúria - Cristiano Contreiras


"O Segredista e A Missa da Luxúria" narrativa que fala sobre o desejo, de maneira poética e reveladora, o livro de estreia de Cristiano Contreiras é uma viagem íntima e um estudo sobre os prazeres mais intensos da humanidade. Traz a história de um misterioso homem de meia-idade que desconstrói a sua juventude cheia de erotismo e surpresas. Cristiano Contreiras propõe uma narrativa poética e com fluxos da consciência, numa trama que seduz o público. "O Segredista e A Missa da Luxúria" é feito em tom de confissões, onde o autor conta seus segredos mais íntimos em forma de memórias. Uma trama provocante que vai te envolver. Prenda a respiração e se entregue!
Trecho do livro:
"Talvez eu esteja realmente perdendo meu eu do prazer incondicional – aquele eu que sempre foi presente nas minhas veias do pênis, daquelas veias que firmavam minha amada luxúria e tremia todas as bases da sanidade sexual. Tenho aqui meu medo de, assim, aos poucos, estar construindo a minha lápide da impotência – prescrevendo meu funeral de sensações sensuais sexuais, será meu fim proveniente do falecimento do meu pênis querido? Eis a questão que me induz ao provável suicídio, decidido e almejado neste exato segundo – neste momento da fuga da perdição do Éden, da fuga de minha morada inicial e primordial e da perda de minha moralidade suposta masculina."
Para saber mais sobre a obra e o autor, acesse:

"Tô com vontade de uma coisa que eu não sei o que é"

Mulher que escreve sobre mulher, gente moderna que fala coisa de gente moderna, otimistas que pretendem melhorar a nossa vida (e/ou deles), pessimistas que fazem piada sobre a condição humana, e por ai vai. As páginas de papel e as telas de computador estão lotadas de textos que tecem comentários a respeito do mundo em que vivemos. Tati Bernardi comenta esses nossos dias de hoje com uma graça espantosa, uma generosa capacidade de rir de si mesma, um olhar que consegue enxergar vários pontos de vista, e um estilo forte e atrevido, além do extremo bom gosto.Vai muito além da “moça que escreve bem sobre o seu tempo”...diferente. Tati é uma escritora e isso fica muito claro em cada ideia, cada imagem, na ousadia, no ritmo, na sonoridade, na forma. Às vezes, sua sinceridade é tão desconcertante que a gente fica pensando se quem fala é ela, ou um personagem: “eu sou um pouco mais estranha do que ser estranha permite. Sou estranha além do charme de ser estranha”. Seja ela, seja uma personagem, essa menina estranha chega lá chega lá no miolo das nossas doidices, manifesta nossos sentimentos mais secretos e escreve bem pra caramba. Bem-vinda ao mundo das palavras que provocam a gente, Tati.
Por, Adriana Falcão em: [tatibernardi.com.br/livros]
Para saber mais sobre a obra e a autora, acesse [umadosedetatibernardi.blogspot.com.br]




A Cabeça do Santo - Socorro Acioli

[...] "Eu li com meus olhos de criança que são meus melhores olhos. Li imaginando aquela quantidade toda de personagens que sempre ficam como fantasmas incompletos na minha imaginação. Por isso eu gosto mais de literatura do que de cinema. Gosto da neblina literária, daquele espaço que ainda promete sonho. Óbvio que o livro lembra “Cem Anos de Solidão”, lembra “Pedro Páramo” e esse tipo de literatura que alguns chamam de fantástica. Literatura de verdade, é sempre algo fantástico, e fantástico, de outro modo, me parece ser que, num mundo como o nosso – dominado por todo tipo de distração – haja quem leia livros." [...]
[...] Socorro Acioli cria a narrativa com uma força de estilo que tem momentos bem altos no texto. Não é que ela interprete, é que ela recria o fato e o fato se transforma em outra coisa. Como no começo do livro quando Samuel chega a Candeia todo estropiado: “Do outro lado da estrada, em direção contrária, caminhavam exemplares do seu extremo oposto.”
Esse é um exemplo do teor literário do texto que não cabe na notícia. Essa parte é que faz a diferença. É nela que nasce a viagem que é toda literatura e que nos leva, em qualquer idade, à experiência radical da invenção da vida. Na literatura a gente aprende a pensar e começa a entender o que é viver. Sem exagero, sem nada de fantástico, a literatura é essa arte de dizer o mundo mesmo quando ele não está disponível.
Então, podemos ler, porque é absurdo e, no entanto, existe.
Revista Cult, Blog Marcia Tiburi. Para ler o texto completo, acesse:

Para ler um trecho da obra, acesse:
[www.companhiadasletras.com.br/trechos/13611.pdf]

Para saber mais sobre a obra, acesse:
[www.agenciariff.com.br/site/NoticiaEntrevista]

Reencontro - Leila Krüger





[A nossa vida é a arte do encontro, do desencontro e do reencontro]




Um Livro que para mim é uma revelação, dessas que chegaram para marcar história na nossa prosa narrativa.

Leia excelente resenha em:
 
Para comprar o livro ou ler o primeiro capítulo acesse o site da autora:
[www.leilakruger.com.br]

Twitter: @Leilakruger